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Por que os pacientes com apneia são propensos a sofrer de glaucoma?

Cientistas da Universidade de Hokkaido mediram com sucesso a pressão intraocular de pacientes dormentes com síndrome de apneia obstrutiva do sono, (SAOS), pela primeira vez, encontrando uma correlação inesperada com o glaucoma.

“O glaucoma é uma doença em que o nervo ótico sofre danos devido ao aumento da pressão intraocular, resultando em um campo visual restrito”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion (CRM-SP 13.454), diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares. Além de acidentes vasculares cerebrais e de doenças cardiovasculares, como ataques cardíacos, as pessoas com síndrome de apneia obstrutiva do sono são propensas a sofrer de glaucoma a uma taxa 10 vezes maior do que as que não sofrem de SAOS.

No entanto, tem sido tecnicamente difícil medir continuamente a pressão intraocular em indivíduos dormindo. Para resolver o problema, a equipe de pesquisadores empregou um sensor especial semelhante a uma lente de contato para monitorar as mudanças de pressão quando a respiração dos pacientes com SAOS repetidamente paravam durante o sono.

“Normalmente, a pressão intratorácica é conhecida por subir se as pessoas pararem de respirar (exalando), resultando em maior pressão intraocular. O estudo encontrou inesperadamente que a pressão intraocular caiu quando os indivíduos pararam de respirar. Os sujeitos tenderam a parar de inalar, não exalando, devido ao fechamento das vias aéreas, o que deveria levar a uma menor pressão intratorácica. Os sujeitos também experimentaram efeitos hipóxicos, com cessações na respiração causadas pela saturação de oxigênio no sangue, possivelmente desencadeando danos ao nervo ótico que podem levar ao glaucoma”, explica a especialista em glaucoma do IMO, a oftalmologista Márcia Lucia Marques (CRM-SP 110.583).

O estudo mostra que o nervo ótico pode ser danificado devido à hipoxia sem um pico na pressão intraocular, um achado que pode ajudar a desvendar os quadros de pacientes com glaucoma com níveis normais de pressão intraocular.

Foto: Reprodução

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