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Novo tratamento para c√Ęncer agressivo de pulm√£o √© aprovado no Brasil

A Ag√™ncia Nacional de Vigil√Ęncia Sanit√°ria (Anvisa) aprovou recentemente um novo tratamento para pacientes com um tipo espec√≠fico de c√Ęncer de pulm√£o altamente agressivo. Trata-se do imunoter√°pico atezolizumabe, medica√ß√£o que passar√° a ser usada no tratamento inicial do chamado c√Ęncer de pulm√£o de pequenas c√©lulas – o mais comum entre fumantes, correspondendo a 15% de todos os casos de tumores malignos que afetam o √≥rg√£o – representando o primeiro avan√ßo em 30 anos para este subtipo de tumor, segundo especialistas.

Essa terapia j√° √© utilizada no Brasil para tratar c√Ęncer de pulm√£o de n√£o pequenas c√©lulas, tumores no sistema urin√°rio e, no √ļltimo m√™s, foi liberada para uso no combate ao c√Ęncer de mama triplo-negativo.

90% dos casos de c√Ęncer de pulm√£o est√£o relacionados ao tabagismo

O tabagismo est√° na origem de 90% de todos os casos de c√Ęncer de pulm√£o – entre os 10% restantes, 1/3 √© dos chamados fumantes passivos – no mundo, sendo respons√°vel por ampliar em cerca de 20 vezes o risco de surgimento da doen√ßa. Segundo o Instituto Nacional do C√Ęncer (INCA), o Brasil dever√° somar 31.270 novos casos de tumores pulmonares em 2019. Al√©m disso, o mau h√°bito aumenta as chances de desenvolver ao menos outros 13 tipos de c√Ęncer: de boca, laringe, faringe, es√īfago, est√īmago, p√Ęncreas, f√≠gado, intestino, rim, bexiga, colo de √ļtero, ov√°rio e alguns tipos de leucemia. Apesar destes dados n√£o serem novidade, o pa√≠s ainda registra um elevado n√ļmero de casos de neoplasias malignas entre a popula√ß√£o fumante.

A oncologista Mariana Laloni, do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – Unidade do Grupo Oncocl√≠nicas em S√£o Paulo, diz que a maioria dos pacientes com c√Ęncer de pulm√£o apresenta sintomas relacionados ao pr√≥prio aparelho respirat√≥rio, tais como: tosse, falta de ar e dor no peito. “Outros sintomas inespec√≠ficos tamb√©m podem surgir, entre eles perda de peso e fraqueza. Em poucos casos, cerca de 15%, o tumor √© diagnosticado por acaso, quando o paciente realiza exames por outros motivos. Por isso, a aten√ß√£o aos primeiros sintomas √© essencial para que seja realizado o diagn√≥stico precoce da doen√ßa”, diz.

Segundo a m√©dica, existem dois tipos principais de c√Ęncer de pulm√£o: carcinoma de pequenas c√©lulas e de n√£o pequenas c√©lulas. “O carcinoma de n√£o pequenas c√©lulas corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epiderm√≥ide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes c√©lulas. O tipo mais comum no Brasil e no mundo √© o adenocarcinoma e atinge 40% dos doentes”, destaca a Dra. Mariana.

O tratamento do c√Ęncer de pulm√£o se baseia em cirurgia, tratamento sist√™mico (quimioterapia, terapia alvo e imunoterapia) e radioterapia. Sempre que poss√≠vel, a cirurgia √© realizada na tentativa de se retirar uma parte do pulm√£o acometido. Atualmente, os procedimentos cir√ļrgicos minimamente invasivos, por v√≠deo (CTVA) s√£o cada vez mais realizados com menor tempo de interna√ß√£o e retorno mais r√°pido do paciente √†s suas atividades. A indica√ß√£o da cirurgia depende principalmente do estadiamento, tipo, do tamanho e da localiza√ß√£o do tumor, al√©m do estado geral do paciente.

Após a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia são indicadas para destruir células tumorais microscópicas residuais ou que estejam circulando pelo sangue. Para a especialista, a combinação de tratamento sistêmico e radioterapia também pode ser administrada no início do tratamento para reduzir o tumor antes da cirurgia, ou mesmo como tratamento definitivo quando a cirurgia está contraindicada. A radioterapia isolada é utilizada algumas vezes para diminuir sintomas como falta de ar e dor.

Mas o grande avan√ßo dos √ļltimos anos, ainda de acordo com a oncologista do CPO, √© a imunoterapia. Baseado no princ√≠pio de que o organismo reconhece o tumor como um corpo estranho desde a sua origem, e de que com o passar do tempo este tumor passa a se disfar√ßar para o sistema imunol√≥gico e ent√£o se aproveitar para crescer, a imunoterapia busca reativar a resposta imunol√≥gica contra este agente agressor.

“Atuando atrav√©s do bloqueio dos fatores que inibem o sistema imunol√≥gico, as medica√ß√Ķes imunoter√°picas provocam um aumento da resposta imune, estimulando a atua√ß√£o dos linf√≥citos e procurando fazer com que eles passem a reconhecer o tumor como um corpo estranho”, finaliza.