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Fumantes podem ter at√© quatro vezes mais complica√ß√Ķes em cirurgias

 

A fuma√ßa de cigarro cont√©m mais de 4.000 compostos qu√≠micos (a maioria t√≥xicos) e que est√£o ligados ao estresse oxidativo celular com consequentes efeitos patol√≥gicos no organismo. ‚ÄúO cigarro √© irritante √† mucosa respirat√≥ria, o que causa ac√ļmulo de secre√ß√£o, podendo complicar a anestesia. Al√©m disso, a tosse pode atrapalhar a recupera√ß√£o de algumas cirurgias como abd√īmen e face. Do ponto de vista vascular, o risco de trombose tamb√©m √© maior em pacientes fumantes‚ÄĚ, explica a cirurgi√£ pl√°stica Dra. Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Pl√°stica e da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery).

Um estudo publicado na revista da Sociedade Americana de Cirurgia Pl√°stica, em fevereiro deste ano e com an√°lise de 40.000 pacientes, comprovou a maior incid√™ncia de complica√ß√Ķes em pacientes tabagistas, incluindo trombose pulmonar, infec√ß√£o, hematoma, necrose de tecidos e problemas com qualidade de cicatriz. De acordo com a m√©dica, al√©m da produ√ß√£o de radicais livres, hoje respons√°veis por acelera√ß√£o do envelhecimento, cada cigarro leva a um per√≠odo de diminui√ß√£o no calibre dos vasos sangu√≠neos, aporte de oxig√™nio e nutrientes na regi√£o da pele. ‚ÄúAlguns estudos apontam um aumento de at√© quatro vezes o n√ļmero de complica√ß√Ķes e intercorr√™ncias em decorr√™ncia do tabagismo, tanto no aparelho respirat√≥rio como risco de necroses e dificuldade de cicatriza√ß√£o da √°rea operada‚ÄĚ, observa.

J√° sobre o risco de trombose, a angiologista e cirurgi√£ vascular Dra Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, detalha que a nicotina presente no cigarro est√° ligada √† diminui√ß√£o da espessura dos vasos sangu√≠neos. ‚ÄúAl√©m disso, o mon√≥xido de carbono oferece um fator adicional de risco ao diminuir a concentra√ß√£o de oxig√™nio no sangue. Todo esse processo pode causar complica√ß√Ķes para o normal funcionamento dos vasos, que ficam mais suscept√≠veis ao entupimento, podendo levar a processos de trombose principalmente quando h√° fatores de risco envolvidos‚ÄĚ, afirma a angiologista. A trombose √© um termo que se refere √† condi√ß√£o na qual h√° o desenvolvimento de um ‚Äėtrombo‚Äô, um co√°gulo sangu√≠neo, nas veias das pernas e coxas. Esse trombo entope a passagem do sangue.

Nos casos em que se realizam cirurgias com amplos descolamentos, a tend√™ncia √© de haver um risco maior de comprometimento do processo de cicatriza√ß√£o. Isso pode levar ao surgimento de necroses teciduais, deisc√™ncias de suturas (afastamentos das partes costuradas), dentre outras complica√ß√Ķes. Desta maneira, √© imprescind√≠vel adequar t√©cnicas menos agressivas, com descolamentos teciduais menores para proteger o paciente de poss√≠veis complica√ß√Ķes, al√©m de aconselh√°-lo a cessar o fumo no pr√©-operat√≥rio. ‚ÄúSeguindo orienta√ß√£o de artigos cient√≠ficos, recomendo parar de fumar de quatro semanas antes da cirurgia at√© quatro semanas depois. A piora na cicatriza√ß√£o e aumento de complica√ß√Ķes s√£o conhecidos por todos os m√©dicos e o paciente que deseja realizar a cirurgia precisa estar ciente dos riscos‚ÄĚ, explica a Dra. Beatriz. Na ritidoplastia (pl√°stica ou lifting facial), o tabagismo aumenta muito a chance de necrose (morte da pele)‚ÄĚ, explica a m√©dica. ‚ÄúPortanto, independente do tipo de cirurgia, vale a pena o esfor√ßo de parar de fumar.‚ÄĚ

A cirurgiã plástica ainda reforça que o interessado em realizar cirurgia plástica deve consultar sempre um especialista membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

 

Foto: Reprodução

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