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Legislação

Após oito meses da soltura, Justiça alemã encerra processos contra goianas presas após troca de malas

O Minist√©rio P√ļblico da Alemanha encerrou as investiga√ß√Ķes contra a veterin√°ria goiana¬†Jeanne Paolini¬†e a namorada dela, a empres√°ria¬†K√°tyna Ba√≠a,¬†que passaram 38 dias presas naquele pa√≠s ap√≥s terem suas malas trocadas por outras com drogas. A decis√£o ocorreu depois que a Justi√ßa as considerou inocentes e, segundo a advogada delas, Chayanne Kuss, a medida √© definitiva.

‚ÄúA decis√£o que todos tomaram conhecimento no passado era em rela√ß√£o a pris√£o delas. As investiga√ß√Ķes no entanto, continuaram. Essa √ļltima decis√£o que recebemos agora √© em rela√ß√£o as investiga√ß√Ķes como um todo. No caso, elas foram absolvidas por terem sido consideradas inocentes‚ÄĚ, disse a advogada, em entrevista ao jornal¬†‚ÄúO Globo‚ÄĚ.

Chayanne destacou que no m√™s que vem as brasileiras j√° devem conseguir entrar com um processo solicitando ao governo alem√£o indeniza√ß√Ķes pelo tempo de pris√£o. A lei local determina um valor de 75 euros por dia de pris√£o injusta, conforme detalhou a defensora. Como as duas passaram 38 dias encarceradas, teriam direito a 2.850 euros, o equivalente a R$ 15,3 mil.

‚ÄúAjuizaremos a√ß√Ķes civis em rela√ß√£o a todos os outros danos financeiros, morais e pela quantia que elas deixaram de auferir em raz√£o de todo esse processo. Desde custas da viagem que era de f√©rias e elas n√£o puderam aproveitar porque estavam presas at√© tratamento dispensado em raz√£o de traumas‚ÄĚ, ressaltou a advogada.

Relembre o caso

Jeanne e K√°tyna embarcaram no Aeroporto Santa Genoveva, em Goi√Ęnia, e fizeram uma conex√£o no Aeroporto Internacional de Guarulhos,¬†onde suas bagagens acabaram com as etiquetas trocadas.

As duas pretendiam passar 20 dias viajando pela Europa, mas ao desembarcarem na Alemanha, no dia 5 de março deste ano, foram presas e acusadas por tráfico internacional de drogas. Nas bagagens atribuídas ao casal, foram apreendidos 40 kg de cocaína. Apesar de dizerem que aquelas não eram suas malas, as duas foram levadas para um presídio feminino.

O caso passou a ser investigado pela Polícia Federal, que identificou a ação da quadrilha no aeroporto paulista. Imagens mostraram que as malas despachadas inicialmente por Jeanne e Kátyna eram diferentes das que foram apreendidas na Alemanha.

Conforme a PF, nas escalas internacionais, o passageiro despacha a mala no aeroporto de origem e só pega de volta no destino final, ou seja, as brasileiras nem viram a troca das bagagens e das etiquetas.

Ap√≥s 38 dias presas, elas finalmente foram soltas e retornaram ao Brasil no dia 14 de abril. Elas foram inocentadas e n√£o precisam aguardar por mais nenhum tr√Ęmite processual para deixar o pres√≠dio.

Mantidas em p√©ssimas condi√ß√Ķes

Durante o período em que ficaram presas, Jeanne e Kátyna conseguiram falar com seus familiares por alguns minutos. Em um desses contatos, a empresária falou sobre o local em que era mantida.

‚Äú√Č uma cela em que as paredes t√™m escritas de fezes, t√°? √Č uma cela fria, n√£o tem janela‚ÄĚ, contou K√°tyna.

J√° Jeanne falou sobre o desafio de estar impedida de voltar para casa. ‚ÄúN√≥s nunca convivemos nesse ambiente. No final de semana e feriado n√≥s passamos cerca de dezesseis horas trancadas sem conv√≠vio social e o que me salvou aqui foi a f√©. D√≥i muito ficar aqui todo dia. Eu acordo e penso: meu Deus, esse pesadelo ainda n√£o acabou‚ÄĚ, desabafou a veterin√°ria.

‚ÄúN√≥s fomos presas de forma muito injusta, mal recebidas, maltratadas pela pol√≠cia alem√£, injusti√ßadas, pagando j√° por 38 dias por um crime que n√£o nos pertence. Se f√īssemos cumprir o que a legisla√ß√£o de l√° ordenava, ir√≠amos ficar em m√©dia 15 anos, perdendo 15 anos da nossa vida e talvez n√£o ver√≠amos os nossos pais mais, os nossos amigos, a nossa p√°tria amada‚ÄĚ, desabafou Jeanne.

Por Metro Jornal