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Vandalismo tem sido rotina no futebol carioca em 2017

A cena de crianças perdidas em meio à multidão e atordoadas com os efeitos de gás de pimenta não deveria combinar com estádios de futebol. Mas o que se viu no sábado (8) em São Januário é a realidade. Os distúrbios ocorridos ali, após a partida entre Flamengo e Vasco, provocaram a morte do ajudante de eletricista Davi Rocha, de 27 anos, e refletem a rotina da violência no futebol. No Rio, isso parece mais evidente, pelo menos em 2017.

Em 12 de fevereiro, no entorno do Engenhão, o confronto entre torcidas foi fatal para Diego Silva dos Santos, de 28 anos, atingido por um espeto de churrasco pouco antes do clássico entre Flamengo e Botafogo.Os dois exemplos mostram que o esporte mais popular do País tem se tornado um programa cada vez mais perigoso para torcedores e profissionais escalados para trabalhar nos jogos e mesmo nas atividades diárias dos clubes.

Os incidentes dentro e fora do campo do Vasco na última rodada do Campeonato Brasileiro também tiveram a imprensa como alvo. Há o relato de pelo menos três jornalistas agredidos durante o tumulto. Um cinegrafista da Band correu sério risco de morte quando um ‘torcedor’ do Vasco tentou atacá-lo com um vergalhão.

Essas ações surgem no rastro da incitação de dirigentes que fazem uso de bravatas para rebater eventuais críticas e preparam o terreno para confrontos que podem se transformar em tragédias.Há outras situações que expõem profissionais que trabalham no futebol do Rio. Uma delas é acompanhar as atividades do Fluminense, no centro de treinamento da Cidade de Deus, na zona oeste. Como a área é dominada por uma facção do tráfico, as abordagens aos jornalistas têm sido frequentes nas ruas de acesso ao local. Por isso, uma emissora de TV só manda sua equipe para lá em carro blindado. Outra, com mais recursos, leva os jornalistas para o CT com uma escolta que segue o carro de reportagem.

Ameaças à integridade física de repórteres que cobrem futebol no Rio também aumentam esse clima de belicismo. Em algumas vezes, isso se agrava por causa de comentários de dirigentes de clubes em redes sociais. Sem aceitar as críticas, eles apontam o dedo para o jornalista e espalham a condenação virtual para milhares de seguidores. O resultado, no caso, é imprevisível.

 

Fotos: Reprodução

Fonte: Silvio Barsetti / Terra

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