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Dupla recebe Nobel de Medicina por tratamento contra o c√Ęncer

James P. Allison e Tasuku Honjo s√£o os ganhadores do Pr√™mio Nobel 2018 de Medicina. A Academia Sueca anunciou nesta segunda-feira (01) que o americano e o japon√™s ir√£o dividir o pr√™mio de 9 milh√Ķes de coroas suecas, equivalente a R$ 4.098.402.

Os dois desenvolveram pesquisas, separadamente, sobre duas prote√≠nas produzidas por tumores ‚ÄĒ a CTLA-4 e a PD-1 ‚ÄĒ que paralisam o sistema imune do paciente durante o tratamento de c√Ęncer.

‚ÄúOs tumores produzem as prote√≠nas, chamadas de checkpoints, que bloqueiam o linf√≥cito T, que √© a c√©lula mais importante do sistema imune que ataca o tumor. Essas drogas [pesquisadas] retiram esse bloqueio e recuperam o poder de ataque dos linf√≥citos que estavam paralisados por essas prote√≠nas‚ÄĚ, explica o oncologista Fernando Maluf, diretor associado do Centro de Oncologia da Benefic√™ncia Portuguesa de S√£o Paulo.

O imunologista James P. Allison, 70, da Universidade do Texas, estudou a proteína CTLA-4. Ele descobriu que um bloqueio da proteína poderia retirar o freio sobre os linfócitos T, fazendo com que as células voltassem a atacar o tumor. Em 1994, Allison realizou o primeiro experimento em ratos, que ficaram curados após o tratamento.

Em 2010, um estudo cl√≠nico mostrou efeitos ‚Äúimpressionantes‚ÄĚ, segundo a Academia sueca, em pacientes com melanoma (um tipo de c√Ęncer de pele) avan√ßado, que n√£o haviam sido observados antes.

J√° o imunologista Tasuku Honjo, 76, da Universidade de Kyoto, no Jap√£o, estudou uma outra prote√≠na, a PD-1, que tamb√©m atuava sobre os linf√≥citos T, s√≥ que de forma diferente. Ap√≥s experimentos em laborat√≥rio, um estudo realizado em 2012 tamb√©m demonstrou efic√°cia em tratar pacientes com diversos tipos de c√Ęncer.

‚ÄúOs resultados foram dram√°ticos, com remiss√£o a longo prazo e poss√≠vel cura em alguns pacientes com c√Ęncer metast√°tico, uma condi√ß√£o que antes era considerada basicamente intrat√°vel‚ÄĚ, afirmou a Academia.

Maluf explica que esse tipo de tratamento, a imunoterapia, j√° √© utilizado em pacientes com c√Ęncer em estado avan√ßado, no Brasil e no mundo, h√° cerca de quatro anos. No pa√≠s, existe uma droga que bloqueia a CTLA-4 e outras cinco que atuam sobre a PD-1. Ele explica que, normalmente, s√£o utilizadas em pessoas que n√£o responderam a outros tratamentos.

‚ÄúEssas drogas foram associadas a ganho de sobrevida global em tumores graves como melanoma, c√Ęncer de pulm√£o, de bexiga, de rim, de cabe√ßa e pesco√ßo, linfoma, tumores intestinais, de f√≠gado, g√°stricos tamb√©m. S√£o drogas que hoje fazem parte do dia a dia em v√°rias situa√ß√Ķes importantes com tumores graves e muito avan√ßados‚ÄĚ afirma. O oncologista explica que elas tamb√©m¬†trazem menos efeitos colaterais que a quimioterapia tradicional.

‚ÄúN√≥s podemos curar o c√Ęncer com isso‚ÄĚ, afirmou Klas K√§rre, membro do comit√™ do Nobel.

A Academia sueca considerou que o desenvolvimento cl√≠nico de estrat√©gias de imunoterapia havia sido modesto at√© as descobertas de James P. Allison e de Tasuku Honjo, consideradas um marco no combate √† doen√ßa. Cientistas j√° tentavam acionar o sistema imune para lutar contra o c√Ęncer h√° mais de 100 anos.

Outras pesquisas relacionadas ao tratamento da doen√ßa j√° haviam sido vencedoras do Nobel de Medicina: tratamento hormonal contra c√Ęncer de pr√≥stata (1966) , quimioterapia (1988) e transplantre de medula para tratar leucemia (1990).

A Fundação Nobel irá anunciar os vencedores em Física nesta terça (02) e em Química nesta quarta-feira (03). Os ganhadores na categoria Paz e Economia serão conhecidos na sexta (05) e segunda-feira (11), respectivamente. O prêmio em Literatura foi adiado para 2019.

Foto: Ryosuke Ozawa/Kyodo News via AP e Christoph Schmidt/dpa via AP

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