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Alfieri Casalecchi

Alfieri Casalecchi: A Cura pela Cooperação

‚ÄúAto ou efeito de coop¬≠er¬≠ar, sub¬≠stan¬≠ti¬≠vo fem¬≠i¬≠ni¬≠no‚ÄĚ, a coop¬≠er¬≠a√ß√£o faz parte da solu√ß√£o e ingre¬≠di¬≠ente essen¬≠cial √† cura da nos¬≠sa maior doen√ßa social: o ego√≠s¬≠mo. A Covid-19 n√£o √© ape¬≠nas uma doen√ßa, √© tam¬≠b√©m um sin¬≠toma, entre tan¬≠tos, que a sociedade pro¬≠duz¬≠iu pela insen¬≠satez do indi¬≠vid¬≠u¬≠al¬≠is¬≠mo. Ela n√£o ser√° o alvo per¬≠ma¬≠nente do com¬≠bate, √© um alvo tem¬≠por√°rio, mais uma man¬≠i¬≠fes¬≠ta√ß√£o da ver¬≠dadeira causa que √© o ego√≠s¬≠mo.

O coro¬≠n¬≠av√≠rus foi o agente que trouxe uma for¬≠ma exu¬≠ber¬≠ante e atu¬≠al da maior cha¬≠ga da humanidade, ali√°s, des¬≠de que o mun¬≠do civ¬≠i¬≠liza¬≠do foi descrito e reg¬≠istra¬≠do de algu¬≠ma for¬≠ma. Ven¬≠cen¬≠do o ego√≠s¬≠mo e os seus deriva¬≠dos: vaidade, orgul¬≠ho, inve¬≠ja, ter¬≠e¬≠mos uma sociedade mais s√£. √Č cer¬≠to que ele j√° provo¬≠cou e resis¬≠tiu a out¬≠ras pan¬≠demias e dezenas de guer¬≠ras. O ego√≠s¬≠mo √© o ver¬≠dadeiro epi¬≠cen¬≠tro da nos¬≠sa doen√ßa cole¬≠ti¬≠va. Um ‚Äúv√≠rus‚ÄĚ muito mais potente do que qual¬≠quer out¬≠ro con¬≠heci¬≠do que se alo¬≠ja no com¬≠por¬≠ta¬≠men¬≠to humano e encon¬≠tra habi¬≠tat prop√≠¬≠cio na nos¬≠sa teimosia em com¬≠pe¬≠tir em detri¬≠men¬≠to de coop¬≠er¬≠ar.

Pro­pon­ho aqui que, por um momen­to ape­nas, que o leitor pos­sa imag­i­nar como seria o mun­do com a sub­sti­tu­ição da com­petição desme­di­da pela coop­er­ação, mes­mo que mod­er­a­da. Só por um min­u­to, pense na difer­ença de sen­ti­men­to quan­do esta­mos diante da coop­er­ação. Coop­er­ar e rece­ber o mes­mo em tro­ca. Quan­to avanço que teríamos!

Pense bem, h√° 200 dias atr√°s a com¬≠peti√ß√£o con¬≠stante for¬≠t¬≠ale¬≠ci¬≠am os sen¬≠ti¬≠men¬≠tos mais indi¬≠vid¬≠u¬≠al¬≠is¬≠tas. Acho que cheg¬≠amos ao topo da insanidade ao nutrir as redes ‚Äúexibi¬≠cionistas‚ÄĚ soci¬≠ais, que mais pare¬≠ci¬≠am pal¬≠cos de expl√≠c¬≠i¬≠tos con¬≠fron¬≠tos de egos do que platafor¬≠mas de com¬≠par¬≠til¬≠hamen¬≠to de infor¬≠ma√ß√Ķes rel¬≠e¬≠vantes para o con¬≠hec¬≠i¬≠men¬≠to e evolu√ß√£o das ci√™n¬≠cias soci¬≠ais.

Foi pre¬≠ciso, mais uma vez, o caos, o medo, a solid√£o e a prox¬≠im¬≠i¬≠dade da morte, a deses¬≠per¬≠an√ßa em dimen¬≠s√£o glob¬≠al para que fos¬≠se¬≠mos atr√°s e reen¬≠con¬≠trar por√ß√Ķes de sol¬≠i¬≠dariedade e com¬≠paix√£o. Ser√° que temos cura? Sem¬≠pre acho que sim. Mes¬≠mo que as evid√™n¬≠cias n√£o apon¬≠tem para isso.

Mas somente com altas dos¬≠es de coop¬≠er¬≠a√ß√£o pela man¬≠h√£, tarde e noite, ter¬≠e¬≠mos chance de ‚Äúapren¬≠der, de novo‚ÄĚ, e atrav¬≠es¬≠sar este deser¬≠to √°ri¬≠do e cheio de espin¬≠hos‚Ķ mais espin¬≠hos.

 

Foto: Repro­dução

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