As relações de trabalho mudaram, e com elas, mudou também o perfil dos negócios. Pessoas que antes ocupavam posições em empresas privadas, hoje são donas do próprio negócio e saíram da informalidade e, nesse passo importante, contaram com os coworkings, espaços compartilhados para dar corpo ao seu empreendedorismo.
Dados do censo realizado pelo Coworking Brasil revelam que são cerca de 810 espaços compartilhados no país, com 56 mil estações de trabalho. Além de movimentar a economia, esses espaços promovem a empregabilidade. São cerca de 2.326 mil funcionários contratados pelos espaços. O Paraná concentra 69 coworkings, 44 deles só em Curitiba.
Para a empreendedora e proprietária do Curitiba Coworking, Rosiane Kochanovecz, a tarefa de manter um espaço como esse não é tão simples quanto parece. “Para o empreendedor é ótimo. Aqui no Curitiba Coworking, por exemplo, ele tem à sua disposição salas de reunião e eventos, salas de atendimento individuais, estações de trabalho e até mesmo uma cozinha. Tudo com acesso à internet Wi-fi, sem contar na comodidade de poder fazer desse local o seu endereço empresarial para correspondências, mas para quem oferece esse serviço, isso também tem um preço, pois estamos colocando a nossa estrutura a serviço de terceiros, e isso também envolve mão de obra”, conta a empresária.
Desde 2016 no mercado, o Curitiba Coworking conhece bem os altos e baixos enfrentados por quem resolve empreender e aposta no coworking como alternativa. “Nos encontros que fazemos todas às primeiras terças-feiras do mês com empreendedores que aqui estão e convidados, falamos sobre a importância de o profissional se reinventar, de se manter atualizado e fazer sua rede de contatos, porque, muito além de um espaço para chamar de seu, o coworking serve para agregar e aproximar pessoas das mais diferentes áreas de atuação para que possam promover negócios entre si”, diz Rosiane.
Reduzir custos, aumentar interação
Um dos motivos que levam as pessoas a buscarem coworkings é a redução de custos. Ao invés de se comprometerem com um longo contrato de locação de uma sala comercial, gerando custos com aluguel e condomínio, os empreendedores vêm no coworking a possibilidade de formalizar o seu negócio pagando uma mensalidade que não chega nem perto dos custos fixos de um espaço comercial, com uma estrutura muitas vezes superior à dos espaços comercializados pelas imobiliárias.
“Oferecemos estrutura para que os profissionais tragam seus negócios para cá e sejam atendidos confortavelmente, além de aumentar sua rede de contatos. A ideia de chegar e usar, certamente, faz toda a diferença”, afirma Rosiane.
De acordo com o diretor do Empresômetro, Otávio Amaral, os coworkings seguiram uma tendência iniciada nos Estados Unidos em 2005 e que chegou ao Brasil no ano de 2008, quando a ideia de espaços colaborativos era pouco difundida, mas ele alerta, quem não se atualizar, vai ficar para trás. “Com a abertura de vários espaços colaborativos, o mercado de coworkings viveu uma ‘febre’ e inflou, mas só seguiu adiante quem conseguiu antever esse momento e foi mais ousado. Para se manter no mercado, sendo proprietário desse tipo de negócio, o empreendedor precisa ousar, ser diferente, se destacar, senão, poderá ter que fechar as portas”, revela Amaral.
E ousadia não faltou para Rosiane. O Curitiba Coworking não oferece somente salas e estações de trabalho, mas também promove eventos, como cursos, palestras e até mesmo desfiles de moda. “Não costumamos dizer não ao empreendedor. Essa palavra é proibida aqui dentro. Adaptamos o nosso espaço a necessidade do nosso cliente, e por conta disso, já realizamos convenções de empresas, cursos de idiomas, palestras de grupos de mulheres empreendedoras e até sessões de reiki. Em breve vamos oferecer, juntamente com o INPP – Instituto Nacional de Parapsicologia Psicometafísica, um curso de Parapsicologia, com duração de um ano e encontros mensais”, conclui.