Em abril de 2020, o volume de serviços no Brasil caiu 11,7% frente a março, na série com ajuste sazonal. Este é o resultado negativo mais intenso desde o início da série histórica (janeiro de 2011). Trata-se da terceira taxa negativa seguida, com acúmulo de perda de 18,7% neste período. A queda em abril é consequência, em grande parte, das medidas de isolamento social por causa da covid-19.
Na série sem ajuste sazonal, no confronto com abril de 2019, o volume de serviços recuou 17,2% em abril de 2020, segunda taxa negativa seguida. No acumulado do ano, o volume de serviços caiu 4,5% frente a igual período do ano anterior. No acumulado nos últimos doze meses, ao recuar 0,6% em abril de 2020, mostrou perda de ritmo frente a janeiro (1,0%), fevereiro (0,7%) e março (0,7%).

A retração de 11,7% do volume de serviços de março para abril de 2020 foi acompanhada por todas as cinco atividades de divulgação investigadas. Os destaques foram para as quedas registradas em transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-17,8%) e em serviços prestados às famílias (-44,1%), com ambos assinalando os recuos mais intensos da série iniciada em janeiro de 2011. O primeiro sofreu pressões negativas mais intensas vindas das empresas de transporte aéreo (-73,8%) e terrestre (-20,6%). Já o segundo foi fortemente impactado pela interrupção na prestação de serviços de alojamento e alimentação (-46,5%) e de outros serviços prestados às famílias (-33,3%).
Os demais resultados negativos entre as atividades vieram de serviços profissionais, administrativos e complementares (-8,6%), de informação e comunicação (-3,6%) e de outros serviços (-7,4%), com o primeiro acumulando perda de 15,6% nos últimos três meses; o segundo retraindo 7,1% entre janeiro e abril deste ano; e o último registrando queda acumulada de 8,8% no bimestre março-abril.
O índice de média móvel trimestral para o total do volume de serviços apontou retração de 6,4% no trimestre encerrado em abril de 2020 frente ao nível do mês anterior, intensificando, assim, o ritmo de queda ante janeiro (-0,1%), fevereiro (-0,4%) e março (-2,5%). Entre os setores, ainda em relação ao movimento deste índice na margem, todas as cinco atividades mostraram resultados negativos neste mês, com destaque para a intensa queda dos serviços prestados às famílias (-23,0%), seguido por transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-8,4%), serviços profissionais, administrativos e complementares (-5,3%), outros serviços (-2,8%) e informação e comunicação (-2,1%).
Em contrapartida, o setor de outros serviços (1,0%) mostrou a única contribuição positiva nesse mês, impulsionado, principalmente, pela maior receita das empresas de corretoras de títulos, valores mobiliários e mercadorias; administração de bolsas e mercados de balcão organizados; e coleta de resíduos não perigosos de origem doméstica, urbana ou industrial.
No índice acumulado do primeiro quadrimestre de 2020, frente a igual período de 2019, o setor de serviços recuou 4,5%, com queda em quatro das cinco atividades de divulgação e com expansão em apenas 32,5% dos 166 tipos de serviços investigados. Entre os setores, os serviços prestados às famílias (-23,6%) exerceram a influência negativa mais relevante, pressionados, especialmente, pela queda nas receitas de restaurantes; hotéis; e de catering, bufê e outros serviços de comida preparada.
