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Sobre testes de HIV de farmácia trouxeram debates

Aconteceu no início do mês de junho na capital, o primeiro debate sobre “Soropositividade”, promovido pela Impulse SP e com participação de especialistas, jornalistas e portadores de HIV o debate esclareceu diversas dúvidas e ainda frisou a importância da prevenção e da utilização de preservativos, principalmente entre os jovens LGBTI´s que compõem uma grande fatia de infectados pelo vírus.

Um dos dados mais alarmantes debatido no evento, foi sobre os dados do Ministério da Saúde, de 2016, apontam que mais de 800 mil pessoas vivam com HIV/aids no Brasil. O alarmante é que, desse total, 112 mil desconhecem ter o vírus. Com a proposta de reduzir estes números, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) registrou, em maio passado, o primeiro auto teste para triagem do HIV, que em breve poderá ser comprado por qualquer pessoa em farmácias e drogarias do País. Mas será que este tipo de teste funciona? Como proceder?

Segundo Juny Kraiczyk, graduada em psicologia, é mestre e especialista em Bioética pela UNB onde estudou Bioética, Saúde e Transtravestilidades, “o teste vendido em farmácia abre um leque de apoio para as testagens e exames realizados em laboratórios. Importante salientar que para a realização do exame comprado em farmácia, todos os cuidados exigidos pelo fabricante devem ser levados em consideração, para que não haja nenhuma interferência externa. O autoexame vem ajudando a identificar um grande número de infectados que até então, não sabiam que estavam”.

Ainda sobre os testes vendidos em farmácia Juny complementou que os testes são confiáveis. Geralmente demonstram sensibilidade e efetividade de 99,9%. No entanto, só pode indicar a presença do HIV após 30 dias do contato com o vírus por meio de uma relação sexual ou compartilhamento de agulha, por exemplo.

Se o resultado der positivo, recomenda-se confirmá-lo com um teste de laboratório. Em caso de resultado negativo, o teste deve ser repetido após 30 dias e outra vez depois de mais 30 dias até completar 120 dias após a primeira exposição.  Até o momento, testes de HIV eram feitos somente com intermédio de profissionais de saúde em laboratórios, centros de referência e unidades de testagem móvel. O kit vendido em farmácia, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em maio, detecta a presença dos anticorpos contra o vírus HIV a partir da coleta de gotas de sangue. O kit traz o dispositivo de teste, um líquido reagente, uma lanceta para furar o dedo, um sachê de álcool e um capilar (tubinho para coletar o sangue) e o resultado demora de 15 a 20 minutos para sair.

Ainda falando de auto teste, o fator emocional é uma grande preocupação e um fator que pede atenção por parte de todos, sociedade, agentes de saúde, profissionais da psicologia, familiares, para que todos as fases do processo, sejam realizadas com sucesso. Segundo Welton Gabriel, soropositivo há 10 anos, “é um buraco que se abre quando se descobre, mas depois com todo acompanhamento familiar, médico e quando entendemos corretamente o que é o HIV/AIDS todos os cuidados são levados a risca, mas a vida é normal. Tenho minha rotina, minhas atividades e hoje lido com sabedoria para ajudar mais e mais pessoas infectadas“, explicou.

No último final de semsana de maio, na semana da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, A AHF Brasil e a Impulse SP em parceria com o CRT – Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP realizaram no vão livre do Masp uma ação onde milhares de pessoas puderam realizar de forma gratuita o teste de HIV/AIDS por fluido oral. O teste é seguro, rápido e sigiloso.

No debate ainda participaram João Geraldo Neto, Ativista de direitos humanos há 13 anos, foi voluntário em projetos de comunidades populares e, há 10 anos, ao receber o diagnóstico positivo para HIV, Mariana Silvestrim Silva, Enfermeira e Pesquisadora na área de infecções sexualmente transmissíveis, HIV/Aids e hepatites virais. Possui pós graduação em Enfermagem em Saúde Pública pela Universidade Federal de São Paulo e Especialização em Micropolítica da Gestão e Trabalho em Saúde pela Universidade Federal Fluminense, Extensão universitária em Álcool e outras drogas pela Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil e Gestão de Doenças Crônicas Transmissíveis pela Fundação Getúlio Vargas, FGV, Welton Gabriel (vinculador e soropositivo), Carlos Alberto Restrepo, Presidente da Impulse SP e o mediador do debate foi o jornalista André Guimarães.

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