PUBLICIDADE

3.0 - NEG√ďCIOS

Prevenção à fraude é responsabilidade da gestão

Atualmente temos presenciado uma série de eventos de fraudes, tanto no mundo corporativo como em outros segmentos da sociedade. Segundo alguns especialistas, a fraude é um evento em crescimento em todo o mundo, atingindo qualquer tipo de empresa.

Um dos motivos para esse crescimento é que hoje o fraudador não necessariamente precisa estar presente na empresa, pois com a virtualização dos processos de negócios, a fraude pode ser remota.

Vou concentrar minha análise sobre fraude e sua prevenção no ambiente corporativo. Precisamos entender que a fraude cometida neste ambiente pode ser a favor da empresa ou de um individuo. Por definição, fraude é todo ato de má-fé praticado com o objetivo de obter ganhos em detrimento da empresa ou de outras pessoas.

Para que ocorra a fraude se faz necess√°rio que exista pelo menos tr√™s condi√ß√Ķes b√°sicas: a oportunidade, a motiva√ß√£o e o racional. Denominamos isto como sendo o triangulo da fraude.

De uma forma simples, a oportunidade é dada quando a empresa e seus gestores abdicam de suas responsabilidades de supervisão e monitoramento das atividades. A motivação pode ser devido uma dívida, insatisfação com a empresa, pressão da organização, etc. O racional, por sua vez, é criado pelo fraudador para justificar o ato realizado.

Em todos os casos de fraude nos quais trabalhei, no Brasil e exterior, estas tr√™s condi√ß√Ķes estavam sempre presentes e √© interessante notar que os fraudadores sempre acreditam no racional criado. Como, por exemplo: √© assim que se faz neg√≥cio neste pa√≠s, foi somente um empr√©stimo, se n√£o for desta maneira n√£o somos competitivos, meu chefe tamb√©m faz, etc.

A prevenção à fraude em uma corporação começa pelo comprometimento irrestrito da alta gestão e de todos os gestores com as boas práticas de governança e com os valores éticos. Esta é a primeira linha de defesa da organização.

11111111111111111fraudeA alta gest√£o deve ser o modelo de atua√ß√£o e deve definir, atrav√©s de pol√≠tica, as atitudes e comportamentos esperados de todos os colaboradores em suas atividades di√°rias, principalmente em negocia√ß√Ķes com terceiros, sejam do setor privado ou do setor governamental.

Os executivos devem interagir com todos os níveis da empresa, comunicando de forma clara e objetiva, através de políticas, as responsabilidade e autoridade de cada um, além de definir os requisitos de supervisão e prestação de contas dos níveis gerenciais. Para isto deve haver uma visão de gestão por processo.

√Č tamb√©m necess√°rio que a organiza√ß√£o conte com uma cultura de riscos para que exista um estruturado e efetivo processo de gerenciamento de riscos operacionais e estrat√©gicos, que proporcionar√° √† empresa condi√ß√Ķes de se preparar para uma conting√™ncia, como tamb√©m criar um eficiente sistema de controles internos. Estes fundamentos s√£o considerados como sendo a segunda linha de defesa corporativa.

As melhores práticas de gerenciamento de riscos indicam que a organização deve identificar, avaliar e tratar todos os eventos que possam, de alguma maneira, impactar negativamente a capacidade da empresa em alcançar seus objetivos operacionais ou estratégicos. A estrutura de Controles Internos determina que sejam gerenciados os riscos inerentes, de TI e também riscos de fraude.

A mitigação dos riscos operacionais seja ele inerente, de TI ou de fraude, é realizado através do sistema de controle interno, que deve ser modelado em conformidade com a magnitude do risco. Este sistema para ter valia deve ser supervisionado, ter disciplina e evidência.

Um processo de gest√£o baseado em riscos, al√©m de permitir que a empresa alcance com razo√°vel certeza seus objetivos, tem a tend√™ncia de tornar o processo organizacional mais econ√īmico.

Para se ter uma razoável certeza que as duas linhas de defesa estão em operação, é necessário que exista o processo de monitoramento de forma independente. Para isto, a empresa precisa contar com uma auditoria interna proativa e alinhada ao processo de negócio, de forma que possa avaliar a conformidade e o desempenho dos fundamentos de governança da organização. Esta é a terceira linha de defesa.

Swearing an oath with fingers crossed behind back concept for dishonesty or business fraud

A auditoria interna deve ter sua independência preservada através da hierarquia, preferencialmente reportando-se ao Conselho de Administração. Também deve ter em sua equipe, profissionais proficientes na aplicação das normas internacionais de auditoria, com conhecimento e competência associada à natureza da empresa, para manter a objetividade de sua opinião.

Al√©m de todos os pontos mencionados acima, a corpora√ß√£o precisa ter uma pol√≠tica e um canal de den√ļncia organizado. De tal forma, que tanto os colaboradores como os terceiros saibam como realizar a den√ļncia e se sintam protegidos.

Não poderia deixar de mencionar a necessidade de a empresa ter um programa de integridade para estar em conformidade com os requisitos da Lei 12.846/13, conhecida como a Lei Anticorrupção. Este programa de integridade deve ser formalmente apresentado para todos os colaboradores, prestadores e fornecedores.

Para finalizar, vejam que para que tudo isto seja uma verdade nas corpora√ß√Ķes √© essencial o adequado posicionamento e comprometimento do gestor aos fundamentos de governan√ßa. Entretanto, infelizmente boa parte dos gestores n√£o est√° preparado para isto, porque acham que tudo isto dificulta e/ou engessa os neg√≥cios ou ent√£o que √© tudo burocracia. Alguns acham, por mais incr√≠vel que possa parecer, que n√£o existem riscos.

Isto possivelmente ocorre, em parte, pelo nosso sistema de educação profissional, pois não falamos (ou falamos muito pouco) sobre riscos nos cursos de graduação ou pós-graduação. Vejo cursos de MBA em Estratégia sem cadeira de gestão de riscos e, nas empresas, gestores acomodados em sua zona de conforto.

Uma das formas de compensar isso é contar, em seu staff, com profissionais especialistas em controles internos, que terão como responsabilidade apoiar os diversos gestores operacionais na modelagem, implantação e manutenção dos fundamentos da governança, criando assim a cultura de riscos na corporação.

A prevenção da fraude baseada na gestão dos fundamentos da governança permite que a empresa crie possibilidades sustentáveis de negócios, protegendo sua perenidade.

Eduardo Person Pardini ‚Äď S√≥cio principal, respons√°vel pelos projetos de governan√ßa, gest√£o de riscos, controles internos e auditoria interna da Crossover Consulting & Auditing. √Č diretor executivo do Internal Control institute – chapter Brasil, palestrante e instrutor do IIA Brasil.

PUBLICIDADE