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Cracol√Ęndia resiste na Avenida Brasil mesmo com toda repress√£o

 

O vaiv√©m de carros na Avenida Brasil, uma das vias mais importantes e movimentadas da cidade, n√£o inibe a forma√ß√£o de pequenas cracol√Ęndias √† margem de suas pistas. Pelo contr√°rio. Com lonas e peda√ßos de madeira, dependentes qu√≠micos v√£o se acomodando, dia ap√≥s dia, debaixo de viadutos, onde preparam, √† vontade, seus cachimbos de crack ou cigarros de maconha.

À medida que o acampamento aumenta, cresce também a insegurança. Nesta quarta-feira, a Polícia Civil, com o apoio da PM e da Guarda Municipal, fez uma ação na altura da comunidade Parque União, em Ramos. No local, adolescentes e adultos, além de consumirem entorpecentes, estariam, segundo a polícia, roubando motoristas.

Quando as equipes chegaram, os usu√°rios se dispersaram, e houve correria. Eles chegaram a arremessar pedras contra os agentes, que reagiram com tiros. Vinte e tr√™s pessoas foram detidas – 17 delas eram reincidentes e duas tinham mandados de pris√£o em aberto. Apesar das apreens√Ķes, apenas um homem ficou preso, segundo a PM. Os outros foram liberados e voltaram √†s ruas, sem qualquer assist√™ncia.

No início da ação, a Polícia Militar montou um cerco, mas, ainda assim, muitos dependentes químicos conseguiram escapar. Eles deixaram para trás produtos, provavelmente obtidos em roubos, de acordo com os agentes, como dois celulares. As equipes também encontraram duas facas e um alicate.

Ao “RJTV”, da Rede Globo, o delegado Wellington Vieira, titular da 21¬™ DP (Bonsucesso), afirmou que o n√ļmero de roubos a motoristas e a passageiros de √īnibus √© grande naquela regi√£o. Ele pediu a ajuda da prefeitura para combater o problema.

– A prefeitura foi contatada e disse que n√£o poderia comparecer hoje (ontem), mas afirmou que numa data futura vai nos apoiar. √Č importante que a prefeitura aja aqui, at√© porque √© uma ocupa√ß√£o indevida, irregular e criminosa do espa√ßo p√ļblico. √Č uma situa√ß√£o vexaminosa, que traz perigo, inclusive, para essas pessoas (os usu√°rios de drogas) – falou o delegado √† reportagem, lembrando que os dependentes qu√≠micos se tornam agressivos ap√≥s o uso de entorpecentes.

Apesar da opera√ß√£o n√£o ter tido o apoio da Secretaria municipal de Assist√™ncia Social e Direitos Humanos, a pasta informou que “realiza um trabalho di√°rio de abordagem para acolhimento nessa regi√£o”. A prefeitura disse ainda que esteve presente no local nos tr√™s √ļltimos dias, quando abordou, no total, 55 homens, seis mulheres e um adolescente. Nenhum deles, por√©m, aceitou ir para abrigos.

“Diariamente, a equipe de abordagem do Centro de Refer√™ncia Especializado de Assist√™ncia Social vai aos mesmos locais, a fim de convencer o indiv√≠duo a aceitar o acolhimento, mas a ida ao abrigo n√£o √© compuls√≥ria”, disse a secretaria, em nota, ressaltando que o trabalho da pasta independe das a√ß√Ķes da PM, como a ocorrida ontem.

Embora as a√ß√Ķes na regi√£o sejam di√°rias, a prefeitura afirma que a proximidade com a comunidade Parque Uni√£o, onde h√° tr√°fico de drogas, torna o trabalho das equipes “incessante”.

 

Foto: Reprodução

Fonte: OGlobo

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