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O muro erguido para conter protestos do Dia da Mulher e que virou tributo às vítimas de feminicídio no México

Uma extensa cerca de metal ao redor do Pal√°cio Nacional do M√©xico, sede do Poder Executivo mexicano, gerou pol√™mica na v√©spera das manifesta√ß√Ķes do Dia Internacional da Mulher. A barreira, com cerca de 3 metros de altura, foi instalada para evitar provoca√ß√Ķes e ataques ao Pal√°cio Nacional, segundo o presidente mexicano, Andr√©s Manuel L√≥pez Obrador.

Para este 8 de março, protestos foram convocados no México contra a crescente violência de gênero e o feminicídio.

Grupos de mulheres foram até a barreira para escrever nomes das vítimas de feminicídio© Getty Grupos de mulheres foram até a barreira para escrever nomes das vítimas de feminicídio

Membros do governo federal chamaram a barreira de “muro da paz”, mas grupos feministas e opositores do presidente a consideraram um obst√°culo ao direito de protestar.

Para manifestar descontentamento, um grupo de mulheres transformou, no s√°bado (06/03) √† noite, o “muro da paz” no que agora chamam de “muro da mem√≥ria”.

Antes da intervenção das mulheres, a cerca instalada pelo governo era assim© Reuters Antes da intervenção das mulheres, a cerca instalada pelo governo era assim

Com letras brancas, as manifestantes escreveram os nomes de centenas de mulheres vítimas de femicídio.

“N√£o se esque√ßa desses nomes, Senhor Presidente”, postou no Twitter Las Brujas del Mar, um dos grupos feministas que apoia a iniciativa.

“N√£o h√° como silenciar as justas reivindica√ß√Ķes das mulheres, por mais que tentem”, acrescentaram.

A advogada feminista Patricia Olamendi, que trabalha com quest√Ķes de igualdade, publicou uma foto da cerca acompanhada da mensagem: “Eles t√™m tanto medo de n√≥s?”

Outras vozes também expressaram suas críticas por considerarem que o governo protege os edifícios históricos melhor do que protege as mulheres.

A cerca virou um símbolo para lembrar as vítimas de violência de gênero© EPA A cerca virou um símbolo para lembrar as vítimas de violência de gênero

‘N√£o sou machista’

O presidente López Obrador publicou no domingo um vídeo no qual responde às críticas relacionadas ao episódio.

“N√£o √© por medo das mulheres, √© por precau√ß√£o”, disse o presidente referindo-se √† instala√ß√£o. “N√£o sou contra o feminismo, sou contra a corrup√ß√£o, a manipula√ß√£o, o autoritarismo”, diz L√≥pez Obrador no v√≠deo.

“N√£o sou machista, sou a favor dos direitos das mulheres e sou a favor da igualdade”.

Presidente L√≥pez Obrador disse que muro 'n√£o √© por medo das mulheres, √© por precau√ß√£o'¬© Reuters¬†Presidente L√≥pez Obrador disse que muro ‘n√£o √© por medo das mulheres, √© por precau√ß√£o’

Al√©m disso, o presidente justificou a instala√ß√£o do muro argumentando que “√© melhor colocar uma cerca na frente das mulheres que v√£o protestar do que colocar policiais, como era antes”.

Barreiras semelhantes tamb√©m foram instaladas no entorno de outros pr√©dios emblem√°ticos da capital, como o Pal√°cio de Bellas Artes, onde concentra√ß√Ķes s√£o esperadas.

Violência de gênero no México

Durante seu governo, L√≥pez Obrador recebeu duras cr√≠ticas por suas declara√ß√Ķes sobre quest√Ķes de g√™nero.

O presidente disse que o movimento feminista no M√©xico √© manipulado. Algumas organiza√ß√Ķes o acusam que n√£o ser sens√≠vel √† viol√™ncia sofrida pelas mulheres.

Depois do Brasil, o M√©xico √© o segundo pa√≠s da Am√©rica Latina com mais crimes contra a mulher com base no g√™nero, segundo dados da Comiss√£o Econ√īmica para a Am√©rica Latina e o Caribe.

Nos √ļltimos anos, no M√©xico, os n√ļmeros de feminic√≠dios e viol√™ncia contra as mulheres t√™m aumentado, de acordo com a Ag√™ncia Efe. A situa√ß√£o √© agravada por um alto √≠ndice de impunidade para esses crimes.

O país fechou 2020 com 3.723 mortes violentas de mulheres, somando feminicídios e homicídios dolosos.

“Dizer que apenas um pouco mais de 900 desses casos foram classificados como feminic√≠dios, quando h√° milhares de homic√≠dios dolosos de mulheres, √© querer maquiar o dado”, disse Arussi Unda, porta-voz do coletivo feminista Las Brujas del Mar√ßo, em entrevista recente √† BBC Mundo, servi√ßo em espanhol da BBC.

Em 2020, o n√ļmero e a gravidade dos feminic√≠dios fizeram com que milhares de pessoas sa√≠ssem √†s ruas para protestar e exigir uma a√ß√£o real do governo contra esses crimes.

O Palácio de Belas Artes também foi cercado por uma barreira protetora© Getty O Palácio de Belas Artes também foi cercado por uma barreira protetora

Manifesta√ß√Ķes de 8 de Mar√ßo

Para este Dia Internacional da Mulher, em v√°rios pa√≠ses est√£o previstas manifesta√ß√Ķes, algumas delas em meio a restri√ß√Ķes devido √† pandemia do coronav√≠rus.

Na Am√©rica Latina, em pa√≠ses como Venezuela, Col√īmbia e Chile, s√£o esperados protestos contra a viol√™ncia contra as mulheres.

A cerca tem cerca de 3 metros de altura© EPA A cerca tem cerca de 3 metros de altura

No Brasil, até a manhã desta segunda (08/03), havia previsão de eventos virtuais para marcar a data.

Na Rep√ļblica Dominicana, dezenas de pessoas, a maioria mulheres, se manifestaram recentemente pedindo a descriminaliza√ß√£o do aborto nos casos em que a vida da crian√ßa ou da m√£e est√° em risco, quando a gravidez √© produto de estupro ou incesto, ou quando o feto n√£o tem chance de sobreviv√™ncia. No Equador, tamb√©m houve manifesta√ß√Ķes exigindo a√ß√Ķes do governo contra a viol√™ncia de g√™nero.

Em outros locais, como Madri, que foi palco de grandes manifesta√ß√Ķes em anos anteriores, as autoridades proibiram protestos e celebra√ß√Ķes neste ano, devido √† alta incid√™ncia do coronav√≠rus.

*Com informa√ß√Ķes da BBC News

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