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Ministro: “Prisões são controladas por gangues”

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, admitiu que o sistema prisional brasileiro, sobretudo o estadual, “está sob o controle de gangues criminosas”. Ele disse que vem acompanhando a crise na Colônia Agroindustrial de Regime Semiaberto, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana de Goiânia, pelos setores de inteligência do ministério, e descartou que a onda de violência se espalhe para outros presídios, como aconteceu no ano passado. Ele também negou que o governo federal tenha responsabilidade sob a penitenciária de Goiás.

“Pelo que está estabelecido na Constituição, o governo federal não tem nenhuma responsabilidade pelo presídio de Aparecida de Goiânia. A unidade em questão é 100% responsabilidade do estado. O governo federal tem cinco unidades de segurança máxima, e está inaugurando a sexta agora em Brasília. São presídios onde se encontram os grandes chefes de facção”, disse o ministro, acrescentando que, nas unidades federais, não entram armas nem drogas, como ocorre nas cadeias administradas pelos estados.

A declaração foi uma resposta ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que, depois do motim na Colônia Agroindustrial, disse que a questão penitenciária precisa de maior participação do governo federal e que os recursos destinados ao setor estariam estagnados para gerar superávit fiscal. Segundo Jungmann, as Forças Armadas fizeram 33 vistorias em 31 unidades prisionais de sete estados. Foi constatado que a cada dois presos, um está armado. O ministro destacou que isso acaba maximizando a violência, quando acontecem rebeliões:

“Encontramos chips, drogas, celulares, armas, rádio-base, freezer, geladeira, televisor, enfim, o sistema prisional, que deveria ser algo de controle estrito do estado, de isolamento, segregação, infelizmente está sobre o controle das gangues. Aliás, as grandes gangues brasileiras surgiram dentro do sistema prisional. Esse resultado é a crônica do desastre anunciado, que infelizmente ciclicamente se repete”.

A crise no presídio de Aparecida de Goiânia começou no primeiro dia do ano, quando nove detentos morreram e quase cem escaparam após uma rebelião. Jungmann lembrou ainda que, pelo Plano Nacional de Segurança, o presidente Michel Temer disponibilizou R$ 2 bilhões para construção de presídios e penitenciárias e também para o equipamento dessas unidades, com o objetivo de ajudar os estados.

“O dinheiro está disponível para quem quiser pegá-lo no Ministério da Justiça, desde que satisfaça às regulamentações e normas que têm que ser observadas”, ressaltou.

 

Fonte: CBN

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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