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 - REVISTA MAISJR

(Crédito: Agência Brasil)

 

A Força Tarefa da Operação Lava Jato, em São Paulo, denunciou o ex-presidente da República Michel Temer pelo crime de lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, Temer, com o auxílio de seu amigo João Baptista Lima Filho (o coronel Lima) e de Maria Rita Fratezi (esposa do coronel), teria pago em espécie, com dinheiro de corrupção, a reforma da casa de sua filha Maristela Temer, no bairro nobre de Alto de Pinheiros, na zona oeste da Capital.

De acordo com a denúncia, o dinheiro utilizado na reforma da casa da filha do ex-presidente, que custou R$ 1,6 milhão, seria fruto de pagamento de propinas e desvios nas obras da Usina Nuclear de Angra 3, em Angra dos Reis (RJ) – objeto de denúncia da Lava Jato no Rio de Janeiro no último dia 29, relativa à Operação Descontaminação.

Segundo a FT Lava Jato SP, a acusação de lavagem de dinheiro  é agravada, pelo fato de a reforma ter sido paga com dinheiro de crimes praticados por organização criminosa, cuja formação e atividades foram detalhadas na denúncia do Quadrilhão do PMDB, oferecida pela Procuradoria-Geral da República em 2017 e ampliada pelo MPF no Distrito Federal em abril do ano passado.

Segundo a denúncia, o “Quadrilhão do MDB” teria arrecadado propina da empresa Engevix para que esta assumisse as obras de engenharia de Angra 3, por meio da AF Consult Brasil (criada com consultoria de Lima), e desviado quase R$ 11 milhões em recursos públicos destinados às obras da usina termonuclear, sendo R$ 10 milhões à Argeplan e R$ 1,1 milhão à PDA (outras empresas de Lima).

Para a FT da Lava Jato em São Paulo, a Argeplan era uma empresa “dedicada a administrar os recursos ilícitos obtidos por Michel Temer, seja operando esquemas de lavagem, seja servindo como local de entregas de propina em dinheiro vivo.”

De acordo com a denúncia do MPF, o dinheiro ilícito foi transformado em pagamento para os serviços de reforma residencial prestados à filha de Temer. As investigações apuraram compras realizadas em nome de Maria Rita Fratezi, uso do e-mail da Argeplan em recibos de pagamentos de materiais e de serviços para a obra, uso de funcionários da empresa do coronel, intermediações de compras e serviços pelo próprio Lima e até mesmo mensagens de whatsapp, para tratar de pagamentos referentes à obra, entre Maristela e Maria Rita.

A denúncia apresentada reúne recibos, documentos e trocas de mensagens que demonstram o alegado pela FT da Lava Jato em São Paulo. Caso a denúncia seja recebida e Temer e os demais acusados venham a ser condenados, a pena para o crime de lavagem de dinheiro é de 3 a 10 anos de prisão.