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Crises impedem pa√≠s de rever 3,7 milh√Ķes de perdas de assalariados

As sucessivas crises econ√īmicas ocorridas no Brasil desde 2014 impediram o pa√≠s de recuperar as mais de 3,752 milh√Ķes de perdas registradas no pessoal ocupado assalariado em 2015 e 2016, revela pesquisa do Cadastro Central de Empresas (Cempre), divulgada hoje (26), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠stica (IBGE).

A crise iniciada em 2014 reduziu tamb√©m o total de empresas e outras organiza√ß√Ķes formais ativas, que totalizaram 5.029.109 em 2017, remetendo ao patamar do in√≠cio da d√©cada de 2010, quando havia 5.128.568 empresas e organiza√ß√Ķes.

Para a¬†Ag√™ncia Brasil, a analista da pesquisa do Cempre, Denise Guichard Freire, observou que “desde a crise de 2014, o pa√≠s ainda n√£o conseguiu se recuperar. O Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os produtos e servi√ßos produzidos) cresceu 1% em 2017, mas n√£o foi suficiente para recuperar as perdas de 2015 e 2016. √Č preciso ainda um crescimento econ√īmico sustentado por algum tempo para poder recuperar os n√≠veis de 2013, que teve mais empresas, cerca de 5,4 milh√Ķes”.

Ela avaliou que o total do pessoal ocupado assalariado (45.070.312) melhorou em 2017 em relação ao ano anterior (44.519.619), mas se apresentou menor que o de 2011 (45.184.019). Na série histórica de 2007 a 2017, o maior contingente de pessoal ocupado assalariado foi observado em 2014 (48.271.711. Houve recuperação de 550.693 assalariados em 2017, mas esse resultado é insuficiente diante das perdas dos dois anos anteriores.

Estatísticas

Tomando-se por base o ano de 2007, quando teve in√≠cio a divulga√ß√£o da s√©rie atual das estat√≠sticas do Cempre, o n√ļmero de empresas e organiza√ß√Ķes formais brasileiras subiu de 4.420.345 para 5.029.109 em 2017, mostrando saldo l√≠quido de 608,8 mil organiza√ß√Ķes.

O crescimento foi de 13,8%. Nessa década, o pessoal ocupado e os assalariados subiram 21,8% e 22,9%, respectivamente, passando de 42.641.175 para 51.939.251 e de 36.658.326 para 45.070.312.

O valor total dos sal√°rios e outras remunera√ß√Ķes aumentou 54,9% em termos reais, isto √©, descontada a infla√ß√£o do per√≠odo, subindo de R$ 1,1 trilh√£o para R$ 1,7 trilh√£o.

Do mesmo modo, houve expansão de 23,1% no salário médio mensal, que passou de R$ 2.314,08 para R$ 2.848,77. Em termos de salários mínimos, houve perda de 11,8%: de 3,4 para 3 salários mínimos de 2017 em relação a 2007.

Sexo e escolaridade

Na s√©rie hist√≥rica do Cempre iniciada em 2009, primeiro ano da an√°lise de informa√ß√Ķes sobre o pessoal ocupado assalariado, de acordo com o sexo e o n√≠vel de escolaridade, observou-se redu√ß√£o da diferen√ßa salarial entre homens e mulheres de 25% para 20,7%.

Denise Guichard Freire analisou que isso ocorreu devido à melhoria da participação da mulher em empresas formais, que era de 41,9% em 2009 e subiu para 44,6%, enquanto a participação masculina caiu de 58,1% para 55,4%, na mesma base de comparação.

Do mesmo modo, aumentou em 6,1 pontos percentuais a participação das pessoas ocupadas assalariadas com nível superior, passando de 16,5% em 2009 para 22,6%, enquanto o pessoal ocupado sem nível superior de escolaridade retrocedeu de 83,5% para 77,4%.

A pesquisa registra, ainda, crescimento de 12,1% no pessoal ocupado assalariado total de 2009 para 2017; e de 6,8% no pessoal assalariado do sexo masculino e de 19,4% entre as mulheres, “quase o triplo dos homens”.

Do saldo de 4,9 milh√Ķes de novos postos de trabalho assalariados no per√≠odo, 3,3 milh√Ķes (67,3%) foram ocupados por mulheres, e 1,6 milh√£o (32,7%) por homens.

Nível de escolaridade

Olhando pelo nível de escolaridade, o pessoal assalariado sem nível superior cresceu 3,8%. Entre os empregados assalariados com nível superior de escolaridade, o aumento observado atingiu 53,8%.

De acordo com a pesquisa, do saldo de 4,9 milh√Ķes de novos postos assalariados, 3,6 milh√Ķes (73,6%) foram ocupados por pessoas com n√≠vel superior e 1,3 milh√£o (26,4%) por pessoas sem n√≠vel superior.

Assim, a participação relativa do pessoal assalariado com nível superior completo cresceu 6,1 pontos percentuais entre 2009 e 2017, indo de 16,5% para 22,6%.

“A gente observa que a participa√ß√£o tanto das mulheres como dos homens com n√≠vel superior completo vem aumentando ao longo desse per√≠odo. Em todos os anos houve aumento do assalariado com n√≠vel superior. At√© nos anos de crise, o pessoal assalariado com escolaridade completa aumentou, pouco mas aumentou. Quer dizer, a redu√ß√£o foi no pessoal assalariado sem n√≠vel superior”, salientou a analista da pesquisa do Cempre. “Est√£o conseguindo se manter no mercado de trabalho”, completou.

A distribui√ß√£o percentual do pessoal ocupado assalariado caiu 2,8% na Regi√£o Sudeste entre 2007 e 2017 (de 52,1% para 49,3%). Nas demais regi√Ķes, houve incremento de 0,6% (Norte), 1,1% (Nordeste), 0,2% (Sul) e 1% (Centro-Oeste).

 Credito: Agência Brasil