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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados que investiga esquemas de pirâmide financeira com criptoativos aprovou a solicitação para a quebra de sigilo bancário do ator Cauã Reymond, da apresentadora Tatá Werneck e do jornalista Marcelo Tas por terem feito propaganda para a Atlas Quantum, empresa acusada de aplicar um golpe de R$ 7 bilhões em cerca de 200 mil investidores.

O pedido foi aprovado numa sessão em que outros 25 requerimentos foram analisados, entre convites, convocações e quebras de sigilo. A maioria foi aprovado em votação simbólica e sem discussão, mas o dos artistas gerou bate-boca e troca de acusações entre os parlamentares.

Os três famosos foram convocados a comparecer à CPI para esclarecerem a propaganda, mas faltaram com permissão do Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) questionou a quebra de sigilo em resposta à ausência deles e disse que votaria contra o requerimento. “A CPI deveria pedir primeiro que os advogados encaminhassem os contratos”, sugeriu.

Cauã Reymond e Tatá Werneck — Foto: Divulgação

Cauã Reymond e Tatá Werneck — Foto: Divulgação

O deputado Áureo Ribeiro (SDD-RJ), presidente da CPI, rebateu argumentando que eles foram chamados e não quiseram dar explicações públicas sobre o caso. “Todos devem ser tratados de forma igual, não importa se são celebridades ou artistas”, disse.

Braga protestou contra o discurso e disse que usaria os instrumentos do regimento da Câmara para obstruir a sessão, quando Áureo sugeriu adiar o requerimento para votar as demais quebras de sigilo antes. “Mas só para entender, o senhor está contra as outras quebras de sigilo ou quer blindar só a Tatá Werneck?”, questionou, em tom de ironia.

O deputado do Psol se revoltou e disse que não era ele que se utilizava do Parlamento para “obter vantagens” ao blindar pessoas. Sugeriu ainda que fossem quebrados o próprio sigilo bancário e o do presidente da CPI e divulgados. “Sabe o que vai acontecer? Eu vou me sustentar e continuar aqui de cabeça erguida, e o senhor não vai”, acusou.

Áureo mudou de ideia, submeteu o requerimento à votação e foi aprovado apenas com o voto contrário de Braga. Após isso, o presidente da comissão buscou contemporizar e afirmou que, apesar das discordâncias, o respeito tem que prevalecer. “Entendo que posso ter me expressado mal, como vossa excelência também pode ter se expressado mal”, disse Áureo. “Não tem ironia. Já pedi desculpa a vossa excelência”, reforçou ele.

A CPI também quebrou os sigilos bancário da Atlas Quantum, que contratou os artistas e lesou as pessoas ao dar calote em seus investimentos.

Ainda foi aprovada a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e de dados da empresa MSK Invest e de quatro pessoas ligadas a ela: Glaidson Tadeu Rosa, Saulo Gonçalves Roque, Fernando Fernandes Gomes e Carlos Eduardo de Lucas.

Foram convocadas pessoas que representam as empresas ou que prestarão depoimento na condição de testemunhas contra as empresas LBLV, VLOM, MSK Operações e Investimentos, Rental Coins, Trust Investing, Midas Trend, RCX Group e GAS.

Também há testemunhas para deporem contra Francisley Valdevino da Silva, o “Sheik dos Bitcoins”.

Também foi convocado o ex-deputado estadual Arthur do Val, conhecido como “Mamãefalei”, por ter gravado um vídeo em 2018 elogiando a empresa Atlas Quantum.

*Por Valor PRO