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Vendedores ambulantes voltam às ruas na China

Em meio √† crise econ√īmi¬≠ca, os vende¬≠dores ambu¬≠lantes retornaram √†s ruas das cidades chi¬≠ne¬≠sas incen¬≠ti¬≠va¬≠dos pelas autori¬≠dades, emb¬≠o¬≠ra a pol√≠¬≠cia con¬≠tin¬≠ue a difi¬≠cul¬≠tar suas vidas.

Vendedor ambulante vende roupa usada em rua de Pequim, em 10 de junho de 2020¬© NOEL CELIS Vende¬≠dor ambu¬≠lante vende roupa usa¬≠da em rua de Pequim, em 10 de jun¬≠ho de 2020

A Chi¬≠na, o primeiro pa√≠s atingi¬≠do pelo novo coro¬≠n¬≠av√≠rus, est√° se recu¬≠peran¬≠do grad¬≠ual¬≠mente da pan¬≠demia que afun¬≠dou a econo¬≠mia e deixou mil¬≠h√Ķes de tra¬≠bal¬≠hadores desem¬≠pre¬≠ga¬≠dos.

Homem vende brinquedos em Pequim, em 10 de junho de 2020¬© GREG BAKER Homem vende brin¬≠que¬≠dos em Pequim, em 10 de jun¬≠ho de 2020

Para sobre¬≠viv¬≠er, os mais vul¬≠ner√°veis prop√Ķem comi¬≠da, roupas, brin¬≠que¬≠dos ou at√© coel¬≠hos vivos nas ruas. Como Wang Zhipin, de 72 anos, insta¬≠l¬≠a¬≠do em uma pas¬≠sagem sub¬≠ter¬≠r√Ęnea de Pequim, procu¬≠ran¬≠do deses¬≠per¬≠ada¬≠mente clientes para suas meias.

‚ÄúOs neg√≥¬≠cios n√£o est√£o bons‚ÄĚ, lamen¬≠ta esse idoso da prov√≠n¬≠cia cen¬≠tral de Henan, que tra¬≠bal¬≠ha¬≠va com limpeza.

‚ÄúN√£o ten¬≠ho out¬≠ra ren¬≠da e min¬≠ha sa√ļde est√° ruim e n√£o pos¬≠so con¬≠tin¬≠uar limpan¬≠do o ch√£o‚ÄĚ, expli¬≠ca ele √† AFP.

O primeiro-min­istro Li Keqiang elo­giou em um dis­cur­so no mês pas­sa­do os vende­dores ambu­lantes que per­mi­ti­ram, segun­do ele, a cri­ação de 100.000 empre­gos em uma grande metró­pole no sudoeste, enquan­to o país enfrenta uma explosão de desem­prego.

‚ÄúA econo¬≠mia de rua e os pequenos com√©r¬≠cios s√£o impor¬≠tantes fontes de emprego (‚Ķ) e s√£o t√£o vitais para a Chi¬≠na quan¬≠to as lojas de luxo‚ÄĚ, disse ele.

As declar¬≠a√ß√Ķes de Li foram inter¬≠pre¬≠tadas como um sinal verde para o retorno das bar¬≠ra¬≠cas de rua, proibidas nas grandes cidades em nome da mod¬≠ernidade e da con¬≠cor¬≠r√™n¬≠cia nos shop¬≠pings.

Mas muitos vende­dores ambu­lantes enfrentam o zelo da polí­cia que lev­ou anos para tirá-los das ruas, às vezes com vio­lên­cia.

‚ÄúCome¬≠cei a vender crepes esta sem¬≠ana, mas eles j√° me expul¬≠saram qua¬≠tro vezes‚ÄĚ, diz uma mul¬≠her que pref¬≠ere n√£o rev¬≠e¬≠lar seu nome, em um bair¬≠ro no leste de Pequim.

O primeiro-min¬≠istro ‚Äú√© um alto fun¬≠cion√°rio comu¬≠nista. Por que a pol√≠¬≠cia seria con¬≠tra esse dese¬≠jo do Par¬≠tido Comu¬≠nista?‚ÄĚ, per¬≠gun¬≠ta.

A impren¬≠sa tam¬≠b√©m √© con¬≠tra. O Bei¬≠jing Dai¬≠ly ata¬≠cou as bar¬≠ra¬≠cas de rua que ‚Äún√£o est√£o adap¬≠tadas‚ÄĚ √† cap¬≠i¬≠tal, onde mil¬≠hares de pequenos neg√≥¬≠cios desa¬≠pare¬≠ce¬≠r¬≠am nos √ļlti¬≠mos anos.

Fora de Pequim, algu¬≠mas cidades e cap¬≠i¬≠tais provin¬≠ci¬≠ais dimin¬≠u√≠ram as restri√ß√Ķes.

Os anal­is­tas temem que os vende­dores ambu­lantes não sejam sufi­cientes para relançar a segun­da econo­mia do mun­do.

A taxa ofi¬≠cial de desem¬≠prego √© de 6%, mas esse n√ļmero exclui cen¬≠te¬≠nas de mil¬≠hares de tra¬≠bal¬≠hadores migrantes, orig¬≠in√°rios dos cam¬≠pos e os mais afe¬≠ta¬≠dos pela pan¬≠demia.

Segun¬≠do o primeiro-min¬≠istro, 600 mil¬≠h√Ķes de pes¬≠soas, cer¬≠ca de metade da pop¬≠u¬≠la√ß√£o, gan¬≠ham menos de 1.000 yuanes por m√™s (menos de 124 euros, 143 d√≥lares).

Essa situ¬≠a√ß√£o, que pode amea√ßar a sacrossan¬≠ta ‚Äúesta¬≠bil¬≠i¬≠dade social‚ÄĚ, tam¬≠b√©m colo¬≠ca em risco a promes¬≠sa do pres¬≠i¬≠dente Xi Jin¬≠ping de erradicar a pobreza extrema at√© 2020.

Em per√≠o¬≠do de desacel¬≠er¬≠a√ß√£o, ‚Äúsuavizar as restri√ß√Ķes per¬≠mite que os desem¬≠pre¬≠ga¬≠dos obten¬≠ham uma ren¬≠da‚ÄĚ, diz Albert Park, pro¬≠fes¬≠sor de econo¬≠mia da Uni¬≠ver¬≠si¬≠dade de Ci√™n¬≠cia e Tec¬≠nolo¬≠gia de Hong Kong.

Mas prej­u­di­ca os negó­cios tradi­cionais e não estim­u­la o con­sumo, aler­ta.

*Com infor¬≠ma√ß√Ķes da AFP

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