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No RJ, operação Segurança Presente corre risco de ser suspensa

A Operação Segurança Presente, que corre risco de ser suspensa por falta de financiamento, prendeu quase sete mil suspeitos na Lagoa, no Aterro, no Méier e no Centro, desde dezembro de 2015, quando foi criada. O projeto ajudou ainda a conter os números da violência. Na Lagoa, por exemplo, de junho a outubro de 2017, não houve assalto a turista ou a ciclista. O número de roubos a pedestres, em ônibus e de celular também caiu em 34%, segundo indicadores estratégicos de criminalidade, medidos pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) da Secretaria de Segurança.

Numa parceria com o governo do estado e a prefeitura (esta apenas no Centro), a Fecomércio investiu R$ 44 milhões na Segurança Presente nos últimos dois anos. A operação envolve 900 policiais nas quatro regiões. Até a última sexta-feira, a Segurança Presente já havia registrado 6.045 prisões em flagrante, além da captura de 941 foragidos da Justiça. Só na Lagoa, 728 suspeitos foram detidos e 38 foragidos, levados para a delegacia.

O risco de a entidade suspender o apoio ao projeto foi divulgado na coluna de Ancelmo Gois, no GLOBO. A decisão caberá a Luiz Gastão Bittencourt, que assumiu, como interventor, o comando do Sesc/Senac do Rio (que faz parte do Sistema Fecomércio) em dezembro. Sob suspeita de irregularidades administrativas, a direção da entidade no Rio foi afastada por decisão da Justiça a pedido da Confederação Nacional do Comércio.

Anteontem, Bittencourt informou que ainda não há uma decisão sobre a questão:

— Acabei de assumir, e o momento é de estudar com profundidade os programas que estão sendo executados e também aqueles que foram reduzidos ou cortados. Não é hora de falar em cortar programas. É hora de falar em restaurar os serviços do Sesc e do Senac para os fluminenses e de ampliar aqueles que forem possíveis.

Uma auditoria feita pela própria entidade mostrou que o convênio para reforçar a segurança foge aos “fins institucionais do Senac/RJ por se tratar da destinação de recursos para a segurança pública do Rio e não à geração da empregabilidade por meio da educação profissional”. Ainda segundo os auditores, o convênio tem características que “refletem a criação de um processo de milícia, por tratar-se de parceria entre uma instituição privada e um ente público, oficializando a criação de uma organização paramilitar”.

Para o antropólogo Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a comparação com milícia “é absurda”:

— Milícia é uma atividade criminosa. E a Segurança Presente é uma parceria da Fecomércio com o governo do estado. As forças policiais sempre souberam das atividades, que tiveram um impacto positivo na vida do carioca. Não considero que haja relação entre a operação e a milícia. Não sei se tem conotação política, de tão absurda que é.

Segundo o estado, não há risco de o projeto terminar agora. A Secretaria de Governo informou que o projeto no Centro foi renovado em 1º de julho por mais um ano. O mesmo ocorreu em dezembro, para Lagoa, Méier e Aterro.

Diante da preocupação com a segurança no Rio, a possibilidade do fim do projeto assustou moradores das quatro regiões.

— A notícia é um horror. O projeto é bom, funciona e aponta para um novo modelo de segurança pública. Tem que continuar. Sei que há críticos, mas onde o projeto foi implantado ninguém quer que ele saia — afirmou Evelyn Rosenzweig, da Associação de Moradores do Leblon, que planeja implantar programa semelhante em seu bairro, financiado pela população e por empresários.

Também favorável ao projeto, o presidente da Associação de Moradores do Méier, Jorge Barata, disse que os moradores já fizeram um abaixo-assinado pedindo sua ampliação:

— Queremos que mais ruas sejam atendidas e que o horário seja estendido. Atualmente, o policiamento é das 7h às 22h. Queremos 24 horas.

Tranquilidade nas ruas

Áurea Guimarães, moradora da Lagoa e integrante da associação de moradores do bairro, ficou surpresa com a notícia:

— É muito ruim. O Lagoa Presente trouxe uma tranquilidade enorme. Não só para os moradores, mas para quem vem de ônibus com a família passear. A Lagoa é uma espécie de parque. Tem gente que faz piquenique. E, com o reforço no policiamento, todos ficam tranquilos.

Para Felipe Oliveira, responsável pela recreação do Parque dos Patins, a operação impulsionou seu negócio.

— Só tenho a agradecer a esta iniciativa. As famílias voltaram a frequentar a Lagoa com seus filhos, e isso trouxe de volta o nosso ganha-pão.

Fonte: Jornal O Globo

Foto: Divulgação

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