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5 funções fisiológicas que a pele perde mais rápido com o envelhecimento precoce

A pele é o maior órgão do corpo humano e, por estar em contato direto com o meio ambiente, é constantemente bombardeada com agressões externas que fragilizam o tecido cutâneo e aceleram o envelhecimento precoce. “Sete desses marcadores do envelhecimento têm intensa relação com as manchas, rugas, flacidez, mas também estão ligados ao enfraquecimento das funções fisiológicas da pele. São eles: sol, açúcar, estresse, sono, cuidados com a pele, tabagismo e o próprio envelhecimento molecular biológico”, diz a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. Esses agressores são responsáveis não somente pelo envelhecimento visível (aparecimento de manchas, rugas e flacidez) como também pela aceleração do declínio de cinco funções fisiológicas da pele: termorregulação, proteção, amortecimento, lubrificação e elasticidade.

Termorregulação – A pele faz parte do sistema tegumentar, que dentre suas funções está a de regular a temperatura do corpo. Como também é um órgão excretor, a pele secreta suor para promover termorregulação. Dessa forma, o estímulo das glândulas sudoríparas ao secretar suor irá resfriar a pele conforme a temperatura normal do corpo. Por outro lado, a pele contrai o sistema vascular na derme para conservar o calor. “No entanto, com a diminuição das glândulas sudoríparas decorrentes do processo de envelhecimento e conjuntamente à perda de gordura no tecido subcutâneo, há um efeito de dificuldade de adequar a temperatura corporal com o passar dos anos (e a sequência das agressões)”, explica a dermatologista.

Proteção a agentes do meio ambiente – A epiderme é essencialmente constituída por uma célula principal, o queratinócito, responsável pela produção de queratina. “A queratina devido à sua resistência e impermeabilidade é a responsável pela proteção da pele. Existem também na pele outras células, os melanócitos, que são responsáveis pela produção de melanina., que tem como principal função a proteção da pele, por meio de produção de pigmento. A epiderme possui ainda células responsáveis pela imunidade: as células de Langerhans”, explica. “Mas com o afinamento da pele, a diminuição das células de defesa e da vascularização, decorrentes das constantes agressões, principalmente dos marcadores do envelhecimento, há um enfraquecimento dessa capacidade de proteção e um risco maior de aumento de infecções”, comenta a médica.

Amortecimento – As células adiposas formam o tecido subcutâneo localizado abaixo da derme reticular e também são responsáveis por formar uma camada de defesa, uma espécie de almofada que age como um amortecedor, protegendo o tecido muscular. “Além disso, a gordura forma um tecido altamente doador de fatores de crescimento, e também tem, dermatologicamente, a questão de ser um reservatório de calor, em relação à proteção dos órgãos que estão abaixo dela, como o músculo e os órgãos da cavidade, mantendo o calor internamente”, explica a médica. “Com a perda do coxim gorduroso e diminuição da vascularização, resultantes do processo natural de envelhecimento e dos agentes externos, há uma diminuição nesse efeito amortecedor”, diz a médica.

Lubrificação – O manto hidrolipídico, formado por uma camada de óleo e água, lubrifica a pele e os pelos. “Essa camada de sebo e suor torna a pele mais resistente às infecções. Os fungos ou bactérias presentes no ar têm mais dificuldade de penetrar na pele e causar doenças. Da mesma forma, essa lubrificação e hidratação natural da pele é um reforço contra as ações danosas dos agentes externos como poluição, fumaça, vento e radiação solar”, diz a médica. Mas a falta de hidratação da pele, somado a esses agressores, ajudam a diminuir o trabalho das glândulas sebáceas. Como consequência, a pele fica mais seca, favorecendo também o aparecimento de rugas e flacidez, além de facilitar a entrada para organismos patológicos.

Elasticidade – A capacidade elástica permite que a pele volte ao normal após ser esticada. “Já as fibras colágenas conferem maior resistência à pele, formando uma rede que sustenta outras estruturas, como os anexos cutâneos: pelos, unhas, glândulas sebáceas e sudoríparas”, explica a médica. Essas duas proteínas de sustentação, colágeno e elastina, são responsáveis pela firmeza da pele e estão envolvidas fortemente no processo cicatricial da pele. Com o envelhecimento biológico, e principalmente pelo fotoenvelhecimento causado pela radiação UVA, UVB, Infrared e Luz visível, ocorre um dano que culmina na perda da capacidade elástica da pele. “A ação dos raios InfraRed é suficiente para atingir a derme mais profunda — a derme reticular — onde estão as fibras de ancoragem e sustentação da pele. E isso provoca um dano muito importante, com menor elasticidade e uma piora no aspecto geral com a destruição do arquétipo da pele. Além de um maior potencial de cancerização.” É por esse motivo que surgem as rugas e flacidez.

Cuidados
De acordo com a médica, para preservar o funcionamento celular e permitir que as funções da pele sejam exercidas com eficácia, é necessário seguir uma rotina de cuidados com a pele e ter hábitos saudáveis – estima-se que 80% do envelhecimento é relacionado ao estilo de vida e o resto tem a ver com a genética. “Por isso, é necessário dormir de sete a oito horas por noite, seguir dieta magra rica em proteína, muita água para se manter hidratado de dentro para fora e, como muitas vezes percebemos dificuldades do organismo de algumas pessoas em absorver todos os nutrientes que consomem, indicamos suplementos com Vitamina C e Vitamina E (ambas com maior respaldo científico) e antioxidantes primários entre eles a superóxido dismutase (Glisodin), além de Vitamina D. Outros antioxidantes e nutrientes importantes como Resveratrol, Exsynutriment, Bio-Arct, FC Oral, Glycoxil, peptídeos, aminoácidos e biotina também devem ser usados dependendo da necessidade do paciente.” Nos cuidados com a pele, a dermatologista lembra que os fotoprotetores e os antioxidantes são altamente necessários nas fórmulas tópicas, uma vez que impedem ou revertem os danos ao DNA celular promovido pelo sol. “Da mesma forma, devemos lembrar de todo o ritual de beleza diariamente. A limpeza, tonificação, hidratação e fotoproteção devem ser feitas rotineiramente e sempre com orientação dermatológica para a escolha dos melhores ativos e veículos para a necessidade do paciente”, finaliza.

Fonte: Dra. Claudia Marçal
Dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, com especialização pela Associação Médica Brasileira (AMB), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD), CME (Continuing Medical Education) na Harvard Medical School.

Foto: Pixabay

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