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política

Aliados de Bolsonaro avaliam viabilidade de aprovar reforma da Previdência

A coordena√ß√£o pol√≠tica do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), prepara uma for√ßa-tarefa para descentralizar as articula√ß√Ķes com o Congresso Nacional e construir o apoio para a vota√ß√£o de pautas e reformas priorit√°rias, como a da Previd√™ncia. N√£o √© para menos. H√° parlamentares da base e correligion√°rios do pesselista que n√£o est√£o plenamente convencidos sobre o tema. Para isso, a futura Casa Civil da Presid√™ncia da Rep√ļblica aposta em uma interlocu√ß√£o regionalizada que ficar√° a cargo de duas secretarias comandadas pelos deputados federais Carlos Manato (PSL-ES) e Leonardo Quint√£o (MDB-MG).

O texto da reforma da Previd√™ncia que √© gestado pela equipe econ√īmica do governo de transi√ß√£o divide parlamentares. Alguns est√£o mais alinhados com a coordena√ß√£o chefiada pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, e cobram um texto que n√£o favore√ßa categorias espec√≠ficas. Outros, sobretudo os mais ligados √†s carreiras p√ļblicas na √°rea da seguran√ßa, defendem um ajuste nas regras de aposentadoria mais ‚Äúlight‚ÄĚ, que exclua militares, policiais militares e bombeiros.

A chamada base consistente de Bolsonaro, de parlamentares eleitos na esteira do discurso do presidente eleito, conta com 35 congressistas, sendo 30 deputados e cinco senadores, calcula a Queiroz Assessoria Parlamentar e Sindical. Desses, s√£o 12 policiais militares, cinco militares, dois agentes da Pol√≠cia Federal e um bombeiro. O deputado eleito Junior Bozzella (PSL-SP) reconhece que a reforma da Previd√™ncia precisar√° ser alinhada internamente. ‚ÄúN√£o d√° para mandar qualquer texto se tem resist√™ncia dentro do pr√≥prio governo e da base‚ÄĚ, ponderou.

O próprio presidente eleito defende uma reforma que seja possível de ser aprovada. Para chegar ao texto ideal e ter uma base capaz de aprovar outras matérias, Manato começou a montar um time de deputados que não conseguiram a reeleição para auxiliá-lo no processo de diálogo com o Congresso. Até o momento, quatro foram escolhidos: Walter Ihoshi (PSD-SP), Laudivio Carvalho (Podemos-MG), Fabio Sousa (PSDB-GO) e Danilo Forte (PSDB-CE).

Outros tr√™s ainda podem ser selecionados. A ideia de Manato √© trabalhar com uma equipe de cinco a sete deputados que acompanhar√£o as vota√ß√Ķes e dialogar√£o com as bancadas partid√°rias, estaduais, regionais e frentes tem√°ticas. ‚ÄúTodos s√£o indica√ß√Ķes pessoais e n√£o partid√°rias. Estamos construindo uma rela√ß√£o de parceria sem o ‚Äútoma l√° da c√°‚ÄĚ, afirmou.

O modelo de regionaliza√ß√£o tem por objetivo facilitar o di√°logo sem ‚Äútratorar‚ÄĚ. Dessa maneira, Forte fica respons√°vel pelo Nordeste, Sousa por Goi√°s, e Ihoshi e Carvalho pelo Sudeste. O padr√£o de articula√ß√£o √© bem avaliado pelo deputado Celso Russomanno (PRB-SP), l√≠der da legenda na C√Ęmara. ‚Äú√Č uma forma mais f√°cil de orienta√ß√£o e convencimento das bases. E pode ajudar no processo de aprova√ß√£o do enxugamento da m√°quina p√ļblica e da reforma da Previd√™ncia‚ÄĚ, ponderou.

Demandas

A proposta de regionalizar a articula√ß√£o pol√≠tica tamb√©m pode ajudar no encaminhamento de demandas junto aos minist√©rios, admite o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), primeiro vice-l√≠der do partido na C√Ęmara. Mas acredita que, por si s√≥, o modelo n√£o se resolve. ‚ÄúVai ser preciso clarear o relacionamento da coordena√ß√£o pol√≠tica com os partidos. Ser√° preciso conversar com os presidentes e l√≠deres em algum momento. Ou √© uma l√≥gica regionalizada, ou partid√°ria. N√£o se governa se n√£o tem base s√≥lida. E a base do governo eleito ainda n√£o me parece t√£o s√≥lida‚ÄĚ, alertou.

A ideia do governo √© boa, mas √© preciso que os interlocutores tenham credibilidade e autonomia para desempenhar o papel, adverte o deputado e senador eleito Izalci Lucas (PSDB-DF). ‚ÄúA intermedia√ß√£o fica vulner√°vel quando n√£o tem poder‚ÄĚ, ponderou. Outra observa√ß√£o do parlamentar √© a aus√™ncia de senadores na estrutura do governo de transi√ß√£o. A secretaria que ser√° chefiada por Quint√£o, um deputado, cuidar√° da articula√ß√£o com o Senado. ‚ÄúAcho que o Quint√£o √© bastante articulado, mas poderia ser um senador fazendo esse papel. N√£o h√° ningu√©m da Casa ocupando um minist√©rio e, com certeza, a cobran√ßa deve vir em algum momento‚ÄĚ, ponderou. Segundo Manato, a pasta do emedebista deve contar com senadores.

Fonte: Correio Braziliense

Foto: Divulgação