arte & cultura

‘Tebas Land’ chega a São Paulo

Depois de três temporadas de sucesso no Rio de Janeiro, Tebas Land, do autor uruguaio Sergio Blanco, chega a São Paulo, para curta temporada, no Sesc 24 de Maio, de 21 de junho a 21 de julho. Inspirado no mito do Édipo e na vida de São Martinho de Tours, santo europeu do século IV, o espetáculo expõe, com razão e emoção, a instigante relação entre um jovem parricida e um dramaturgo interessado em escrever a história de seu crime. A peça venceu os prêmios Shell RJ de Melhor Ator (Otto Jr.) e Botequim Cultural de Melhor Espetáculo, Melhor Direção e Melhor Ator (Robson Torinni). Também foi indicado ao Botequim Cultural de Melhor Ator (Otto Jr.) e Cesgranrio de Melhor Direção e Melhor Ator (Robson Torinni).

Dirigido por Victor Garcia Peralta, o espetáculo conta com um cenário que reproduz uma quadra de basquete da prisão, onde ocorrem os encontros quase documentais entre esses dois personagens, duas pessoas de mundos completamente distintos. Começa, então, uma peça dentro da peça, com o ator Robson Torinni na pele do jovem assassino e do ator quer o representa. O elenco também conta com Otto Jr. no papel do dramaturgo. Com esse jogo de metalinguagem, a peça pode ser considerada uma reflexão sobre construção da dramaturgia, o universo teatral e os limites entre ficção e realidade.

“O texto nos cativou pelos dois diferentes planos, razão e emoção, e pelo processo criativo imbuído neles, em que a dramaturgia é construída durante a ação da peça, oscilando, quase que paralelamente, entre a discussão do fato ocorrido e a construção do texto da peça que será baseada no crime”, conta Victor Garcia Peralta, idealizador do projeto junto com Robson Torinni.

Com sensibilidade e inteligência, o autor uruguaio Sergio Blanco expõe temas de grande relevância: paternidade, falta de afeto, solidão, famílias disfuncionais e falência dos sistemas prisionais.  “A peça aborda uma questão que muito nos toca: as ligações com os pais. Nem todos podemos ser pais, mas todos somos filhos e, portanto, todos temos a experiência da descendência. É também um trabalho sobre a dinâmica do que é a engenharia da construção de uma peça, como o texto pode ser escrito”, define Sergio Blanco, autor da obra, que recebeu cinco indicações ao Prêmio Max, na Espanha.

O espetáculo revisita ainda textos que abordam o tema, como Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski; Um Parricida, de Maupassant; e Dostoievski e o Parricídio, de Freud.

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