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3.0 - Negócios

Estratégias bem-sucedidas de combate ao coronavírus

Os controles para a detec√ß√£o da covid-19 em Cingapura come√ßaram no aeroporto¬© Get¬≠ty Images Os con¬≠troles para a detec√ß√£o da covid-19 em Cin¬≠ga¬≠pu¬≠ra come√ßaram no aero¬≠por¬≠to

√Č dif√≠¬≠cil encon¬≠trar algu√©m que n√£o con¬≠sidere a pan¬≠demia da covid-19 a pior crise glob¬≠al des¬≠de a Segun¬≠da Guer¬≠ra Mundi¬≠al.

Enquan­to alguns país­es sofrem as piores con­se­quên­cias (Chi­na, Espan­ha, Itália e Esta­dos Unidos), out­ros imple­men­taram estraté­gias que retar­daram a expan­são do novo coro­n­avírus.

E as estraté­gias são vari­adas: vão da mas­si­fi­cação dos testes de vírus ao extremo iso­la­men­to social, quar­ente­nas local­izadas e até mon­i­tora­men­to da pop­u­lação mais vul­neráv­el.

Sele¬≠cionamos essas ‚Äúhist√≥rias de suces¬≠so‚ÄĚ. Aler¬≠ta de spoil¬≠er: todas fazem testes em mas¬≠sa, n√£o ape¬≠nas em pacientes graves.

1. Por que a Ale¬≠man¬≠ha tem um n√ļmero t√£o baixo de mortes por covid-19 em com¬≠para¬≠√ß√£o out¬≠ros pa√≠s¬≠es?

Ape¬≠sar de ser o quin¬≠to pa√≠s com o maior n√ļmero de infec√ß√Ķes no mun¬≠do pela covid-19, o n√ļmero de v√≠ti¬≠mas fatais do v√≠rus √© muito menor do que o de out¬≠ros pa√≠s¬≠es que relataram n√ļmeros semel¬≠hantes de infec√ß√Ķes, como Espan¬≠ha, It√°lia ou Reino Unido.

Autoridades alem√£s indicaram que s√£o capazes de realizar 160 mil testes de diagn√≥stico por semana¬© Get¬≠ty Images Autori¬≠dades alem√£s indicaram que s√£o capazes de realizar 160 mil testes de diag¬≠n√≥s¬≠ti¬≠co por sem¬≠ana

‚ÄúEmb¬≠o¬≠ra n√£o saibamos o moti¬≠vo exa¬≠to, a ver¬≠dade √© que recomen¬≠damos, a par¬≠tir do momen¬≠to em que ficamos saben¬≠do da emerg√™n¬≠cia, expandir o n√ļmero de exam¬≠es entre a pop¬≠u¬≠la√ß√£o e, assim, reduzir a pos¬≠si¬≠bil¬≠i¬≠dade de con¬≠t√°¬≠gio‚ÄĚ, infor¬≠mou o Insti¬≠tu¬≠to Robert Koch de Virolo¬≠gia, respon¬≠s√°v¬≠el pela estrat√©¬≠gia alem√£ con¬≠tra a covid-19, quan¬≠do con¬≠sul¬≠ta¬≠do pela BBC.

Uma das chaves para a baixa taxa de mor­tal­i­dade pode ser a iden­ti­fi­cação pre­coce de por­ta­dores de vírus, o que retar­da a propa­gação da doença.

As autori­dades alemãs indicaram que são capazes de realizar 160 mil testes de diag­nós­ti­co por sem­ana.

Out¬≠ros pa√≠s¬≠es que tam¬≠b√©m t√™m dezenas de mil¬≠hares de infec√ß√Ķes con¬≠fir¬≠madas reser¬≠vam exam¬≠es lab¬≠o¬≠ra¬≠to¬≠ri¬≠ais para con¬≠fir¬≠mar quem tem o v√≠rus para pacientes com sin¬≠tomas mais pre¬≠ocu¬≠pantes, e n√£o tes¬≠tam aque¬≠les com sin¬≠tomas leves.

2. Como o Japão conseguiu controlar a covid-19 sem recorrer ao isolamento geral obrigatório

Con­fronta­do com a pan­demia da covid-19, o Japão era um ter­reno fér­til para o vírus causar estra­gos sérios: tem a maior pro­porção de pes­soas com mais de 65 anos no plan­e­ta e um alto nív­el de con­sumo de taba­co, o que tor­na sua pop­u­lação mais vul­neráv­el a doenças res­pi­ratórias.

Jap√£o n√£o proibiu aglomera√ß√Ķes, mas rastrearam infectados e isolaram grupos doentes¬© Get¬≠ty Images Jap√£o n√£o proibiu aglom¬≠er¬≠a√ß√Ķes, mas ras¬≠trear¬≠am infec¬≠ta¬≠dos e iso¬≠laram gru¬≠pos doentes

Mas, ao con¬≠tr√°rio de out¬≠ros pa√≠s¬≠es que recor¬≠reram ao iso¬≠la¬≠men¬≠to social para lim¬≠i¬≠tar a propa¬≠ga√ß√£o do v√≠rus, os japone¬≠ses optaram por con¬≠tin¬≠uar se aglomeran¬≠do em even¬≠tos p√ļbli¬≠cos, como ao redor das famosas cere¬≠jeiras que come√ßam a flo¬≠rescer nes¬≠ta √©poca do ano.

Emb¬≠o¬≠ra recomen¬≠dem o dis¬≠tan¬≠ci¬≠a¬≠men¬≠to, as autori¬≠dades n√£o impuser¬≠am √† pop¬≠u¬≠la√ß√£o as mes¬≠mas medi¬≠das extremas ado¬≠tadas na Chi¬≠na, Espan¬≠ha ou It√°lia nas √ļlti¬≠mas sem¬≠anas.

Com¬≠para¬≠do √† Chi¬≠na e √† Cor¬≠eia do Sul, as taxas de con¬≠t√°¬≠gio e mor¬≠tal¬≠i¬≠dade do Jap√£o s√£o muito menores. Uma das raz√Ķes por tr√°s dess¬≠es n√ļmeros pode ter sido a rea√ß√£o r√°p¬≠i¬≠da do pa√≠s para iden¬≠ti¬≠ficar focos de infec√ß√£o e pro¬≠te¬≠ger a pop¬≠u¬≠la√ß√£o mais vul¬≠ner√°v¬≠el, bem como seu foco em ‚Äúgru¬≠pos de con¬≠t√°¬≠gio‚ÄĚ.

Segun¬≠do Ken¬≠ji Shibuya, dire¬≠tor do Insti¬≠tu¬≠to de Sa√ļde da Pop¬≠u¬≠la√ß√£o do King‚Äôs Col¬≠lege, em Lon¬≠dres, o Jap√£o √© muito efi¬≠ciente em tes¬≠tar pes¬≠soas em bus¬≠ca do v√≠rus, iden¬≠ti¬≠ficar gru¬≠pos de con¬≠t√°¬≠gio e isol√°-los.

‚ÄúA √ļni¬≠ca maneira de lidar com qual¬≠quer pan¬≠demia √© tes¬≠tar e iso¬≠lar. E muitos pa√≠s¬≠es n√£o ouvi¬≠ram. No Jap√£o, eles est√£o deses¬≠per¬≠a¬≠dos para ras¬≠trear os infec¬≠ta¬≠dos. E est√£o indo bem em ter¬≠mos de iden¬≠ti¬≠ficar e iso¬≠lar os gru¬≠pos doentes‚ÄĚ, disse √† BBC News Mun¬≠do (servi√ßo da BBC em espan¬≠hol).

3. Detetives de doenças combatem a epidemia em Cingapura

Os exam¬≠es e o iso¬≠la¬≠men¬≠to social t√™m sido as prin¬≠ci¬≠pais medi¬≠das para con¬≠ter o n√ļmero de infec√ß√Ķes por covid-19.

Mas Cin­ga­pu­ra foi além: usou dete­tives de doenças para desco­brir onde o vírus esta­va no país. E assim con­seguiu cor­tar a cadeia de con­tá­gio dos focos de infecção.

Cin¬≠ga¬≠pu¬≠ra pos¬≠sui um sofisti¬≠ca¬≠do e exten¬≠so pro¬≠gra¬≠ma de ras¬≠trea¬≠men¬≠to de con¬≠tatos capaz de seguir a cadeia de v√≠rus de uma pes¬≠soa para out¬≠ra, per¬≠mitin¬≠do que indi¬≠v√≠¬≠du¬≠os ‚ÄĒ e todos os seus con¬≠tatos pr√≥x¬≠i¬≠mos ‚ÄĒ sejam iden¬≠ti¬≠fi¬≠ca¬≠dos e iso¬≠la¬≠dos antes que seja tarde demais.

Em Cingapura, um aplicativo informa o que voc√™ deve fazer se entrou em contato com algu√©m com suspeita de covid-19¬© AFP Em Cin¬≠ga¬≠pu¬≠ra, um aplica¬≠ti¬≠vo infor¬≠ma o que voc√™ deve faz¬≠er se entrou em con¬≠ta¬≠to com algu√©m com sus¬≠pei¬≠ta de covid-19

Ao saber que um motorista de t√°xi, por exem¬≠p¬≠lo, foi infec¬≠ta¬≠do, a pol√≠¬≠cia con¬≠seguiu ras¬≠trear as pes¬≠soas que usaram o t√°xi ‚ÄĒ e avis√°-las, por men¬≠sagens de tex¬≠to, para que per¬≠mane√ßam em quar¬≠ente¬≠na.

Dessa for­ma, o país con­seguiu cor­tar a cadeia de con­tá­gio em um dos prin­ci­pais focos de seu ter­ritório.

4. O povo italiano que conseguiu conter a propaga√ß√£o do v√≠rus com um experimento ‚Äú√ļnico no mundo‚ÄĚ

Uma cidade pitoresca na regi√£o de Vene¬≠to, chama¬≠da Vo ‚ÄėEuga¬≠neo, esta¬≠va no epi¬≠cen¬≠tro da pan¬≠demia da covid-19 na It√°lia.

E foi o cenário de uma estraté­gia rad­i­cal de com­bate ao vírus: na esco­la da cidade, um cen­tro de análise foi insta­l­a­do para faz­er o exame da doença a todos os moradores que assim o dese­jassem.

O pro­fes­sor de Epi­demi­olo­gia e Virolo­gia do Hos­pi­tal da Uni­ver­si­dade de Pád­ua, Andrea Crisan­ti, disse à BBC Mun­do que eles con­seguiram diag­nos­ticar quase todas as pes­soas des­ta cidade ital­iana.

Os inves­ti­gadores detec­taram o vírus em 89 pes­soas. As autori­dades ordenaram iso­la­men­to ime­di­a­to em suas casas por 14 dias. Out­ra coisa chamou sua atenção: entre 50% e 60% deles apre­sen­taram poucos sin­tomas ou mes­mo nen­hum.

A par¬≠tir da√≠, aplicaram um m√©to¬≠do exper¬≠i¬≠men¬≠tal que lhes per¬≠mi¬≠tiu chegar a duas con¬≠clus√Ķes: ‚ÄúN√≥s demon¬≠stramos cien¬≠tifi¬≠ca¬≠mente que o per√≠o¬≠do de incuba√ß√£o do v√≠rus √© de duas sem¬≠anas e que qual¬≠quer estrat√©¬≠gia de con¬≠ten√ß√£o deve levar em con¬≠ta o alto n√ļmero de pos¬≠i¬≠tivos ass¬≠in¬≠tom√°ti¬≠cos‚ÄĚ.

Com ess­es dados, con­seguiram con­ter a epi­demia no local.

Na Cor√©ia do Sul, houve 63 mortes por coronav√≠rus¬© Get¬≠ty Images Na Cor√©ia do Sul, hou¬≠ve 63 mortes por coro¬≠n¬≠av√≠rus

5. Estratégia da Coreia do Sul para salvar vidas em meio à pandemia

A Cor¬≠eia do Sul se tornou um exem¬≠p¬≠lo no mun¬≠do porque ‚ÄĒ ape¬≠sar de ser um viz¬≠in¬≠ho da Chi¬≠na, onde a pan¬≠demia se orig¬≠i¬≠nou ‚ÄĒ seu n√ļmero de infec√ß√Ķes e sua taxa de mor¬≠tal¬≠i¬≠dade foram muito menores.

Segun­do o gov­er­no sul-core­ano, cer­ca de 10 mil exam­es são real­iza­dos diari­a­mente, o que pos­si­bil­i­tou o iso­la­men­to da pop­u­lação ass­in­tomáti­ca, que é um dos prin­ci­pais prob­le­mas na dis­sem­i­nação da infecção.

Al√©m dis¬≠so, out¬≠ra cir¬≠cun¬≠st√Ęn¬≠cia que aju¬≠dou a con¬≠ter a pan¬≠demia no ter¬≠rit√≥rio sul-core¬≠ano foi a imple¬≠men¬≠ta√ß√£o de medi¬≠das rig¬≠orosas de iso¬≠la¬≠men¬≠to por regi√£o. Emb¬≠o¬≠ra algu¬≠mas das medi¬≠das ten¬≠ham sido crit¬≠i¬≠cadas como for¬≠mas extremas de con¬≠t¬≠role social, espe¬≠cial¬≠is¬≠tas con¬≠sul¬≠ta¬≠dos pela BBC con¬≠cor¬≠dam que elas s√£o essen¬≠ci¬≠ais para sal¬≠var vidas.

Por: BBC NEWS

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