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Vinho e saúde: rótulos artesanais são uma ótima opção para alcançar os benefícios do consumo

Que o vinho é uma das bebidas mais apreciadas em todo o mundo, não restam dúvidas. As razões para tamanho sucesso são inúmeras: cultura, tradição, prazer e requinte são apenas alguns dos adjetivos associados à bebida que acompanha o homem desde as épocas mais remotas.

Contudo, nas últimas décadas outro diferencial fez com que seu consumo ganhasse ainda mais destaque: o poder do vinho sobre saúde. Alvo de inúmeros estudos e pesquisas recentes, o vinho ganhou status de amigo do coração, sendo apontado como protetor do sistema cardiovascular e prevenindo também contra outras doenças.Motivo de comemoração entre os apreciadores, as evidências não são uma permissão para o consumo desenfreado: já existe o consenso de que para alcançar estes benefícios é preciso moderação. Mas, ao contrário do que muitos pensam, as recomendações não param por aí: para que a bebida seja um aliado da saúde é preciso também atenção na escolha do rótulo, nem todo vinho é um elixir para o corpo.

Se você é um amante da bebida ou deseja estimular o hábito em virtude dessas vantagens, saiba por que alguns vinhos se destacam quando o objetivo é fortalecer o organismo e porque outros não são tão saudáveis quanto parecem.

Porque é tão bom?

A ideia de que consumir vinho faz bem para a saúde é um conhecimento difundido mesmo entre aqueles que não são apreciadores da bebida. E ainda que este conhecimento esteja bem enraizado, poucos sabem o que faz o vinho ser tão especial e quais as diferenças que podem tornar alguns rótulos potencialmente mais benéficos do que outros.

A uva: raiz de todos os benefíciosAinda que óbvia uma das principais razões para tantas vantagens não poderia ser outra: a matéria prima do vinho, a uva, possui inúmeras propriedades terapêuticas em virtude da concentração de polifenóis. Estes compostos vegetais são resultantes de um processo natural de defesa da videira, que estimula a produção dessa substância diante das agressões externas como exposição solar, pestes e outras intempéries. Portanto, quanto mais “sofrida” a parreira, mais rica em polifenóis será a uva.

Dentre as centenas de polifenóis presentes na fruta, o resveratrol é o que mais merece destaque: estudos já apontam que a substância é capaz de diminuir o acúmulo de coágulos nos vasos sanguíneos, reduzindo o risco de ateroscleroses e acidentes vasculares. Além disso, regula o colesterol e possui propriedades antienvelhecimento, protetoras do cérebro e favorecedoras da digestão. Na uva, essa substância é a responsável por “escurecer” as bagas, e justamente por isso, as castas tintas são mais ricas neste elemento. Isso significa que quanto mais tinto, melhor o vinho? Não necessariamente, pois apesar da uva ser um dos segredos para um vinho saudável, o processo de fabricação também é determinante.

Fabricação: ponto chave para a qualidade do vinhoSe nos limitássemos ao tipo da uva para classificar o vinho como mais saudável cairíamos na falsa ideia de que basta escolher um tinto bem encorpado para garantir a alta concentração de polifenóis. Porém, outro fator influência nessa questão: a abundância em resveratrol e outras substâncias favoráveis no vinho é oriunda do seu processo de fabricação.

Uma das etapas da vinificação consiste, justamente, em extrair o mosto – sumo das uvas. No caso dos tintos, em especial, esse processo conta com a presença das cascas e sementes da uva – a maceração – que irá acentuar no líquido, além da coloração característica, as propriedades benéficas da fruta. É neste ponto que está um dos segredos do bom vinho.

Este é um dos processos mais importantes, pois é o equilíbrio dessa mistura que irá influenciar nas etapas seguintes da vinificação. Como este líquido é o que concentra boa parte dos nutrientes, açúcares e leveduras naturais da fruta, a seleção das uvas, o método de extração do mosto e o tempo de maceração são determinantes para a qualidade do vinho.

Como este processo pode variar substancialmente de acordo com o produtor e de acordo com o tipo de vinho que se deseja produzir, não se pode julgar o vinho como saudável somente pela coloração, pois outros aditivos podem ser acrescentados nas etapas seguintes para que se atinja a coloração e densidade desejada, sobretudo nos vinhos comercializados em grande escala, onde se precisa manter um padrão.

Todo vinho é saudável?Muitos consumidores ainda acreditam que o vinho adquirido num supermercado qualquer é um produto que traduz cultura, tradição e saúde. Contudo, nem todos os rótulos podem ser considerados um elixir para o organismo. Com os processos industriais, muitos químicos, aditivos e conservantes são utilizados para padronizar e aumentar a conservação da bebida, desde o cultivo da uva, até o engarrafamento. O quanto essas substâncias impactam a saúde?

Existe uma polêmica em especial quanto à utilização de sulfito – um dos conservantes amplamente empregados na indústria de vinhos. Também conhecido como dióxido de enxofre, este químico preserva a bebida contra a ação de microrganismos e prolonga sua longevidade, contudo, sua ingestão pode causar reações alérgicas e implicações de saúde, especialmente em asmáticos ou pessoas sensíveis ao químico. Controverso, muitos apontam ainda que a substância é a responsável pela dor de cabeça característica após o consumo de vinho.

O melhor vinho para a sua saúde

Não é a toa que um novo mercado tem se expandido diante da procura por vinhos genuinamente sinceros, os chamados vinhos “de produtor”: os artesanais tem ganhado espaço justamente por seguir a proposta da mínima utilização de químicos e maior respeito ao meio ambiente e a matéria prima. Mesmo com suas variações substanciais, os rótulos pertencentes a essa categoria buscam traduzir a essência mais legítima da bebida, respeitando o tempo e os limites do processo tradicional de transformação da uva em vinho.A apreciação moderada da bebida deve ser estimulada como um hábito, principalmente entre os brasileiros que ainda consomem pouco. E ainda que a grande maioria dos vinhos possua seus benefícios particulares, inclusive os brancos e os espumantes, alguns tipos e rótulos se sobressaem quando o assunto é saúde: os franceses, especialmente da região de Languedoc e os provenientes da uva Tannat, são considerados os mais benéficos – a uva, aliás, é conhecida como a mais rica em resveratrol.

Existem diversos e estudos que apontam que os tintos possuem características mais acentuadas em relação aos nutrientes benéficos à saúde. Na escolha de um bom rótulo, deve-se dar preferência aos rótulos artesanais, optando pelos secos, com menos açúcar, e aqueles de menor teor alcoólico, abaixo dos 12.5%. No mais, basta apreciar o momento com moderação e, como manda o brinde: saúde.

Fotos: Reprodução

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