PUBLICIDADE

Marco França

Marco França: Pequenas e médias empresas, um hiato intransponível?

√Č not√≥rio o que est√° acon¬≠te¬≠cen¬≠do com a fal¬≠ta de boas opor¬≠tu¬≠nidades e bons ativos para alo¬≠ca√ß√£o, soma¬≠dos √† redu√ß√£o recente da Sel¬≠ic e o exces¬≠so de liq¬≠uidez das casas gestoras e fun¬≠dos de inves¬≠ti¬≠men¬≠to. A vol¬≠ta da bol¬≠sa aos 100 mil pon¬≠tos n√£o deno¬≠ta, nec¬≠es¬≠sari¬≠a¬≠mente, uma apos¬≠ta de investi¬≠dores e fun¬≠dos no poten¬≠cial de PIB e trans¬≠for¬≠ma√ß√£o estru¬≠tur¬≠al do Pa√≠s. Ela demon¬≠stra ser uma apos¬≠ta redo¬≠bra¬≠da e de cer¬≠ta for¬≠ma leniente, no mod¬≠e¬≠lo de neg√≥¬≠cio vigente pr√©-Covid e no hist√≥ri¬≠co de per¬≠for¬≠mance de grande parte das empre¬≠sas lis¬≠tadas na Bol¬≠sa de Val¬≠ores B3, quin¬≠ta maior bol¬≠sa do mun¬≠do.

 

Sem d√ļvi¬≠da, que lis¬≠tar uma empre¬≠sa √© um obje¬≠ti¬≠vo lou¬≠v√°v¬≠el e n√£o triv¬≠ial. Man¬≠ter n√≠veis de gov¬≠er¬≠nan√ßa ele¬≠va¬≠dos tam¬≠b√©m √© condi√ß√£o necess√°ria na atra¬≠tivi¬≠dade de recur¬≠sos e pul¬≠ver¬≠iza¬≠√ß√£o da base de acionistas. Empre¬≠sas lis¬≠tadas gozam de mel¬≠hores per¬≠cep√ß√Ķes de pre√ßo de suas a√ß√Ķes, cr√©di¬≠to mais bara¬≠to e ass√©¬≠dio de fun¬≠dos. Tudo isto faz sen¬≠ti¬≠do e tem muito m√©ri¬≠to.

 

Por out¬≠ro lado, vemos que as empre¬≠sas que n√£o pos¬≠suem cap¬≠i¬≠tal aber¬≠to est√£o viven¬≠do um infer¬≠no astral no que se ref¬≠ere √†s novas rodadas de cr√©di¬≠to, fun¬≠da¬≠men¬≠tal para pas¬≠sarem pelo per√≠o¬≠do de vale econ√īmi¬≠co atu¬≠al. A chance de sobre¬≠viv√™n¬≠cia nun¬≠ca foi t√£o mate¬≠rial¬≠mente dis¬≠tin¬≠ta para os ‚Äún√£o lis¬≠ta¬≠dos‚ÄĚ. A con¬≠sol¬≠i¬≠da√ß√£o dos setores, j√° √© uma real¬≠i¬≠dade e s√≥ deve aumen¬≠tar a veloci¬≠dade.

 

A maior parte das empre¬≠sas, inde¬≠pen¬≠den¬≠te¬≠mente de pos¬≠su√≠rem cap¬≠i¬≠tal aber¬≠to ou n√£o, ain¬≠da n√£o revis¬≠i¬≠tou seu mod¬≠e¬≠lo de neg√≥¬≠cios, de for¬≠ma s√≥l¬≠i¬≠da, ade¬≠quan¬≠do o para o novo nor¬≠mal. A retoma¬≠da da econo¬≠mia em ‚ÄúV‚ÄĚ √© muito mais um dese¬≠jo do que um cen√°rio cr√≠v¬≠el neste est√°¬≠gio. Quan¬≠do a far¬≠ra mon¬≠et√°ria e fis¬≠cal e os sub¬≠s√≠¬≠dios acabarem nos pr√≥x¬≠i¬≠mos meses nos EUA e aqui no Brasil, sen¬≠tire¬≠mos o PIB mais ‚Äúdescober¬≠to ‚Äúe a real no√ß√£o das mudan√ßas e desafios que atingem os neg√≥¬≠cios.

 

As oper¬≠a√ß√Ķes de gov¬≠er¬≠no, at√© o momen¬≠to, focaram muito no micro empres√°rio. As empre¬≠sas de m√©dio porte, em sua grande maio¬≠r¬≠ia, n√£o v√£o con¬≠seguir sobre¬≠viv¬≠er sem uma roda¬≠da de empr√©s¬≠ti¬≠mo, m√≠n¬≠i¬≠ma que seja. Diver¬≠sos setores e empres√°rios pegaram sua √ļlti¬≠ma roda¬≠da de empr√©s¬≠ti¬≠mos no √ļlti¬≠mo trimestre do ano pas¬≠sa¬≠do, pr√©-Covid. As oper¬≠a√ß√Ķes de Pron¬≠ampe aju¬≠daram, e muito, o microem¬≠pres√°rio, mas foi isto. O Pron¬≠ampe, em m√©dia , liber¬≠ou R$ 100 mil por empre¬≠sa .

 

O PEAC/FGI, lib­er­a­do na segun­da-feira, vem para quem tem colat­er­al e os ban­cos estão muito cautelosos em não abusar da garan­tia com­ple­men­tar do BNDES nes­ta modal­i­dade, o que de cer­ta for­ma é bas­tante saudáv­el. Provavel­mente, este pro­du­to tam­bém será insu­fi­ciente para a deman­da atu­al, assim como foi o Pron­ampe cujos recur­sos foram toma­dos em 48 horas pelas microem­pre­sas, através dos grandes ban­cos de vare­jo, deixan­do uma boa parte da pop­u­lação empre­sar­i­al desas­sis­ti­da.

 

O Gov­er­no tem que mirar no mer­ca­do da peque­na e média empre­sa, ain­da bas­tante desas­sis­ti­do, se quis­er que este setor sobre­vi­va eco­nomi­ca­mente. E, quem sabe no futuro, ten­hamos alguns novos casos de aber­tu­ra de cap­i­tal na bol­sa, crian­do assim um ciclo mais vir­tu­oso de negó­cios.

 

Mar­co França é engen­heiro pela PUC, MBA pela Coppead/UFRJ e sócio da Aud­das.

PUBLICIDADE