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Mãe acusa PMs de executar filho durante tiroteio

Um adolescente de 15 anos morreu durante um tiroteio entre policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Favela do Caju e traficantes da comunidade, localizada na Zona Norte do Rio. A informação é da assessoria de imprensa das UPPs. O confronto foi na noite desta terça-feira. De acordo com a polícia, Rian de Alencar Silva chegou a ser socorrido para o Hospital Federal de Bonsucesso, também na Zona Norte, mas não resistiu aos ferimentos.

A mãe do jovem, Lenilda de Alencar, de 47 anos, conta uma versão diferente. Segundo ela, o adolescente foi conduzido pelos PMs para fora da comunidade e executado.

— Quando chegamos no hospital, perguntamos se tinha chegado algum baleado. Mas disseram que ele tinha chegado já morto. Meu filho levou um tiro na perna e outro no braço, mas o que matou ele foi um disparo de fuzil no peito. Vizinhos viram os policiais levando ele para fora da comunidade. Esse é o procedimento da polícia? Se ele fosse bandido mesmo, então por que não prenderam? Estraçalharam meu filho — desesperou-se Lenilda, enquanto aguardava a liberação do corpo do filho, no Instituto Médico-Legal (IML), na manhã desta quarta-feira.

Segundo a dona de casa, o jovem havia saído mais cedo para comprar gás. Voltou para casa por volta das 16h e saiu novamente, dessa vez rumo a uma lan house. Lenilda estava temperando o frango que faria para o jantar, quando ouviu um grito na porta. “Pegaram seu menino”, alertou uma vizinha. Aí começou o périplo em busca de Rian.

— Testemunhas viram os policiais saindo com ele da favela e o levando para um chiqueiro de porcos que tem perto de uma loja de tijolos. Ele foi até lá andando, mas saiu arrastado. A bermuda dele estava toda rasgada e as pernas, arranhadas. Como podem ter tanta crueldade? Fico imaginando quantas mães ainda vão passar por isso. Até quando vamos criar nossos filhos para servirem de tiro ao alvo para policiais? — disse Lenilda.

Rian largou os estudos no meio do ano passado. Por falta de assiduidade, perdeu a vaga que tinha no Ciep Henfil. Também não trabalhava. Ultimamente, sua vida resumia-se a ajudar a mãe nas tarefas domésticas e jogar na lan house. Lenilda admite que o filho era usuário de drogas.

— Ele de vez em quando andava com alguns amigos que eram do movimento. Quem mora em favela sabe que é difícil não haver essa convivência. Se ele tinha envolvimento, não sei, mas nada justifica exterminarem ele assim. Só quero direitos humanos para pessoas humanas — disse ela, que questiona a versão da polícia de que houve troca de tiros: — Só se ele fosse maluco. Eram seis policiais armados com fuzil. Ele ia enfrentar os policiais?

O Hospital Federal de Bonsucesso confirmou que Rian chegou à unidade com ferimentos no peito e na coxa.

Segundo a assessoria de imprensa das UPPs, na ação de terça-feira foram apreendidos uma pistola de calibre .40, duas granadas e um radiotransmissor. Em nota, a assessoria de imprensa das UPPs confirmou que Rian foi atingido, mas não informou se ele participou do confronto. Leia a íntegra da nota:

“Segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Caju, policiais da unidade foram recebidos a tiros ​durante patrulhamento​ na ​ Rua Interna​, na noite desta terça-feira (27/2). Houve confronto e ​um menor foi atingido e socorrido para o Hospital Federal de Bonsucesso. Na ação, uma pistola calibre .40 ​, duas granadas ​e um radiotransmissor foram apreendidos. O caso foi registrado na DH (Divisão de Homicídios)”.

Já a Polícia Civil informou que o caso é investigado pela Delegacia de Homicídos (DH) da Capital. Em nota, a corporação informou que um inquérito foi aberto pela especializada para apurar as circunstâncias da morte de Rian.

Fonte: Extra

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