PUBLICIDADE

6.0 - ESTILO DE VIDA

Espet√°culo A Dor retrata saga da escritora francesa Marguerite Duras

Em meio a opress√£o da Segunda Guerra Mundial e a ang√ļstia da espera de seu marido preso em um campo de concentra√ß√£o, o solo A Dor, montagem do VULC√ÉO [cria√ß√£o e pesquisa c√™nica], com dire√ß√£o de Vanessa Bruno e atua√ß√£o de Rita Grillo se inspira na saga da escritora francesa Marguerite Duras (1914-1996). O espet√°culo faz curta temporada de 11 a 22 de janeiro no Teatro Pequeno Ato. As sess√Ķes ocorrem de quarta a s√°bado, √†s 20h30, e domingo, √†s 19 horas. Nas quintas feiras haver√° bate-papo p√≥s-espet√°culo com comentadores convidados.

A pe√ßa se concentra no √ļltimo momento, aquele no qual a escritora espera a volta de Robert, ap√≥s a chegada dos aliados. √Č o momento em que a verdade sobre os campos de concentra√ß√£o come√ßa a aparecer, e n√£o √© poss√≠vel saber se ele conseguiu sobreviver ao horror. Ela espera incessantemente nas esta√ß√Ķes pelos comboios de deportados, em sua casa, ao lado do telefone.

Todo esse per√≠odo foi relatado em di√°rios, que mais tarde foram compilados em um livro, La Douleur, composto por textos de momentos diferentes desta espera e que √© transportado para o espet√°culo. ‚ÄúMarguerite Duras √© realmente uma mulher do s√©culo XX. Passou por guerras, resist√™ncia, machismo, √© s√≠mbolo do feminismo e resist√™ncia. Mudou as tend√™ncias liter√°rias e cinematogr√°ficas. Na pe√ßa, a obra ganha um deslocamento da literatura para o palco por meio de procedimentos que j√° foram utilizados por √≠cones da dan√ßa como Pina Bausch e Klauss Vianna. Tamb√©m foram mescladas conex√Ķes autobiogr√°ficas da atriz. Todos esses elementos contribuem para uma constru√ß√£o c√™nica‚ÄĚ, conta a diretora Vanessa Bruno.

O cen√°rio de Anne Cerutti e a luz de Aline Santini trabalham com uma palheta de cores monocrom√°tica em torno da cor s√©pia, caracter√≠sticas que impulsionam um estado febril e a mem√≥ria fragmentada da personagem. A ambienta√ß√£o √© uma sala com um carpete de areia, duas poltronas, al√©m de uma proje√ß√£o em v√≠deo que aumenta a significa√ß√£o da espera e ang√ļstia em cena.A diretora pesquisa o deslocamento da literatura para o palco desde 2010, um estudo que contempla a obra de Clarice Lispector. Sua disserta√ß√£o de mestrado deu resultado √† cria√ß√£o do espet√°culo Brincar De Pensar (contos de Clarice Lispector no palco para pais e filhos). A pesquisa continua em andamento com a cria√ß√£o do espet√°culo de dan√ßa-teatro baseado no romance da autora √Āgua Viva, produ√ß√£o que devem estrear este ano em 2017.

Já a atriz Rita Grillo pesquisa Marguerite Duras desde 2008 e traduziu o romance A Dor especialmente para esta adaptação teatral. Ela tem parte de sua formação teatral na França, país onde estudou entre 2003 e 2005, na Université Sorbonne Nouvelle, Paris 3. Desde então, estabeleceu uma estreita relação profissional com o país, trabalhando como atriz e assistente de direção em diversos projetos franco-brasileiros.

Atualmente, realiza assistência de direção para Anne Kessler na montagem de La Ronde de Arthur Schnitzler, na Comédie Française, histórica companhia teatral francesa fundada em 1680 e principal instituição teatral da França. Ela já colaborou com Anne Kessler na montagem brasileira de Não Se Brinca Com O Amor, de Musset (2014).

Rita Grillo e Vanessa Bruno se conhecem desde 2000 quando participaram de n√ļcleos de trabalho do ator no Teatro √Āgora, na √©poca dirigidos por Roberto Lage e Celso Frateschi. A dupla j√° pensava em trabalhar juntas h√° alguns anos, algo que acontece agora com o solo A Dor.

‚ÄúUm dia eu descobri ‚ÄėA Dor‚Äô. Essa espera de todos os tempos. Um relato terr√≠vel e profundamente humano. E esse projeto ficou em mim, esperando para acontecer. O reencontro com Vanessa Bruno, em 2012, foi uma fagulha, uma vontade comum, um sonho. E em 2015 o inc√™ndio, a explos√£o vulc√Ęnica: Marguerite em cena, finalmente, agora‚ÄĚ, conta Rita.

Fotos: Divulgação