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Cannes terá filme brasileiro e testagem em massa em retorno presencial

Quando a pandemia de coronavírus se instaurou no mundo em 2020, diversos festivais de cinema se adaptaram ao momento e lançaram versões digitais — não foi o caso Cannes, que cancelou a edição do ano passado. Depois de um ano difícil para o cinema, o tradicional festival francês volta em 2021 com uma edição presencial, que acontece entre os dia 6 e 17 de julho.

A lista de indicados da 73ª edição foi anunciada nessa quinta-feira, 3, e não há brasileiros concorrendo a Palma de Ouro, mas O Marinheiro das Montanhas, do cearense Karim Ainouz, será exibido na mostra “Sessões Especiais”. A lista inclui nomes consagrados como o americano Wes Anderson, que concorre com A Crônica Francesa, o francês Leos Carax, com Annette, e o iraniano Asghar Farhadi, no páreo com A Hero.

Essa é a primeira edição do Festival desde 2019, e há muitas expectativas sobre como ela acontecerá, já que a data, dois meses mais tarde do que o habitual, coincide com a flexibilização das medidas de restrições na França. Em entrevista ao Deadline, Thierry Frémaux, organizador do evento, revelou que, além dos recém-indicado, os selecionados para a edição de 2020 também estão convidados a comparecer ao evento presencial, e que as exibições terão capacidade total. “Será 100%, mas haverá máscaras. Nesse verão, existe a possibilidade de que possamos não usá-las em locais abertos. No tapete vermelho, os artistas e as equipes poderão tirar a máscara mantendo a distância recomendada dos fotógrafos. Nós veremos como vai ser aos poucos”, esclareceu Frémaux.

Entre os protocolos de segurança já anunciados para a edição inclui-se um serviço de triagem que ofertará aos visitantes testes rápidos de Covid-19 ao longo do dia, em um local próximo à sede do evento. Para participar do festival, os convidados terão que atender a uma das três opções: apresentar um certificado de vacinação provando que a segunda dose foi tomada a mais de 14 dias, um PCR ou teste de antígeno negativo feito em até 48 horas, e que precisará ser renovado ao longo do evento, ou prova de imunidade por meio de um teste de anticorpos positivo ou RT-PCR com data não inferior a 15 dias. Uma curiosidade é que o buffet está garantido, mas a comida será servida à mesa, para diminuir os riscos de contaminação.

A maior preocupação, porém, fica por conta dos concorrentes internacionais, já que as viagens ao redor do mundo ainda apresentam uma logística complicada. A partir da próxima quarta-feira, 9, a França reabrirá as fronteiras para viajantes de fora, com limitações que variam de acordo com a situação de cada país — o Brasil, por exemplo, está na lista vermelha, o que significa que até mesmo os vacinados precisam de um motivo de urgência para a viagem, além de outras medidas de segurança como testagem e isolamento. Já os americanos e britânicos, na lista laranja, não terão que fazer quarentena para entrar na França se comprovarem a vacinação completa, mas ainda é necessário a apresentação de PCR ou teste antigênico negativo. Para os países europeus e mais alguns poucos classificados como verde, a entrada é liberada sem testes, desde que comprovada a vacinação.

Além dos atores, diretores e toda a equipe de produção, o Cannes ainda recebe um contingente grande de críticos e jornalistas de vários países em toda a edição, e as restrições de viagem podem ser uma entrave para a cobertura do evento. Para mitigar o empasse, o festival pretende disponibilizar exibições coordenadas em outras cidades do mundo, como Londres, Paris, Nova York, entre outros, o que diminui a necessidade de viagens e garante uma cobertura eficaz do festival. “Nesse ano, em particular, há muitos jornalistas que não podem viajar, e estamos trabalhando nisso”, contou Frémaux ao Deadline.

Desde que a pandemia se instaurou, Cannes é o maior festival de cinema que acontecerá de maneira presencial. Entre 9 e 20 de junho, o Berlinale, na Alemanha, também se dará presencialmente, em um modelo feito ao ar livre, com exibições espalhadas por 16 avenidas da capital. O sucesso ou fracasso desses eventos deve ditar os passos para o setor, que aposta na vacinação para retomar os tempos de ouro pré-pandemia. Em seu formato tradicional, Cannes é uma tentativa de retomada da normalidade, e a expectativa é que a indústria esteja presente. “A maioria dos cineastas estará lá. Com a exceção daqueles que tem problemas de agenda, tudo parece bem no momento”, conclui Frémaux. No final do dia, o que todos esperam é que ele esteja certo.

Confira a lista completa de concorrentes a Palma de Ouro 2021:

Annette de Leos Carax, França

A Crônica Francesa, de Wes Anderson, Estados Unidos

Benedetta, de Paul Verhoeven, Holanda

A Hero, de Asghar Farhadi, Irã

Tout s’est Bien Passe (Everything Went Well), de Francois Ozon, França

Tre Piani (Three Floors) de Nanni Moretti, Italia

Titane (Titan), de Julia Ducournau, França

Red Rocket, de Sean Baker, Estados Unidos

Petrov’s Flu, de Kirill Serebrennikov, Rússia

Par un Demi Clair Matin, de Bruno Dumont, França

Nitram, de Justin Kurzel, Austrália

Memoria, de Apichatpong Weerasethakul, Tailândia

Lingui, de Mahamat-Saleh Haroun, Chade

Les Olympiades (Paris 13th District), de Jacques Audiard, França

Les Intranquilles (The Restless), de Joachim Lafosse, Bélgica

La Fracture, de Catherine Corsini, França

The Worst Person in the World, de Joachim Trier, Noruega

Compartment No 6, de Juho Kuosmanen, Finlândia

Casablanca Beats, de Nabil Ayouch, França-Moroccos

Ahed’s Knee, de Nadav Lapid, Israel

Drive My Car, de Ryusuke Hamaguchi, Japão

Bergman Island, de Mia Hansen-Love, França

The Story of My Wife, de Ildiko Enyedi, Hungria

Flag Day, de Sean Penn, Estados Unidos

 

*Por Amanda Capuano/Veja