6.1 // denise prado

Um salão repleto de belezas

No Salão Duas Rodas que aconteceu em São Paulo de 14 a 19/11, fui presenteada com a oportunidade e conhecer bem de perto um universo que não tinha nenhuma familiaridade, quando eu era adolescente convenci meu pai a me dar de presente de aniversário de 15 anos uma mobylete . Na época era uma febre, todos os adolescentes queriam e quem não tinha estava fora da turma. Com ela rodava pelo subúrbio do Rio de janeiro com a minha file amiga Rosana Milhomem. Íamos para os bailes e chegávamos poderosas na possante mobylete azul.

Depois quando fiquei adulta me distanciei das duas rodas e o máximo que consegui foi andar na garupa das motos maravilhosas que minha irmã adquiria ou na garupa de um amigo ou amiga em que eu confiasse.  Assim fui andando por aí, pelas estradas observando pelas minhas janelas as motos que passavam por mim, cada uma com sua potencia, sua cor, pilotadas por homens ou mulheres sem rostos, com seus capacetes que me levavam a imaginar quem estava ali, como eram seus rostos? Como  eram os seus olhos, suas orelhas e cabeços, se tinham dentes, se o nariz era grande, arrebitado , enfim quem eram…

Nos nove dias que fiquei internada no Salão Duas Rodas, o que mais vi foram os capacetes pendurados nos braços e mãos de pilotos amadores ou profissionais que desfilavam com seus casacos estilosos e jeans desbotados como nos filmes  que passei a vida assistindo. Percebi um comportamento único, a foram como se vestem, se expressam e assumem verdadeiramente seus personagens diante da beleza das motos que fazem seus olhos brilharem.

As marcas disputam a atenção de seus visitantes proporcionando diversão, interatividade, desafios através dos testes riders e muitos brindes e mulheres bonitas, aliás, sem elas o Salão ficaria incompleto.  De um lado para o outro, por onde se caminha é possível escolher o que mais combina com o seu jeito de viver e ver a vida, e mesmo aquelas pessoas que nunca se imaginaram comprando uma moto, se rende e em determinado momento solta a famosa frase: ”Acho que gostaria de ter uma moto.”  – Ouvi várias vezes esse comentário.

Mas não pude deixar de observar que esse universo tão desconhecido pra mim é populoso de mulheres e famílias inteiras, vi pais que colocavam seus filhos nos simuladores e ficavam ali torcendo para que sua pontuação fosse a mais alta e que eles passassem por todos os obstáculos, vi crianças bem pequenas sendo colocadas em cima das motos para que as famosas fotos fofas fossem feitas revelando assim os possíveis futuros/as  motoqueiros/as, vi casais tatuados, com suas jaquetas de jeans cheias de botons mostrando com orgulho a que clube pertenciam e por onde já tinham andado, vi a vida sobre duas rodas sem o estereotipo de que motoqueiro é apenas um transgressor.

Um Salão de Beleza diferente, um salão de belezas diversas, um salão com as Mais Influentes  máquinas que fazem o coração roncar ao invés de bater.

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