Sem Categoria

Quase um ano após tragédia da Chapecoense, viúvas dão depoimentos

Bárbara, Suzi, Val, Aline, Girlene, Vanessa, Grazi, Graciella, Sirli e Letícia. Dez mulheres. Dez histórias por trás do maior acidente aéreo da história do esporte. Dez mães que se viram obrigadas pelo destino a mudar a rota da própria vida. Dez viúvas que são também chefes de famílias e, de coração aberto, transformam em palavras uma tempestade de emoções. Um ano depois, elas seguem em frente, mais fortes.

 

Suzi Ribas, viúva do jogador Willian Thiego e mãe de Nina (5 anos)

“A Nina tinha que ficar bem, entender tudo e guardar que Chapecó foi o melhor lugar em que vivemos. Estamos prontas para recomeçar”

“Minha vida mudou da água para o vinho. A primeira coisa que eu pensei foi na Nina, em não mudar a rotina dela e tentar recomeçar em Chapecó. Já estávamos aqui havia dois anos. Fiz a escolha certa. Ela gosta muito da cidade, tem muitos amigos e lembra do pai em tudo, mas de uma forma positiva. Ela não sofre. Aos poucos, foi sabendo tudo que aconteceu e hoje fala naturalmente. Esses dias, disse: “Mãe, enterramos o pai e os passarinhos levaram para o céu”. Ela é a força para eu poder continuar. Foi bom para encerrar um ciclo e voltar para Porto Alegre. Faria tudo de novo. A Nina tinha que ficar bem, entender tudo e guardar que Chapecó foi o melhor lugar que vivemos. Estamos prontas para recomeçar.

A dor foi se transformando em saudade. O amor vai continuar para sempre. Não sei ainda o que quero fazer, não tenho expectativas, vivo um dia de cada vez. O psicológico fica muito abalado, tive problemas de pressão. Financeiramente, nossa vida era tranquila e pude continuar. Sem exageros, mas tudo que a Nina tinha, continuou tendo. Ajudei a família do Thiego, comprei casa para mãe, ajudei os irmãos, para que começassem a partir deles. Não consigo ajudar como antes. Cumpri minha missão e nunca vamos perder contato.

Não guardo ódio ou rancor. Não consigo. Nem da Chapecoense, nem da LaMia… Não tenho desavenças. Estou em paz. Vamos entrar contra a LaMia pelo escritório americano. Contra a Chape, não entrei ainda, mas toda família que sofre acidente de trabalho tem seu direito. O clube sabe disso. Não vou a psicólogo, nem psiquiatra. Claro que tudo me abalou muito, mas tive a cabeça no lugar para seguir em Chapecó. Agora, é o recomeço. Se Deus quiser, vou conseguir”.

 

Bárbara Calazans, viúva do jogador Ananias e mãe de Enzo (6 anos)

“A vida ainda está sem sentido, sigo um tanto perdida. Me sinto em uma montanha-russa emocional”

Como está a Bárbara hoje? Tentando recomeçar, me situar em um contexto trágico. Minha vida é outra. Se pensar na tragédia, parece que foi ontem. Fecho os olhos e passa um filme. Se pensar na saudade, é uma eternidade. A ausência do meu grande amor, pai, ser humano… É devastador. Faço terapia intensiva, meu filho também. Precisamos desse suporte e não sei até quando. Não acredito que a dor passe. Estou aprendendo a conviver com ela. A cada despertar e adormecer, a lembrança está ali. Não tenho perspectiva de futuro ainda. Não consigo visualizar. A vida ainda está sem sentido, sigo um tanto perdida. Me sinto em uma montanha-russa emocional. A proporção da dor é a do amor. O vazio de uma saudade cheia de amor, valores, sonhos, planos…

Sou enfermeira, mas não me sinto preparada a retornar. A esposa de jogador abdica da vida, dos planos, para viver os sonhos do marido. Ele ter saído de cena me deixa desamparada. Quem sou eu agora? Foram sete anos juntos. Sou mãe e preciso cuidar do meu filho. Preciso estar ali, suprindo o que puder, fazer o máximo. Separei esse momento para isso. As pendências judiciais, em algum momento, vão se encerrar. Essa é uma parte prática. São coisas distintas. O elo que tinha com a Chapecoense não vai existir nunca mais. A Chapecoense na minha vida existia por causa do meu marido. Se ele não existe mais… A relação agora é pelos direitos. Ponto.

Atrás do atleta Ananias, existia um ser humano exemplar, pai maravilhoso, marido, muito bom caráter. Um menino que saiu de casa em busca de um sonho, alcançou, conquistou respeito, admiração. Atrás da tragédia, há pessoas, famílias, que estão apenas em busca de dignidade para viver e recomeçar. Amém! Vivam o simples. Sejam felizes! A vida nos prega muitas surpresas.

 

Val Paiva, viúva do jogador Gil e mãe de Gabriella (5 anos) e Lívia (3)

“Desejo muito conseguir sorrir com os lábios e o coração. Neste ano, só sorri com os lábios. O coração sangra”

Ainda dói muito acreditar que acabou. Penso em Gil de uma forma tão especial e mágica… Se eu errar hoje, erro 100%. Falta quem perguntar: “O que você acha?”. Perdi um pouco a confiança, mas busco uma garra. Não é fácil. A imagem mais forte que tenho é dele segurando minhas filhas, uma de cada lado, de tão família. Um pai que não media esforços para brincar, arrancar sorrisos, ser presente. Tivemos tanto! É difícil entender que esse amor tão forte não existe mais. Me recuso e levo meus pensamentos ao passado.

As pessoas me veem sorrindo, dizem “que bom”. Geralmente, é nos dias que meu coração está mais despedaçado. Desejo muito conseguir sorrir com os lábios e o coração. Neste ano, só sorri com os lábios. O coração sangra. De alguma forma, quis blindar para que minhas filhas não sentissem dor. Elas perguntam: “Por quê?”. E dói não ter a resposta. Eu não sei o porquê. Me vejo como uma leoa que luta para defender e resgatar um pouco do que tínhamos.

As memórias daquele dia horrível são fortes. Parece que foi ontem, mas, pela saudade, parece tanto tempo. Ele não volta mais. A morte não cabia. Falam: “E se Neto contasse o sonho?”. Eles estavam felizes demais para que a morte chegasse. Me alegra é saber que vivemos o melhor possível. É um cenário que teremos que aprender a viver. Sempre lembraremos do paizão, jogador esforçado, mas também do pai que morreu no acidente aéreo. Por mais que tentemos mascarar feridas.

Gil amava tanto jogar, estar ali, que merecia ser retribuído de uma forma diferente. Ele falava que o antigo voo com essa empresa tinha sido difícil. Poxa, estavam conquistando algo tão grande. Mereciam algo melhor. Isso que cobro. Por esse “melhor”, não tenho mais o paizão, o marido carinhoso e protetor. Quero apenas justiça.

 

Girlene Rangel, viúva do jogador Bruno Rangel e mãe de Bárbara (7 ) e Daniel (2)

“Trava a cabeça. Parece que ele está viajando e vai voltar. O coração chega a arder de saudade”

Tudo foi um pesadelo. Não queria acreditar, mas tive que enfrentar. Precisava ser forte pelos meus filhos. Até aqui, minha vida se resume a cuidar deles. Suprir o que o Bruno fazia, não vou conseguir nunca, mas tenho que cuidar das feridas abertas. O coração ainda dói. Somos nós três e tenho que tomar frente de tudo para que o que sonhávamos para eles se realize.

Vivo uma mistura de sentimentos. Tem dia que estou bem, tento aceitar que foi a vontade de Deus. Tem dias que não quero nem levantar da cama. Só choro, choro e brigo com Deus: “Por que isso tudo?”. Trava a cabeça. Parece que ele está viajando e vai voltar. O coração chega a arder de saudade. A vontade de ligar e não poder, querer contar certas coisas, ter o estalo de que nunca mais vai existir. A raiva ficou mais no começo. Hoje, tenho que me acostumar com a dor. As pessoas falam: “Tudo passa”. Mas tenho dentro de mim que não vai passar. A dor sempre vai estar ali.

Para o meu pequenininho, contei que o pai está no céu. Se perguntarem, ele responde que o papai está jogando bola com Jesus. A mais velha se privou muito, não demonstra o que está sentido. Vez ou outra fala que o pai “é” assim. Digo que ele não está mais aqui, mas ela responde que tudo é a mesma coisa. Ainda não consigo decifrar para ajudá-la. Sei que não demonstra fraqueza por mim, para me ajudar a ser forte.

Tento me adequar a vida que me foi imposta. Não passo necessidade, aperto, mas vou buscar tudo que for de direito e de melhor para meus filhos. Muitas pessoas veem de fora e não têm conhecimento do que estamos vivendo. Sou o pilar da minha casa. Vou atrás do que acho certo. Sinto carinho da torcida e da cidade, sim. Mas acho que a Chapecoense poderia valorizar mais a todos.

 

Sirli Freitas, viúva do assessor Cleberson e mãe de Pedro (9 anos) e Mariana (3)

“A primeira coisa é a gente aceitar e entender que não vai mudar. Eles não vão voltar, temos que viver com a dor e a saudade”

Foi muita coisa vivida. O tempo é relativo quando se fala de dor e alegria. Foi intenso em todos os sentidos. Sou outra pessoa, mudei muito, aprendi muito e me reconstruí. Por estar no dia a dia, sinto como se minha reconstrução pessoal estivesse lado a lado com a do clube. Se remontar, se reerguer, ter conquistas… Me senti abraçada em um momento onde estava desesperada e aceitei o convite. Não conseguia pensar em muita coisa, mas me senti acolhida. Não foi coragem. Com o tempo, consigo ver que fiz a escolha certa, me fortaleceu.

Na Chapecoense, me sentia mais próxima do Cleberson. Trabalhando, fazendo as coisas que ele fazia, convivendo com pessoas que ele convivia. Isso me deixava mais forte. A rotina é uma loucura, um emprego novo, e só isso já me levava. Ouvia histórias dele, as coisas que as pessoas contavam, e me fazia bem. A parte mais difícil foi com os filhos. Foquei no trabalho, só que tinha que voltar e dar o retorno, a explicação, a força, a segurança. Era preciso estar centrada.

Várias vezes cheguei em casa destruída, era quando realmente sentia o que estava acontecendo, mas precisava passar a estar bem, chegar mais alegre, mais leve. Hoje, o Pedro me fala coisas que eu falava e me consola. Mostra como era importante estar bem naqueles momentos. A primeira coisa é a gente aceitar e entender que não vai mudar. Eles não vão voltar, temos que viver com a dor e a saudade. Só o tempo dá a condição de ir levando. Toda pessoa que passa por isso se transforma. A necessidade te faz aprender, e penso: “Até hoje ele está me ajudando”.

 

Graciella Missel, viúva do Dr. Márcio Koury e mãe de Ana Carolina (12) e Isabela (6)

“Dá uma tristeza ver toda movimentação no estádio e saber que o Márcio não vai estar ali. Ele era a Chapecoense, não é mais”

Me perguntaram se agora dói menos do que antes. Eu não sei. Antes, doía muito. Hoje, a saudade aumentou muito e também dói. Olhar para minhas filhas, ver que tinham um pai tão presente, tão dedicado, preocupado, e não têm mais. Nunca vão ter. No Dia dos Pais, foi difícil. A Isabella fez uma cartinha na escola e quis levar no cemitério. É triste. Você quer sofrer, mas não quer que seu filho sofra.

Ia a todos os jogos. Acompanhava, vibrava. Não tenho raiva, mas cria-se uma resistência à Chapecoense. Dá uma tristeza ver toda movimentação no estádio e saber que o Márcio não vai estar ali. Ele era a Chapecoense, não é mais. Até tentei assistir a alguns jogos, mas não consigo mais. Ficava esperando vê-lo na TV, esperando chegar… É mais uma defesa. Não torço contra, espero que eles continuem a trajetória, até pelo nome de quem se dedicou tanto por amor a esse clube. Minha filha de seis anos me pergunta se não gosto do clube e fala: “Eu gosto da Chape, porque meu pai amava a Chape”.

Com o passar do tempo, vamos ficando menos ofensivos, mas a aproximação como era antes não tem como acontecer. Tem coisas que não tem mais como reaver. Quase não tenho mais contato, só através do grupo de Whatsapp. É distante. Nunca houve uma ligação para saber se era necessário auxílio ou um psicólogo. Acho que essa foi a maior falha. A questão financeira mudou completamente, mas é algo que tem como harmonizar. Cortamos coisas que fazíamos e temos que nos adequar. Sempre o pior vai ser o psicológico, em razão da falta, da ausência.

 

Letícia Padilha, viúva do jogador Danilo e mãe de Lorenzo (3 anos)

“Quando vamos a Chapecó e o avião desce, Lorenzo pergunta: ‘O papai está esperando?’. É muito dolorido”

Tive que guardar a minha dor e seguir em frente. Tenho um filho que depende muito de mim. A vida vai seguir. Com aquela ferida, mas tem que seguir. Voltei para cidade dos meus pais e estou tentando retomar minha vida, cuidando das coisas que o Danilo cuidava. É difícil. Ele era o pilar da nossa casa, era tudo. Da noite para o dia tive que me virar sozinha. Aprender a cuidar de tudo.

Perguntas sem respostas sempre vamos ter. Foi uma tragédia muito grande. Os momentos mais difíceis são com o Lorenzo, nas datas especiais. Falta a ligação, aquele afeto… Ele não entende ainda da morte, quer saber do pai. Quando vamos a Chapecó e o avião desce, ele pergunta: “O papai está esperando?”. É muito dolorido. Para mim, sinto que ele está viajando e a qualquer momento vai chegar. Não caiu minha ficha. Não enxergo a realidade, porque é difícil de enxergar. Só o tempo, só o tempo.

Tomei a frente de tudo e busco os direitos do meu marido. Não por mim, mas pelo Lorenzo. Apenas buscamos o que é direito, o que é correto. Eu era uma mulher que dependia muito do Danilo e tive que me virar. Nem eu sabia que tinha essa força. Era uma pessoa muito frágil, que se escondia debaixo dele. Agora, tenho que ir atrás e ser forte para encarar.

 

Vanessa Gonçalves, viúva do jogador Kempes e mãe de João Gabriel (8) e Júlia (3)

“Meu coração é totalmente limpo. Não tenho raiva da Chape, do piloto – ele não queria morrer”

É bem dolorido, mas é preciso enfrentar. Não adianta. O Kempes era um suporte. Ajudava, levava para escola, pegava no futebol… Hoje, estou sozinha. Fica bem sobrecarregado, mas dou conta. O que ajudou muito foi o acompanhamento psicológico, um tratamento que vem desde dezembro. Passo isso para as crianças e eles não precisam. É necessário estar firme e forte no dia a dia. Por eles, o nosso dia acaba virando a noite. Era a hora que eu chorava.

Passava madrugadas chorando no quarto escuro, querendo ver a pessoa, pedindo para aparecer para mim. De dia, era preciso estar inteira e pronta. Tentamos blindar os filhos de tudo. O João já entendeu mais. No início, ele soube de tudo, ouvia, mas nunca tinha visto imagens. Até que um dia o encontrei vendo vídeos no celular. Falei: “Tira isso”. Ele disse: “Não, eu quero ver”. E ficou tranquilo. Tem coisas que não tem como evitar. Que bom que ele reage muito bem.

É uma mistura de sentimentos muito grande. Às vezes, parece que faz tanto tempo. Outras, parece que foi ontem. A dor vai ser eterna e temos que aprender a deixá-la no cantinho do coração para continuar vivendo. No início, ficava muito revoltada. Com tudo! Era a situação, o clube, o piloto… Mas o tempo vai passando e vamos vendo que foi um acidente. Ninguém gostaria que tivesse acontecido. Infelizmente, aconteceu. Na minha cabeça, muita coisa mudou. Não consigo achar um culpado. Buscamos resposta, mas não encontramos. Meu coração é totalmente limpo. Não tenho raiva da Chape, do piloto – ele não queria morrer. Conforme o tempo vai passando, vamos nos acalmando e as coisas vão se encaixando. Tenho orgulho de mim.

 

Aline Machado, viúva do jogador Filipe Machado e mãe de Antonella (3 anos)

“A falta que sinto parece que me arrancaram um pedaço. Mas com o tempo passa a ser uma saudade que você consegue lembrar da pessoa e sorrir”

No início, parece que estamos nos afogando, queremos subir e não conseguimos. E, às vezes, queremos descer mesmo. Eu tive vontade de morrer, não tinha amor por ninguém. Mas, aos poucos, vamos vendo outras coisas. Tenho uma filha, a razão do meu viver. Aprendemos a dar valor à própria vida. Foi um ano de grande aprendizado e crescimento pessoal. Esposa de jogador larga tudo para viver com eles. Há 10 anos, era gerente de banco e, sem pensar duas vezes, pedi demissão e fui embora. Quando acontece o acidente, e agora? Ficamos perdidas. É uma mistura muito grande de sentimentos. Foi um momento de se reestruturar.

Faço acompanhamento psicológico, o que foi importantíssimo para me manter inteira. A dor vai estar sempre conosco, mas vi que consigo viver com aquela saudade mais apertada. As coisas ainda estão desorganizadas. Os primeiros oito, nove meses, foi como aprender a caminhar em todos os quesitos: mãe, administradora… Hoje, consigo pensar. A partir de agora é possível seguir de uma maneira mais normal. Sempre falo e repito: Filipe é o amor da minha vida e vai ser sempre. A falta que sinto parece que me arrancaram um pedaço. Mas com o tempo passa a ser uma saudade que você consegue lembrar da pessoa e sorrir. Muda a maneira e a tentamos trocar o sentimento de dor pelo carinho. Se não nos ajudarmos, fica insuportável viver.

O que queremos em um momento desses é justiça. É preciso tentar ser racional para resolver essas coisas. Não dá para misturar a emoção. Hoje, conseguimos caminhar. No início, ficou muito tumultuado e houve um choque. A entrada das associações foi muito importante para isso. Hoje, há diálogo, pagam as escolas dos nossos filhos, a Chape doou um valor para ajudar. Está sendo bacana. Tem muita água para rolar e muita coisa para acontecer.

 

Graziele, viúva do jogador Thiaguinho e mãe de Thiago (4 meses)

“Tentávamos esse bebê havia seis meses, mas uma semana antes do acidente descobri que estava grávida. Meu bem mais precioso me deu forças para eu caminhar”

Um ano da despedida. Ainda espero o Thiaguinho bater na porta e dizer: “Cheguei, meu amor”. A realidade é dor, dor e mais dor. Da porta que o esperava, tive que sair chorando e com o coração partido. Neste um ano, me vi perdida, tentando fazer com que a ficha caísse. Para mim, uma hora ele ia chegar de viagem. Grávida de apenas um mês, tentava controlar as emoções naquele momento horrível. Dentro de mim, estava um pedaço do meu marido, o motivo de eu querer viver. Se não fosse meu filho, acho que estaria na cama, sem forças para prosseguir.

A luz no fim do túnel era meu marido. Ele que me dava forças, era meu tudo. Uma tragédia o tirou de mim e o que me trouxe até aqui foi meu filho. A gravidez aconteceu no momento certo. Deus sabia que eu precisaria do meu filho para ficar de pé. Tentávamos esse bebê havia seis meses, mas uma semana antes do acidente descobri que estava grávida. Meu bem mais precioso me deu forças para eu caminhar. A saudade? Ah, a saudade! Sempre vai existir. A dor aumenta a cada segundo, mas o mais lindo são as lembranças do que vivi ao lado de um ser tão especial.

A melhor escolha da minha vida foi ter abandonado tudo com apenas 18 anos e ir viver ao lado do meu marido, uma pessoa que me deu todo suporte e me fez ser a mulher forte que sou. Hoje, sigo em frente e busco os direitos não por mim, mas pelo Thiago Filho. O pai dele batalhou para isso, era nosso pilar. Hoje, este pilar sou eu, com apenas 20 anos, com garra para encarar tudo que tiver pelo meu filho. Sou mãe, pai e quero estar de pé para cumprir tudo. Quero justiça, dignidade e reconhecimento.

 

Foto: Reprodução

Fonte: GE/ESPN

 

saiba antes via instagram @maisinfluenterevista