6.1 // denise prado

Pepé – O palhaço brasileiro de Abu Dabhi

Existe uma expressão muito divertida e que serve para muitas ocasiões: “Estou na mão do palhaço”. Eu particularmente adoro ficar na mão do palhaço, principalmente se esse palhaço for o Pepé Jardim, trinta anos, Paulistano, Virginiano e no horóscopo persa Avestruz e que atualmente faz o maior sucesso nos Emirados Árabes Unidos, em Abu Dhabi, no Parque Ferrari.

Pepé, é filho do Circo, cresceu no circo e logo descobriu que ser Palhaço é coisa séria e que para divertir, tem que ter responsabilidade, ética e respeito com o público.

Conheci seu trabalho aqui no Brasil há três anos quando assisti ao espetáculo “Quanto mais Bagunçado Melhor” de sua autoria e fiquei encantada em como ele conseguia fazer adultos e crianças interagirem e entenderem tudo sem falar uma palavra. Seus olhos, falavam, suas mãos falava, seu corpo expressava tudo o que queria de forma tão genuína que não precisa de texto. As gargalhadas e as exclamações do público diziam tudo.  Havia me deparado com o Chaplin Brasileiro, foi exatamente assim que o vi e senti. Começo o nosso papo perguntando:

Quem é o Pepé? “Pepe é um artista Brasileiro, palhaço, ator cômico, ator de comédia física que está por aí, trabalhando pelo mundo. Jogadão”.

Como se descobriu na profissão? “A profissão me descobriu no final da década de 90 no Brasil. O circo estava em Curitiba e aconteceu de abrirem o espaço para começar a fazer o palhaço, foi natural, quando eu vi já estava fazendo. E já faz um tempinho que estou nessa jornada. Foi mais o Circo que me escolheu do que eu escolhi o Circo. Aconteceu”.

Pepé já andou muito desde então, passou por vários países, se aventurou por Circos nos EUA, México, Canadá, Emirados Árabes, colhendo e trocando experiências.  Hoje em Abu Dabhi, pergunto como está sendo viver e trabalhar por lá. “Aqui nos Emirados é uma experiência, construtivista, porque temos contato com uma parte do mundo que na América do Sul  a gente não chega a conhecer. Aqui a gente conhece a cultura do Golfo Persa, tem muita gente da Península Arábica, dos Países Árabes, da Europa que vem prá cá, dos russos, Eslavos, Paquistaneses, Indianos, muitos Asiáticos que vem prá cá com muita frequência. Daí ter que   apresentar adaptando a nossa arte prá eles, é um desafio muito interessante. As vezes da certo e as vezes não dá, a gente vai tentando e se adaptando. Às vezes é até frustrante. Preparo a apresentação esperando uma reação e não acontece do jeito que eu esperava, e aí é compensador porque a gente faz isso funcionar muito bem. É difícil entender tudo isso agora, acho que no futuro é que vai dar para saber o quão realmente  foi construtivo e  qual é a recompensa de tudo isso, porque agora  a gente não tem como saber. Mas o futuro vai dizer o quanto essa experiência foi boa.”

Temos assistido no Brasil uma debandada, várias famílias e profissionais de diversas áreas tentando ir para outro país em busca de mais segurança, de mais qualidade de vida, de mais respeito.  Para o Pepé o Brasileiro é respeitado em qualquer lugar. “O Brasileiro está descobrindo ainda o que é ser Brasileiro, a nossa nação é muito jovem. Aqui a gente vem lidando com pessoas de países muito antigos, como os Persas, os Indianos, os Chineses e eles tem outra visão do mundo. Até a galera da Península Arábica do Golfo Persa. Eu sempre falo que o Brasil não chegou nem na adolescência, e o Brasileiro está passando por esse processo, e a gente ainda tem muito chão e muita coisa para descobrir. Na verdade eu não sou muito nacionalista, não tenho essa coisa de levar o Brasil comigo o tempo todo, eu sou eu e eu estou aqui, não fico me apoiando no nacionalismo, não fico levando a bandeira do Brasil no meu espetáculo, mas me identifico com a cultura, com o país.

Não sou o Paulista, ou o cara do bairro da Mooca, mas é lógico que a gente se identifica e quando aparece um Brasileiro, seja carioca, baiano, mineiro a gente conversa, se interage, sente saudade, mas não é a bandeira que eu levo para a minha vida. A arte prá mim está acima do nacionalismo. A cultura sim, a nossa cultura é muito rica e ela é respeitada. Obvio que tem os estereótipos do futebol, que as pessoas conhecem as coisas mais superficiais da nossa cultura, mas também conhecem o outro lado do Brasil. Em relação à cultura, a nossa dá de mil em outras culturas de tão profunda  que  é, mesmo aqui  com relação ao Golfo, que é um País muito jovem es está próximo de países muito antigos.  O País aqui só tem 45 anos, mas ele já foi a Pérsia, já foi à Arábia, está perto da Turquia, da Grécia, da Índia, do Paquistão, então, se puxar a capivara daqui desse lado vai longe também, mas a nossa cultura dá de mil na deles principalmente na questão de variedades. “Mas o Brasil é muito maior”.

Pepé é um cidadão do mundo, acho que quem vive no circo é assim mesmo, faz do lugar onde está no momento a sua casa, e ali procura fazer a sua rotina, seus amigos e todos acabam virando uma grande família. Mas sua família de verdade está aqui no Brasil, e vive nesse momento no Circo Spacial, onde sua mãe Marlene Querubim comanda a trupe com pulso firme e ao mesmo tempo com a doçura de uma mãe que vira mãe de todos.  Ele diz que vai voltar, mas se precisar vai de novo pra onde tiver que ir. “Não tenho plano para ficar em lugar nenhum, a vida de nômade é assim, a gente não está nem preparando o dia de amanhã, hoje estou aqui tranquilo, quem sabe amanhã estou no Brasil. Lógico que quero voltar para o Brasil, fazer muitas coisas ainda, criar, quero fazer. Mas não fico aqui com depressão pensando que o país está assim, em uma situação que não esteve antes, isso aí passa, vai uma crise, e vem outra, e é assim, se analisarmos a história, já tivemos muitas crises. A roda da história não para, é bola prá frente é seguir em frente.”

Fiquei imaginado o que é viver em uma cidade que foi eleita a mais segura do mundo e de repente voltar para o Brasil e deparar com toda a insegurança que se instalou por aqui. Pepé conta que foi um choque mesmo, mas em contrapartida, tem coisas que só aqui existem, só a nossa terra pode oferecer. Alem dos prédios maravilhosos, e a segurança de Abu Dabhi, não existe nada que se compare ao Brasil.

Pra terminar o nosso bate papo, peço ao Palhaço Pepé que fale da sua influência que prá mim é nítida que vem do Chaplin. “O Chaplin influência todo mundo, artistas, jornalistas, escritores, seres humanos. O cara marcou a história do século XX, ele não está mais nem no nível de palhaço, ele é uma personalidade da história da humanidade. Faleceu também outro mito da comédia o Jerry Lews e na minha influencia pode considerar chapiliniana, Sheksperiana, Helenico, são tantos, mas o Chaplin está no panteão dos Palhaços.

“A Arte tem uma influencia que a gente não tem noção, acerta as pessoas emocionalmente e fica prá sempre.”

Que Pepé Jardim volte logo e seja o Palhaço Mais Influente e inspirador para os novos Palhaços que estão nascendo.

saiba antes via instagram @maisinfluenterevista