6.1 // denise prado

Os juízes de plantão

Estamos vivendo em um mundo onde deliberadamente as pessoas se acham no direito de tripudiar da fragilidade do outro, onde se acham juízes como se nunca tivesse cometido um deslize na vida.

Quem nunca bebeu?

Quem nunca mentiu?

Quem nunca traiu?

Quem nunca fez estripulias do tipo perder o rumo em uma festa, balada, evento ou até mesmo em um momento de decepção ou tristeza se “jogou” sem pensar nas consequências?

Ora, vamos agora por a mão na consciência, puxar pela memória e parar de hipocrisia, parar de julgar o próximo e ao invés disso usar a empatia e tentar se colocar no lugar de quem está vulnerável naquele momento em que comete quaisquer deslizes.

Essa semana o ator Fábio Assunção sofreu uma enxovalhada de críticas dos juízes de plantão que ficam com seus celulares a postos para disseminar inverdades, discórdia e o pior, plantar sensacionalismo, esquecendo que o ator é pai, marido, profissional, um Ser Humano que está sujeito a qualquer situação como qualquer outro Ser Humano.

Nesses momentos me pergunto se a arte imita a vida ou a vida é que imita a arte. Assistindo as imagens que foram publicadas incansavelmente nas redes sociais, me deparo com a doença que está acometendo o ser humano: o vício por ser portador da infelicidade alheia, da fraqueza, da vulnerabilidade do outro a qualquer custo. A mesma pessoa que tem o prazer de expor exaustivamente a cena onde Fábio Assunção aparece alterado, é o fã que em outra ocasião pode estar ali pedindo para tirar uma foto para também postar na rede como um troféu. Esse é o ponto. Não importa o conteúdo, o que importa é o troféu, são as visualizações. Não importa se esse gesto vai afetar a vida pessoal do Homem Fábio Assunção, do cidadão.

Isso está ficando fora de controle. Será que vamos ser reféns de nós mesmos com essa loucura de expor tudo nas redes? E vejam bem. Não sou contra as redes, faço uso delas, tenho uma página, a minha coluna está aqui em uma Revista online, tenho um canal no youtube, tenho página no FB, tenho instagran, Twitter, Linkedin, enfim hoje faz parte da vida, não há como fugir. Mas daí a achar que isso o torna juiz, que dá o direito de publicar o quer, sem medir as consequências, sem apurar os fatos, sem a menor empatia, sem se colocar no lugar do outro antes de sair expondo o seu semelhante, só me faz crer em uma sociedade doente e sem limites.

Em que momento o fato de ser um ator da Globo o faz diferente de qualquer ser humano que em uma festa bebe e se excede? É possível ouvir em uma gravação uma pessoa dizer a seguinte frase: “Fábio Assunção acabando a festa de Arcoverde. Fábio Assunção passando vergonha. Olha a situação de um ator da Globo”.

Vergonha é a falta de empatia, a falta de decoro de sair julgando como se estivesse acima do bem e do mal. Olhem para as suas atitudes, duvido que em Arcoverde no meio de uma festa junina onde as pessoas bebem mesmo, não existam brigas, confusões, gente que sai pela rua sem qualquer discernimento depois de uns bons quentões.  Até em festa de família muitas vezes acontecem confusões, mas o ator da Globo não pode…

Que esses Juízes de plantão sejam os Mais Influentes para que de uma vez por todas os Fábios e tantas outras pessoas que são vitimas dessa rede mereçam a solidariedade e empatia ao invés de julgamentos.

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