6.1 // denise prado

O deserto de cada um

Quando falamos em Deserto, imaginamos muita areia, calor, falta de água, aridez…  temos dentro de nós esse Deserto, só que não percebemos, não olhamos para o nosso deserto interior.

Essa semana está estreando no Brasil, o Filme Deserto, produzido pela Bananeira Filme e dirigido pelo talentoso ator Guilherme Weber que faz sua estreia como diretor. O filme está há um ano no circuito de festivais nacionais e internacionais e já ganhou prêmios de melhor direção de arte no Festival de Brasília, melhor direção no festival de cinema de Los Angeles, participou da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e por ai vai… e acreditem todos os prêmios muito merecidos.

Deserto despertou em mim uma reflexão sobre como estamos vivendo atualmente. O egoísmo pela sobrevivência acaba por fazer com que esqueçamos o olhar para o outro, o instinto de sobrevivência pode acordar o pior de cada um, pode trazer a tona a densidade, o medo e ao mesmo tempo a compaixão, o amor desmedido, o sexo desvairado a ambiguidade do ser humano, a dualidade que habita dentro de nós.

O Filme Deserto, é Ame ou Deixe, não dá para ter meio termo, não dá para ser mais ou menos.

Quando se está em uma situação tão adversa, também pode se encontrar a poesia, o humor, a arte. E é assim que o filme vai sendo desenhado através de um grupo de artistas que juntos caminham por paisagens inóspitas sem perder a alma e a esperança. E como na vida real, vestem seus personagens para então vencer o desafio de viver dia após dia em meio de toda essa dualidade da vida que ninguém, ninguém mesmo escapa.

A forma como a história de cada personagem é mostrada confirma os monstros que habitam dentro do ser humano independente da sua vontade, a inveja que levada as últimas consequências se torna trágica, a carência que desperta o desejo sem limites, regras e lógicas, o poder que faz com que se torne juiz ultrapasse todas as fronteiras do bom senso, a ilusão que faz acreditar que tudo é possível e que acaba revelando a nossa essência, o instinto que torna o nosso lado bicho mais visível e por fim a catarse total.

Os simbolismos são muitos, a água pura que jorra da fonte mostrando o quanto vamos sendo contaminados e assim nos enfraquecendo até secar como a fonte. Uma das cenas mais fortes prá mim, uma imagem apenas uma imagem pode falar por mil palavras.

Minha dica é para que assistam essa obra de arte, que se deixem levar por todos os sentimentos que despertarão dentro de vocês, se deixem levar pela bela fotografia, direção de arte e caracterização, que percebam as sutilezas dos olhares e gestos desses atores maravilhosos que tiveram o privilégio de serem dirigidos pelo sensível e competente Guilherme Weber.

Desejo que Deserto seja o Mais Influente filme dessa temporada inspirando as pessoas a olharem para dentro,irem para o seu deserto avaliando suas atitudes e se reinventando e se recriando para seguir em frente com mais empatia e amor.

 

Serviço:

O Filme entrou em cartaz no circuito Nacional dia 14 de setembro nas principais salas do País.

Foi inspirado na Obra Literária “Santa Maria do Circo” do premiado escritor mexicano David Toscana.

Roteiro: Guilherme Weber e Ana Paula Maia

Direção: Guilherme Weber

Direção de Arte: Renata Pinheiro

Cenografia: Karen Araújo

Fotografia: Rui Poços

Figurino: Kika Lopes

Caracterização: Marlene Moura

Trilha sonora e música original: Luiz A. Ferreira e Rodrigo barros Del Rei

Produtora: Bananeiras Filmes

Elenco: Cida Moreira, Lima Duarte, Márcio Rosário, Fernando Teixeira, Magali Biff, Pietra Pan, Everaldo Pontes e Cláudio Castro

saiba antes via instagram @maisinfluenterevista