6.1 // denise prado

O Ator em sua Essência

Nos conhecemos em 2010 no Rio de Janeiro, na Ilha da Gigóia no Condomínio dos Coqueiros. Uma espécie de Vilarejo, com as casas todas muito próximas, um lugar de artistas, poetas, músicos, bailarinos, produtores musical e eu ali, encantada com aquele pedaço de terra que parecia ser outro Rio de Janeiro. Uma festa constante, arte o tempo todo, bichos e gente misturados em total harmonia com a natureza.

Depois de anos sem nos vermos, e acompanhando pela mídia e rede social a trajetória desse artista Pernambucano com alma Carioca, chego em sua casa e sou recebida por Allan em seu momento intimo, do dia onde em frente ao altar budista ele praticava o Nam Myoho Renge Kio, que recitado em voz alta. A natureza de Buda se revela e se alegra e nos acompanha. Ele puxa uma cadeira, e faz o sinal para que eu recite com ele, e assim começa o nosso encontro.

Ele abre seu coração e sua casa e me conta que tudo começa no Recife, ouvindo os batuques Pernambucanos dos ensaios de Chico Science, que era vizinho da sua avó. Estudante do Salesiano, foi fazer pintura – “ Mas não deu certo, era muito parado pra mim, ai comecei a fazer o Conservatório de Música, estudando bateria e Percussão, tive banda de rock, de pagode… e fui tocando. ”

Mas na verdade, Allan já estava predestinado a tocar, cantar, representar, pois seus pais se conheceram no Rock In Rio, no show do Queen e claro que lá em cima viu aquele casal cheio de amor e energia e disse: “Quero nascer aí, é aqui que vou me jogar, meu karma positivo”… (risos)

Seu sonho era morar no Rio, influenciado pela avó, ele foi sem saber o que queria. Apenas tinha uma imensa vontade viver na Cidade Maravilhosa. Chegou e foi apresentado por um amigo músico ao Grupo TAP – Teatro de Amadores de Pernambuco, onde começou a fazer teatro e como ele diz: “Através do Teatro, dos personagens que interpreto expurgo meus demônios…”

Ali no Coqueiros, escreveu seu primeiro filme Ópio, onde aliás, por conta de tantos artistas morando juntos tinha uma loucura deliciosa, e, de vez em quando ele chegava aos gritos, e saiamos todos das nossas casas, e ele estava apenas se expressando.

Hoje esse Allan está mais tranquilo, mais calmo, mais maduro, praticante do Budismo, metódico, mais silencioso: “Existe uma grande diferença entre falta de privacidade e invasão de privacidade. O Artista vive em constante falta de privacidade, mas cabe ao artista limitar a invasão da privacidade. Eu como ator vou em busca do reconhecimento e tomo cuidado com a exposição, principalmente quando se está no ar na TV, que amplifica muito essa exposição. ”

Esse escorpião, com ascendente em escorpião, lua em escorpião, prestes a fazer 31 anos, está curtindo seu bom  momento profissional com prêmio de melhor ator no Festival de Gramado pelo curta “O que teria Acontecido ou Não Naquela Calma e Misteriosa Tarde de Domingo no Jardim Zoológico” que também dirigiu e produziu, papel de destaque em novela global, “A Regra do Jogo”, contracenou com Sonia Braga no Filme “Aquarius”, espetáculo “Dedo Podre” em cartaz e viajando e será o protagonista do filme “jogos Clandestinos” que estreia em 2017. Ufa! Que maravilha e tudo isso em apenas dois anos…

“Eu não falo da minha vida pessoal, mas falar do Budismo, que faz parte da minha vida pessoal, eu acho que interessa, falo do budismo, da minha relação com a natureza, a gente vive em rede social, as pessoas te analisam, te avaliam pela rede social, se você não tiver cuidado com isso, a tua imagem é destruída rapidamente, você demora tanto tempo para construir e por uma simples circunstância, pode ir tudo para o saco, por isso tenho muito cuidado!”  (ASL)

Allan Souza Lima é um Ator em sua essência, a prática do Budismo influencia muito no seu dia a dia, no seu trabalho e descobriu que está tudo dentro – “Eu sou meu Deus!”

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Fotos: Divulgação

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