6.3 // henrique narita

Não percamos a oportunidade!

Olá amigos! Escrevo de Maringá, no Paraná onde disputo a Copa do Brasil de Tênis de Mesa. Não reduzindo o grau de seriedade e importância deste torneio, é sempre uma grande satisfação aproveitar o evento para rever amigos de todas as partes do Brasil e também iniciar novas amizades.

Na última quinta-feira, consegui a terceira colocação na disputa da categoria denominada “rating A”, que agrupa os melhores jogadores do país. O torneio ainda não terminou e possivelmente quando esta coluna for ao ar, estarei disputando o “absoluto A” que basicamente reúne os mesmos jogadores. Desde já agradeço a todos que acompanham os jogos torcendo ou não por mim. O simples fato de poder proporcionar visibilidade maior a esse esporte, tem me motivado muito.

Aos que me seguem pelo Facebook puderam perceber que a terceira colocação que mencionei, embora honrosa e bastante difícil de ser atingida, não me deixou plenamente satisfeito. Peço que não confundam isso com soberba, nem tampouco com desmerecimento aos meus adversários, os quais parabenizo pela excelente performance.

Ocorre que à partir do momento em que alguém atingiu certo nível de êxito em algo, obter algo menor não te satisfaz plenamente. Já fui campeão em várias Copas do Brasil e como já tive esse “gostinho” , claro, tinha como objetivo atingi lo novamente. E não sei, mas acho que é mais ou menos assim na vida de todos. Por exemplo, uma pessoa que já ocupou um cargo de alto escalão, pode não ficar tão satisfeito em ter seu grau de hierarquia reduzido em uma nova colocação. O inverso também vale, alguém que nunca conseguiu nada de empolgante na vida, pode se contentar ao atingir uma posição que lhe dê certo status.

A questão que quero trazer com isso é que, conforme tenho tentado trocar por este canal com vocês, é a forma que estamos preparando as nossas crianças para esses momentos, que certamente existirão no decorrer da vida. Como elas irão encarar esse tipo de situação e como poderão ou deverão agir nos casos em que as expectativas não são forem atingidas ou até mesmo nos casos de infortúnios na vida. Sim, sei que todos já devem ter lido frases como “temos que aprender”, “temos que levantar a cabeça e seguir em frente”, existe a célebre parte da música “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”… Tudo isso, na minha opinião está bastante correto e é sempre bom ouvir algo motivador no momento que mais precisamos, mas sinceramente, está longe de ser o suficiente.

Tenho trabalhado no objetivo de massificação do tênis de mesa, visitando kaikans, conversado com professores de educação física de ensino fundamental e médio, e até já comentei assuntos relacionados em colunas anteriores. Nesta copa, observei a disputa das categorias da criançada. É muito boa a sensação de ver um grande número de crianças jogando em alto nível técnico. É muito gratificante ver que algumas delas, acompanho desde seu início no esporte. Estão todas elas de parabéns, independente de colocação ou performance.

O que não está tão de parabéns assim, é a conduta de um ou outro dirigente de equipe e até mesmo a conduta de alguns pais em suas posturas. Seja com cobranças excessivas, seja com formas inadequadas de torcer ou até mesmo em condutas antiesportivas.

Temos a responsabilidade e a oportunidade de contribuir para, muito mais que bons mesatenistas, formar boas pessoas. Quero chamar a atenção para que não percamos essa oportunidade. Vencer um jogo ou torneio não pode estar acima de tudo.

Aliando o que tenho visto nessa Copa (ainda bem que são pequena minoria) e com minhas percepções nos clubes de tênis de mesa, kaikans, etc, resolvi abordar esse tópico. Vejo equipes de kaikans por exemplo, tratando como “ídolos” crianças que jogam bem, e cobrando deles posturas (guardadas as devidas proporções) como a que vemos de jogadores famosos de futebol. Crianças outrora “desprezadas”, agora porque jogam bem tornam-se a melhor criança do mundo, independente de seus atos, ou seja, basta jogar bem, que conquista status e vira uma ótima criança. Já presenciei dirigentes de kaikans cobrando e repreendendo, sob um disfarce de grande conselheiro, adolescentes do porquê dormiu tarde na noite anterior a disputa de uma etapa da liga nipo brasileira de tênis de mesa (torneio amador de grande sucesso em São Paulo), não pela preocupação com a criança ou adolescente em si, mas simplesmente pelos pontos que aquela agremiação deixou de fazer naquela competição.

Não sejamos hipócritas, o esporte não resolve tudo, nem está perto disso. Mas temos que perceber a importância que o esporte pode ter na formação das crianças e na ferramenta excelente que pode ser no auxílio a educação delas. As crianças devem ser acima de tudo, crianças. Devem sim além de estudar e cumprir suas obrigações, brincar e se divertir muito. Adolescente idem, devem curtir o seu momento da vida, devem se divertir, devem sair com amigos sim. Claro que a alta performance esportiva exigira alguns sacrifícios, mas que não seja o sacrifício de não viver.

Então, volto a dizer, temos a oportunidade de fazer o bem com o tênis de mesa. Vamos massifica-lo, mas os fins não justificarão os meios. Amigos técnicos, dirigentes de equipes profissionais, dirigentes de kaikans, pais de atletas amadores ou profissionais, não percamos a oportunidade de contribuir na formação de boas pessoas!

Me escrevam para soutenisdemesa@gmailm.com !

Um abraço e até a próxima!

saiba antes via instagram @maisinfluenterevista