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Ricardo Hida: Lowsumerism, você já aderiu?

Imagine-se em um cenário luxuoso. Sem nenhum tipo de limitação. Como se sua conta bancária não representasse nenhum obstáculo a realização de seus sonhos. Pronto? Qual foi o resultado? Você se viu em um dos mais tradicionais hotéis parisienses com muito veludo, muito dourado, muitos cristais e espelhos? Ou você está em uma praia paradisíaca nas Maldivas com areia branca e água turquesa? Em qualquer das situações, você está com joias caríssimas e roupas de grife?

Para os adeptos do novo luxo, você poderá estar vivendo uma realidade cafona. Depende do seu prazer e da sua plateia.  O novo luxo não tem necessariamente a ver com a ostentação que foi uma marca dos últimos anos. Para as pessoas mais ricas do planeta e que usam seu dinheiro para bem viver, luxo é poder fazer o que lhe dá mais prazer sem ter que necessariamente depender da aprovação, do aplauso e da admiração dos outros.

Assim, ter a possibilidade de ficar em casa, lendo seu livro predileto, vendo aquele filme que você tanto gosta, junto das pessoas queridas, com uma sensação de plenitude e felicidade,  sem ter nenhum tipo de preocupação é a
representação mais perfeita do novo movimento de luxo.
Isso não quer dizer que ter joias incríveis, roupas lindíssimas, carros velozes com tecnologia de ponta e viagens para lugares cinematográficos não possam ser também parte do universo do luxo. Desde que isso tenha a ver com
prazer pessoal e não com exibicionismo, aprovação alheia e insegurança.
O luxo é uma experiência. É viver em plenitude. Obviamente sem que isso represente um problema para o meio ambiente, para as futuras gerações e para a dignidade humana.

Há quem diga que ter e não poder mostrar não faz sentido. Justamente os novos criadores do luxo querem se aproveitar de tudo o que o homem produziu, da excelência e da tradição para gerar o que os franceses chamam “joie de vivre” (alegria de viver).

O luxo justamente é o avesso do consumismo. Produtos luxuosos são para a eternidade. Paga-se muito para usufruir por um tempo enorme. Bolsas, joias, obras de arte que passam de gerações a gerações. Lowsumerism (menos consumismo) é o avesso das fast fashion. É voltar a fazer roupas exclusivas, sob medida, em alfaiates e costureiros. É não ser um outdoor ambulante de marcas. É não ter que enfrentar filas em restaurantes e checkin de aeroportos, é ter exclusividade. É sobretudo ter sua intimidade preservada. Não ter de ser visto, fotografado ou gravado por nenhum gaiato profissional ou amador.

O lowsumerism é a volta do bom gosto tradicional. Como aqueles nobres ingleses, do seriado Downton Abbey, em que a elegância se mostra atemporal e a discrição, fundamental.

Ricardo Bueno Hida é diretor da Promonde. Foi diretor de um hotel de luxo, executivo da Air France e Diretor Adjunto do serviço de turismo da Embaixada da França. Dirigiu a comissão de turismo e gastronomia da CCFB e Britcham.

RICARDO BUENO HIDA, AKINDEMI

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