6.1 // denise prado

“Eu sou um jardineiro – Meu jardim é de encantos”

Sempre me pego pensando o que é ser “artista”? E imediatamente respondo a mim mesma: “Ser artista é simplesmente ter alma criativa, ter a sensibilidade de perceber a beleza em tudo que o Universo disponibiliza para a construção dos personagens que a todo o momento somos da nossa própria vida”.

Eu conheço alguns artistas assim. Eles saem de seus casulos como as borboletas e de repente promovem encantamentos inesperados.

Carlos Henrique Duarte é um arquiteto natural, um artista que trouxe a natureza, e a sensibilidade do índio, para o urbano, foi usando sua intuição e criatividade que marcou seu território nas vitrines que decorou, nos editoriais de moda, nos anuários de decoração e noiva que dirige, nos projetos especiais de grandes veículos, nas festas que ambienta, no carnaval da querida Vila Isabel no RJ e até na beleza, pois é um exímio cabeleireiro e maquiador. Ufa! E ainda dizem que isso não é ser “artista”. O Artista é múltiplo, pode ser quem ele quiser ser, pode pintar atuar, cantar, dançar, ser um malabarista ou palhaço. Pode ser o entregador de pizza, o bancário, o motorista, a secretária do lar ou do escritório, o arquiteto, o pai, a mãe, enfim o Ser Humano é por si só um artista. E quando escuto a história de alguém como o Carlinhos (como é conhecido entre os amigos e parceiros), fico mais convicta disso.

“Saí muito cedo da minha terra, sou de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, sou do tempo que o Mato Grosso nem era dividido ainda. Tenho 55 anos e tenho uma história muito complicada de início vida. Eu queria fazer faculdade de artes plásticas, mas naquela época em Mato Grosso, não havia como, só tinha no Rio de Janeiro. Então para me desenvolver, o único jeito foi parar de estudar e eu parei de estudar e eu tive que trabalhar, comecei com 13 anos fazendo vitrines, e eu sempre tive por perto grandes pessoas da minha terra, eu gostava de me envolver com pessoas bacanas, talentosas, viajadas, artistas e pensava :- eu não vou ficar nessa terra, uma hora eu vou para o Rio de Janeiro em busca do meu sonho, e eu nem sabia qual era o sonho, porque eu não tinha descoberto essa vocação.  Foi uma época muito bacana, eu ganhava dinheiro fazendo vitrines em Mato Grosso, era legal, porque tinha Boutiques, não havia Shopping na cidade e ai fui decorar o Salão de Beleza de uma amiga, eu tinha uns 16 anos e  me apaixonei pelo universo do salão, fui me interessando, fui lavando um cabelo, e depois quando vi já sabia pintar, cortar e aprendi muito. Eu achei tão fácil,  não fiz curso nem nada, mas corto um cabelo bem, faço uma maquiagem bem também.”

Carlinhos tem uma alma criativa é inspiradora e por isso, não podia ser diferente, foi parar em Salvador, a cidade onde “a pessoa não nasce ela estreia”.  Chegou na Mãe Menininha do Cantoá, e assim como ele mesmo diz: “Conheci  o outro universo, o encanto que é o  Candomblé. E ai, mais uma vez eu tive a oportunidade de conhecer gente bacana, artistas, jornalistas e um diretor de teatro, fui me apaixonando por tudo isso. Comecei a estudar o Candomblé e ali pertinho de mim estava Vinícius de Moraes  morando no Rio Vermelho, eu fui atrás daquela magia da Bahia, dos poetas, dos músicos…”

Quando a gente tem um sonho deve correr atrás dele, ou ir construindo os degraus um a um para se realizar esse sonho? Eu não sei o que é certo ou o que se deve fazer, acho mesmo que não existe uma fórmula, mas acho que a trilha escolhida é o que importa, como diz Carlinhos, “os índios vão pelas trilhas” e ele trilhou o caminho seguindo a sua alma de Saltimbanco. Foi de Salvador para o Rio de Janeiro direto para a Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, lá ele fez de tudo um pouco dentro da escola, carro alegórico, adereços, fantasias, cabeças e esplendores, o que virou uma paixão: “O carnaval é muito legal porque você tira tudo do desenho, tira da letra do samba, tem que viajar nessa piração de ter que tirar tudo de um samba enredo e colocar no papel de acordo com tema. É apaixonante”.

Apaixonante mesmo é ficar ouvindo as histórias. O índio volta para casa aos 23 anos, monta um salão e ali nesse salão era o lugar que ele mesmo ficava quem quisesse encontrá-lo tinha que procurar nas festas, nos casamentos, onde tivesse uma noiva se arrumando, nas vitrines que estavam sendo preparadas. Foi descobrindo que suas habilidades estavam aumentando a  sua vontade de criar que era maior do que imaginava, e acabou parando na política, fez marketing político para candidatos em Mato Grosso, cuidava da imagem do candidato e dos cenários que seriam gravadas as propagandas. Mas Mato Grosso ficava pequeno… e mais uma vez, sua alma de Saltimbanco grita: –  Me leva daqui – , e ele vai seguindo seu instinto. Começa a se interessar por moda e descobre o mundo das Revistas. Eu já escrevi aqui sobre ter coragem e que coragem, vem do grego agir com o coração. Nesse caso, além da coragem havia determinação e tranquilidade para ir subindo os degraus. Carlinhos, inovou e chegou onde queria, é um dos maiores “Produtores Visual”, como ele se denomina, hoje em São Paulo. É responsável por dois anuários importantes: Decoração e Noivas que sai pela Editora Caras e a todo o momento é convidado para levar a sua sensibilidade artística para alguma festa, casa, editorial de moda, e até vitrines como no início de sua jornada.

Peço a ele uma dica de verão, para deixar os ambientes da casa mais frescos: “No caso de estar vivendo em uma metrópole, dificulta um pouco mais, se você mora em uma casa, com janelas, portas e varanda voltadas para um jardim, você joga uma mangueira e refresca as plantas, enfim a proximidade do jardim da casa acaba refrescando. Em São Paulo, em apartamentos, eu acredito muito na roupagem, isso foi uma coisa que aprendi fazendo troca de show room. No inverno era uma cor, ah, chegou o verão, vamos tirar tudo, vamos trocar as capas do sofá e das almofadas, papel de parede, que hoje está mais acessível. Trocar de objetos na casa, mudar, mudar, e mudar sempre. Plantas e flores naturais. Existem hoje vasos de fibras que imitam vasos antigos, um material leve trazido pela Cia Vasos e que facilita para ter alguns tipos de plantas como Ráfia adulta, composição de três ou quatro tipos de espada de São Jorge, que são plantas que ajudam a energizar e limpar a casa. E flores naturais, não gosto de usar nada artificial, as flores tem o tempo delas, morrem no tempo delas, e aqui no Brasil temos muitas espécies de flores, que liberam um aroma que refresca, que se você junta com incensos cítricos e frutas, ajuda a passar bem esse verão. E  na minha terra ainda usamos o tereré  que é um chá gelado servido com gelo.” (risos)

E esse artista da natureza, encerra deixando uma mensagem que com certeza é Mais influente do que nunca para nos inspirar a seguir em frente: “Quando você tem um propósito de vida, você cria um caminho, quando você está bem nesse caminho, aquela energia toda vem e atravessa na sua frente, tudo o que está pré -destinado para você, não é você que cria, sonhar é gostoso e não custa nada, mas você tem que correr atrás, tem as encruzilhadas da vida. Mas eu tenho esse axé, esse fundamento da vida, se você está infeliz, traça outro caminho, escolha outra estrada, todo mundo pode mudar o caminho, não precisa ficar em uma estrada de pedras.”

Carlinhos é proprietário da CHD Produções e seu contato é: chduarte@uol.com.br

As fotos e a entrevista foram feitas na Baccarat.

saiba antes via instagram @maisinfluenterevista