6.1 // denise prado

Divinas memórias

Quem tem história para contar deve contar mesmo e tentar de alguma forma eternizar e não deixar a memória se esvair. Em um País que se derrubam prédios históricos, que se picham monumentos, que artistas que contribuíram para grandes momentos e movimentos artísticos são esquecidos, onde jovens debocham descaradamente e desrespeitosamente de pessoas que fizeram história, a única esperança é que uma minoria bem criada, bem intencionada e principalmente agradecida se utilize da sétima arte para não deixar cair no esquecimento nomes que foram responsáveis pela grande transformação que vivemos.

Conheci Leandra Leal em 1994, andando pelo Teatro Rival, quando tive a honra de trabalhar como produtora ao lado do produtor artístico Wellington Lima a convite de sua mãe Ângela Leal. Naquele momento, quando entrei no Teatro Rival e soube de sua história, fiquei mais empolgada ainda, estava pisando em um templo, que trazia uma energia artística única, um palco que havia abrigado os shows mais ousados para a época, que estava a frente e que havia projetado muita gente.

Esse fim de semana assisti  Divinas Divas, uma mistura de filme e documentário que já está sendo super bem comentado por todos, sejam críticos, público, artistas, não importa, o que importa é que é emocionante, vibrante, e resgata a história de um tempo. Fiquei pensando na memória afetiva da Leandra, em como ela foi elaborando essa ideia, pois a homenagem não é só para a sua família, ou para as Divas, a homenagem é para a época, é para o Teatro. Quando ela conta sobre a sua infância, ali nos bastidores, desculpem a ousadia, mas não pude deixar de me lembrar dos momentos em que vivi ali com os meus filhos que também passeavam pelas coxias, só mudou a época, pois a cena era praticamente a mesma. Um momento marcante foram os shows da maravilhosa Cássia Eller e a estreia do Paraibano Chico César no Rio de Janeiro. Meu filho de apenas sete anos, ficava lá no camarim, apaixonado e quando começavam os shows ele assistia ali bem pertinho do palco. E foi assim durante toda a temporada que estivemos no Teatro Rival.

Divinas Divas me transportou no tempo, me inspirou e reafirmou o desejo de contar histórias para que as gerações não se percam, e saibam que para estarem um pouco mais  confortáveis em suas escolhas, pessoas lá atrás romperam barreiras, ultrapassaram fronteiras, se desnudaram, deram a cara para bater literalmente.

Em um mundo cheio de pré-conceitos onde a empatia é uma raridade, onde a juventude não se liga nas histórias e sim no que rapidamente passa pelas redes sociais, onde se pulveriza sentimentos, onde tudo está tão raso,  aparece essa obra prima inspiradora criada e dirigida por uma menina mulher que conheci criança e que com uma sensibilidade e gratidão insiste, resiste e traz à memória essas Divinas Divas que fizeram história e com certeza se tornaram As Mais Influentes corajosas artistas da sua geração.

Divinas Divas está em cartaz em diversos cinemas do país dentro de um projeto da Petrobrás onde o ingresso custa no máximo R$ 12,00, uma iniciativa linda para que todos tenham acesso a cultura e a história. Eu recomendo!

 

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