6.1 // denise prado

Cidade dos homens? Cidade de Deus? Cidade de quem?

A vida e arte se fundem o tempo todo. Filmes são feitos baseados na vida real, em histórias reais e todos somos parte desses filmes, as nossas vidas se confundem com os personagens que encontramos dia após dia em nossas jornadas.

Fim de ano, as emissoras de TV colocam no ar suas retrospectivas, mostram as tragédias, mostram as pesquisas que evoluíram, mostram a vida vivida.

Início do ano, tudo o que queremos é ter esperança, esperança de uma humanidade cheia de empatia, uma humanidade pacífica e menos egoica, menos leviana com o próximo, afinal somos da mesma espécie. HUMANOS!

Mas infelizmente as notícias continuam nos revelando o descontrole emocional de uma raça, nos deparamos com “pessoas” sendo mortas por simplesmente ajudar “pessoas”, nos deparamos com a insatisfação e omissão de “Pessoas” para com “Pessoas”.  Diante da impotência, usamos as redes sociais, e as emissoras através das telenovelas, seriados, minisséries, e documentários tentam fazer com que as “Pessoas” percebam que esse caminho não é o melhor ou infelizmente estimulam mais violência.

A Cidade dos Homens, não está na TV, está diante dos nossos olhos e se prestarmos atenção, o filme é ao vivo, pra quem quiser ou não participar.

Hoje à tarde, no Metro de SP, assisti chocada a um filme ao vivo. Dois agentes do Metro, abordando um rapaz no vagão onde eu estava, acusando-o sem prova nenhuma de estar comercializando produtos no Metro. O rapaz portava uma mochila pequena e estava quieto, tentou desesperadamente se defender, disse que não havia nada, mas foi arrancado do trem com violência e quanto mais ele tentava se defender, mas era imobilizado.

Eu como “Pessoa”, e jornalista, fui atrás, pois queria entender o porquê daquela abordagem. Em poucos minutos apareceram mais seis agentes, todos empoderados de seu poder de autoridade máxima. Não acharam nada na mochila do rapaz, pois não tinha nada para achar.

Quando perguntei a um dos agentes como ele havia chegado no rapaz, ele respondeu que recebeu um SMS. Oi? Como assim? As “Pessoas” foram ficando indignadas em volta. Eles tomaram o celular do rapaz e não o deixavam ligar para ninguém, só devolveram quando um coro de “Pessoas” gritou fortemente, “Devolva o Celular”.  Outro agente mais velho, ria da situação e mandava nós, mulheres, irmos pra casa. Debochava e perguntava se não tínhamos nada para fazer em casa. Mais arbitrariedade.

Saí de lá quando já não tinha mais nada a fazer, mas o rapaz já estava de posse do seu celular e da sua mochila. Saí me perguntando, onde vamos parar? Quantos mais ambulantes, estudantes e trabalhadores irão ser personagens de filmes reais como esse?

Por conta de um grito irresponsável e da total falta de capacidade humana de percepção, uma família perdeu seu ente querido no Metro de Londres, uma mulher perdeu seu marido no Metro de SP.

O que é Ficção e o que é Realidade?  Meu desejo para 2017 é que mais e mais Homens sejam Mais Influente promovendo a Empatia e o Amor!

Feliz 2017!

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