6.1 // denise prado

Bruta Flor – teatro de gente grande

Em tempos de tantas controvérsias e discussões sobre a diversidade, onde os veículos de comunicação e as redes sociais estampam a todo o momento cenas de violência e tensão quando as pessoas discordam seja politicamente ou sexualmente, onde o mundo se volta para as minorias que na verdade não são minorias e sim pessoas que fazem suas escolhas e corajosamente as expõem, onde viver está sendo uma aventura diária, me deparei nesta quarta feira com o maravilhoso espetáculo teatral “Bruta Flor”.Uma história que pode ser de qualquer Miguel, Lucas e Simone espalhados pelo mundo. Não dá para não repetir o que falei para o elenco ao terminar a peça – CORAGEM = AGIR COM O CORAÇÃO – foi isso que presenciei. Um elenco corajoso, determinado, mostrando através da arte a realidade crua e nua de muitos homens e mulheres que vivem o conflito da negação de si, do preconceito, do medo de ser julgado e com isso se machuca e machuca todos a sua volta, até a quem mais ama.Assistimos todos os dias seja pela novela, pelos programas jornalísticos, pela publicidade ou pelas redes sociais um empenho muito grande de mudar esse paradigma, de fazer com que cada vez mais se perceba o ser humano em sua plenitude, experenciando o amor pleno, genuíno assumido, sem máscaras, sem medo, apenas se aceitando e sendo aceito sem preconceitos.

Bruta Flor traz para o palco essa temática com verdade, e faz o pensamento ir longe. Na plateia ouvem-se os murmúrios de reações das pessoas com relação às cenas. Às vezes desconcertantes às vezes com compaixão por um ou outro personagem e até mesmo gargalhadas nervosas. E aí percebo a capacidade que o teatro tem de mexer com as pessoas, a verdade ali nua e crua tão próxima sem a separação que a tela do cinema ou TV proporciona.Na trama, os atores mergulharam sem rede de proteção em um texto denso que trata da homofobia internalizada e sua possível consequência trágica. A dramaturgia aborda o relacionamento de dois homens, Lucas e Miguel que se encontram presos em um lugar desconhecido e começam a relembrar a trajetória deles, desde a adolescência. Miguel vai estudar em Londres e eles se afastam. Após  10 anos, ele volta para o Brasil e reencontra Lucas no metrô. Um reencontro que traz à tona sentimentos que até então desconhecia. A relação vai ganhando contornos dramáticos envolvendo a aceitação da homossexualidade.

No elenco Fábio Rhoden, com extenso currículo em TV, Teatro e na Publicidade; Walkiria Ribeiro que iniciou sua carreira profissional no samba e depois fez vários trabalhos na TV; Pedro Lemos que brilhou como Tobias em Chiquititas no SBT e Erika Farias, que tem uma carreira como produtora, cantora e compositora além do seu talento pelo teatro. “Tenho orgulho e gratidão por essa equipe e elenco que resistiu a tudo e abraçaram o projeto, embarcaram na história e conduzem de maneira brilhante e apaixonada nosso texto”, comenta um dos autores da peça, Vitor de Oliveira. .

“O texto inédito chegou em boa hora porque eu queria muito falar sobre preconceitos e homofobia. A abordagem é profunda e há uma dose de espiritualidade. Soube de cara que era a peça que eu queria dirigir e pela receptividade do público, acertei”, conta o diretor do espetáculo Márcio Rosário.

Um viva a esses corajosos autores, diretor, elenco e equipe que fazem dessa Bruta Flor a Mais Influente inspiração para empatia entre os seres humanos.

 

saiba antes via instagram @maisinfluenterevista