6.1 // denise prado

ALAIR – UMA HISTÓRIA PARA PENSAR

Semana passada uma polêmica se instalou por conta da manifestação artística nua e crua no MAM, no SESC Santo Amaro O Evangelho Segundo Jesus – Rainha do Céu, também mexeu com muita gente.  Hoje na Coluna de Ancelmo Góis no Jornal O Globo saiu uma nota estarrecedora, assustadora para a cultura Brasileira:  Na minuta da regulamentação da Lei Rouanet, o ministro Sérgio Sá Leitão incluiu um artigo a pedido da bancada evangélica, que abriu uma janela a favor das trevas. Diz lá em seu artigo 27, que é vedada a apresentação de propostas que “vilepediem a fé religiosa, promovam a sexualização precoce de crianças e adolescentes ou façam apologia a crimes ou atividades criminosas”.

Se pararmos para pensar, Shakespeare e Nelson Rodrigues estarão fora de qualquer possibilidade de montagem teatral, já que seus textos são densos, fortes, e na maioria com conteúdos de crimes, suicídios e sexo. Ora, o que está acontecendo com o nosso País? Estamos na contra mão da liberdade de expressão, da liberdade artística, estamos voltando ao tempo da censura e da hipocrisia deslavada de uma minoria que se acha Deus.

Mas ainda bem que temos artistas resistentes que não se curvam a esse disparate e com muita coragem e garra estreiam seus espetáculos a margem dos patrocínios e trazem para nosso deleite textos maravilhosos.

Estreou em São Paulo no teatro Nair Belo nessa quinta feira dia 05 de outubro  o espetáculo Alair – Contemplação e Beleza – A jornada Sentimental de Alair Gomes.  Um espetáculo que conta a história de Alair Gomes um Engenheiro, Filósofo, crítico de arte e fotógrafo que passou por uma infinidade de experiências estético-existenciais de causar inveja a nossa fadiga informacional.  Alair  Gomes é vivido pelo ator Edwin Luisi e que tem como parceiros de cena os atores Claudio Andrade e André Rosa.  O texto é de Gustavo Pinheiro a partir dos diários de Alair Gomes e nos leva a refletir sobre como a vida e arte podem se misturar a partir da carência de um Homem que usa de toda a sua inteligência, sensibilidade e erotismo para continuar a sentir vivo, inteiro e amado.  Um Homem que usa a arte para conquistar, usa a lente de uma câmera para dar vida a beleza das obras de arte através dos corpos belos e sensuais que fotografa homenageando assim  grandes mestres  como Michelangelo e saciando sua ansiedade erótica.

A encenação é muito bem dirigida por Cesar Augusto e a Direção de Movimentos de Luisa Pitta é de tirar o fôlego, são sensuais e sutis arrancando suspiros da plateia.  Durante toda a peça o contraponto entre a densidade da dor de Alair sobre a beleza que se esvaí com o tempo é suavizada pelas tiradas divertidas e ácidas que o próprio tempo traz para a sua vida.

Fica aqui um convite para que você assista essa curta temporada se delicie com a história de Alair Gomes e que esse espetáculo seja a Mais Influente inspiração para que não deixemos a Censura prevalecer.

Serviço:

Teatro Nair Belo – Shopping Frei Caneca

De 06 de outubro a 05 de novembro

Sextas e sábados – 21H00  – Domingo:  19H00

GALERIA

 

Fotos: Elisa Mendes

 

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