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Acadêmicos do Baixo Augusta reúne 1 milhão de pessoas contra proibicionismo e conservadorismo em SP

Desfile histórico bate recorde de público no carnaval de rua de São Paulo; com o tema “É Proibido Proibir”, lembrando 50 anos de 1968, bloco teve participação de Maria Rita, que emocionou público durante inauguração de painel de 720m2 no Centro da cidade;
durante o mês de janeiro, Festival de Pré-Carnaval do Baixo Augusta reuniu 30 mil.

O Acadêmicos do Baixo Augusta, um dos mais tradicionais blocos de carnaval de rua de São Paulo reuniu 1 milhão de pessoas em um desfile histórico realizado no domingo, 04 de fevereiro, na rua da Consolação, segundo dados da Secretaria de Prefeituras Regionais da Prefeitura de São Paulo.

Com o tema É Proibido Proibir, lembrando 50 anos de momentos históricos como o Ato Institucional 5 (o AI5) e as lutas de maio de 68, além da histórica Batalha da Maria Antônia, desta vez o bloco se posicionou contra o proibicionismo e o conservadorismo, em uma grande celebração da liberdade. Fundado em 2009, o Acadêmicos do Baixo Augusta neste ano desfila em quatro carros que trouxeram, além de banda e convidados, uma performance teatral do grupo Os Satyros.

Festival de Pré-Carnaval reuniu 30 mil
O desfile do Acadêmicos do Baixo Augusta marca o fim do pré-carnaval paulistano. Entre os dias 11 e 31 de janeiro, a Casa do Baixo Augusta, espaço localizado no Centro da cidade, recebeu a primeira edição do Festival de Pré-Carnaval do Baixo Augusta, abrindo o calendário de folia da capital paulista com rodas de samba, blocos, fanfarras, festas e oficinas. Em 15 eventos, o Festival teve público total de cerca de 30 mil pessoas, sendo cerca de 5 mil visitantes nos 13 eventos realizados dentro da Casa do Baixo Augusta e cerca de 25 mil pessoas presentes em dois eventos realizados ao ar livre.

O desfile
Um dos destaques do desfile deste domingo, 04 de fevereiro, foi a participação especial da cantora Maria Rita, que emocionou o público cantando “Como Nossos Pais”, canção do artista cearense Belchior. Imortalizada na voz de Elis Regina, mãe de Maria Rita, a composição é considerada um dos maiores clássicos da música brasileira, cuja letra retrata a desilusão de uma juventude em busca de esperança e na luta por mudanças contra uma sociedade repressora.

A apresentação de Maria Rita marcou a inauguração de um novo painel artístico na cidade. Com 16m de largura por 45m de altura, totalizando 720 m², o mural é uma obra de Carlos Delfino, Ciro Cozzolino e Zé Carratu, três artistas plásticos que compuseram a última formação do Tupinãodá, primeiro coletivo de rua paulistano, formado no início da década de 80 e agora rebatizado como Os Tupys.

Alinhado ao tema “É Proibido Proibir” e aos ideais pregados pelos estudantes franceses em maio de 1968 e pelo movimento Tropicalista, o mural é um protesto contra todas as formas de autoritarismo e censura, além de uma homenagem à região do Baixo Augusta enquanto território livre de manifestações culturais e boemia.

Rainha em ato pela liberdade
O som na concentração teve início com o DJ Tatá Aeroplano, seguido de uma edição especial da festa Venga Venga. O desfile teve início às 16h30, com o hino do bloco cantado pelo puxador Wilson Simoninha. Por volta das 17h, ao som de “Liberdade, Liberdade! Abre as asas sobre nós”, samba enredo da Imperatriz Leopoldinense, a atriz Alessandra Negrini, rainha do Acadêmicos do Baixo Augusta, rasgou a capa que vestia para revelar sua fantasia, em um ato em defesa da liberdade. Com direção artística de Flávia Brunetti, feita por Michelly X e Lelê Barbieri, Negrini vestiu uma fantasia de Iansã, orixá guerreira, da força e da luta.

“É muito gratificante ver a proporção que nossa bloco tomou. De uma brincadeira de amigos, para o maior bloco carnavalesco da cidade, símbolo de resistência cultural e de ocupação do espaço público”, explica Alê Youssef, diretor da Associação Acadêmicos do Baixo Augusta e presidente do Bloco. “Estamos honrados e agradecidos”, completa.

Ao lado de Patricia Secchis e da banda do Acadêmicos do Baixo Augusta, Simoninha comandou momentos emocionantes com diversos convidados especiais. A sambista, cantora e compositora Leci Brandão foi a primeira a entrar, com a clássica “Zé do Caroço”. O desfile ainda teve estrelas como os cantores Emanuelle Araújo, Tulipa Ruiz e Max de Castro, além de uma participação do ator Julio Andrade encarnando Gonzaguinha com “O Que é o que é”.

Performance do grupo Os Satyros
No 4º carro, durante todo o desfile, o grupo teatral Os Satyros realizou uma performance tendo como inspiração o trabalho da filósofa Judith Butler, com a participação de artistas dos Satyros, Parlapatões e representantes de importantes grupos teatrais de São Paulo, além de ativistas transexuais especialmente convidados para o desfile.

As performances foram “Queima dos Sete Bruxos do Ódio (Gordofobia, Racismo, Homofobia, Transfobia, Machismo, Xenofobia e Intolerância Religiosa)” e “Acorrentamento das Vontades – Praça Roosevelt – Libertação e Beijaço do Amor Livre”.

O desfile do Acadêmicos do Baixo Augusta em 2018 teve patrocínio de Doritos e Amstel, e teve como aplicativo de mobilidade oficial o Uber.

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