6.1 // denise prado

A Toada da Amizade

Quem nunca cantarolou:  “ Vem morena ouvir comigo essa cantiga, sair por essa vida aventureira…” e as cantadas deliciosas de um tempo onde não havia nada melhor do que ouvir ao pé do ouvido: “ …vem morenaaaa… vem morenaaa…” . Pois é, pode parecer mesmo que isso foi há muito tempo, mas para eles não há tempo, eles são atemporais, atuais e estão celebrando mais de três décadas de parceria musical.  O Grupo vocal Boca Livre está em festa e traz para São Paulo o Show Amizade, que também é o titulo do mais recente álbum desse quarteto vocal instrumental carioca, fundado em 1978 e que desde então não para de nos presentear com pérolas que vão direto ao nosso coração.

Será que existe mágica para se manter por quase 40 anos juntos, amigos, parceiros na arte e na vida?  Maurício Maestro, fala com muita sabedoria sobre essa amizade:

“Amizade é um bem supremo que supera diferenças entre seres humanos. Não depende de afinidades nem de interesses. Quando a amizade se junta, porém, ao gosto pessoal e à iniciativa comum a um grupo, ela se fortalece ainda mais. O que acontece num grupo musical como o Boca Livre é um exemplo disso. Tem horas em que os projetos comuns sustentam a amizade, e em outras épocas é a amizade que nos faz sentir o desejo de prosseguir em nosso caminho comum. Em verdade, as coisas se misturam de uma forma bem sutil. Para manter um trabalho por quase quarenta anos, sem abrir mão da qualidade nem da identidade com as nossas personalidades e pessoais preferências, não poderia ser de outra forma.Cada um no Boca Livre teve sua história musical antes do grupo se formar e cada um de nós continua abraçando diversos e diferentes caminhos, paralelamente ao grupo. “

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O álbum, foi vencedor do 25* Prêmio da Música Brasileira, e o show vem com um repertório renovado a partir de refinadíssimo garimpo realizado por Maurício Maestro (contrabaixo, violão e vocal), Zé Renato (vocal e violão), David Tygel (viola e vocal) e Lourenço Baeta (flautas, violão e vocal).

Divisor de águas no universo dos grupos vocais brasileiros, o Boca Livre trabalha seu abençoado uníssono e os engenhosos arranjos, que fãs e ouvidos mais atentos reconhecem imediatamente. Mas sem nostalgia ou repetição de ideias.

Um disco de repertório novo do Boca Livre é sempre ótima notícia para a música brasileira. Ótima e rara.

E de onde vem todo esse talento, por onde andaram individualmente cada um dos integrantes, quais foram suas influências?  Acreditem, é surpreendente a história de cada um.

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Zé Renato conta que as suas influências são na sua maioria vindas da música brasileira, sambas e serestas que eram ouvidas frequentemente em casa e mais adiante bossa nova e a música mineira de Milton e o Clube da Esquina.  “Anterior ao Boca Livre tive uma experiência de trabalhar com um grupo( Cantares) onde era praticamente cantor solista .Com o Boca aprendi a cantar em vocal, lições que aprendi com os amigos Mauricio e David .”

David Tigel , ouvia sua mãe tocar piano em duos e trios que aconteciam em casa, com compositores clássicos como  Debussy, Ravel e Cesar Franck, o que fortaleceu o seu gosto musical, além de cantos judaicos que eu ouvia na sua escola, e que ele cantava também. “Quando passei para o Colégio de Aplicação, conheci o Mauricio Maestro e abri definitivamente o meu gosto à música brasileira.”

Lourenço Baeta conta que foi influenciado pela música brasileira que era ouvida em casa. “Minha mãe sempre gostou de cantar e ouvia muitos discos. Os sambas – canções e as cantoras como Elizeth Cardoso, Elena de Lima e Maysa. Meu pai gostava dos sambas de Ataulfo Alves. Lá pelos 16 anos comecei a tocar bateria e, tentando acompanhar a vitrola, ouvia um pouco de tudo. De Milton Banana Trio a Creedence Clearwater Revival.  Os incríveis vocais dos Beatles e outros grupos do fim dos anos 60. Woodstock também foi um momento importante. Nessa época formamos um grupo vocal chamado “Duplo Etéreo”  onde cantávamos músicas do Terço, do Crosby, Stills & Nash e canções autorais. Depois, Hermeto Paschoal com suas flautas, a fase orquestral do Tom Jobim e a música do Clube da Esquina. No Boca Livre tive novamente o prazer de cantar e tocar junto com esses amigos e parceiros de vocal.

No show que apresentará nesta temporada paulistana, além de celebrar a amizade, o grupo também homenageará quatro compositores pernambucanos, Alceu Valença, Carlos Fernando, Geraldo Azevedo e Novelli, e os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil. Com arranjos inéditos ou renovados cantarão sucessos Nacionais e até mesmo internacionais.

Então estão esperando o que para celebrarem a Amizade?

Dia 11/11 – Franca

Dia 13/11 – Ribeirão Preto

Dia 14/11 – Theatro Net SP

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Fotos: Divulgação

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